Por Luiza Campos
Acontece todo ano. Chega o verão e com ele dezenas de notícias explorando o mesmo assunto: as chuvas no sudeste e a seca no nordeste. Outra estranha coincidência é que essas matérias nunca mudam, parecem tiradas de algum arquivo morto. E essa mesmice é geral: ela atinge todos os meios de comunicação. Mas, será que realmente não há nada de novo para ser dito?
Os meios midiáticos são iguais até na pretensa originalidade. Todos perceberam, ao mesmo tempo, que contrapor a idéia de seca à de chuva em abundância num mesmo país chama a atenção do leitor-espectador. Mas, se há alguma diversidade regional ela fica só no título. As matérias, em sua grande maioria, retratam a situação dos estados do sudeste, enquanto relegam à situação nordestina cerca de dois ou três parágrafos. Isso teria alguma relação com o fato dos grandes centros econômicos nacionais estarem concentrados, em boa parte, no sudeste? Vai saber...
Outra notável semelhança são as falhas de diagramação ou dos redatores e produtores, que sempre resultam num esquecimento de explicar o porquê dessa situação. Não me parece normal que a estiagem nordestina tenha aumentado tanto nas últimas décadas ou os recordes de enchentes ocorridos no sudeste. Também não são dadas ao leitor-espectador soluções ou alternativas para reverter essas circunstâncias. Esses jornalistas todos devem sofrer de amnésia crônica, coitados.
Ah, sim! Há honrosas exceções de programas como o
Fantástico e o
Globo Repórter . Eles sempre trazem uma espécie de manual-prático-de-como-preservar-o-planeta-Terra. Matérias sobre o aquecimento global e desenvolvimento sustentável são freqüentemente exibidas pelos dois. Mas cá entre nós: deve estar havendo redução no quadro de funcionários. Só isso poderia explicar a falta de criatividade e de aprofundamento nas reportagens veiculadas.
Espera aí. Afinal de contas, o que o leitor-espectador tem a ver com isso? O que ele poderia fazer para mudar esse quadro? A culpa é só da natureza e das grandes empresas, não? Imagina se o homem, sozinho, seria o responsável por isso tudo. Na verdade, acho que eu deveria parar de falar sozinha. Pura viagem minha...