Depois de abordar temas como a Revolução Farroupilha e a construção de Brasília, a
TV Globo, agora, começa a desvendar a história do estado do Acre com a nova minissérie que teve início dia 2 de janeiro.
Amazônia de Galvez a Chico Mendes, é a mais recente obra da novelista acreana Glória Perez, que sempre sonhou em escrever sobre sua terra natal. O enredo relembra o ápice econômico da região, com a extração do látex da borracha e a conseqüente guerra pela independência com relação à Bolívia.
Amazônia é dividida em três fases: fins do século XIX a atual fase décadas de 40 e 80. Ela é conduzida pelos heróis Luis Gálvez (José Wilker), Plácido de Castro (Alexandre Borges) e Chico Mendes (Cássio Gabus Mendes). Os dois últimos darão andamento às outras fases da minissérie. O fio condutor da trama é a saga de duas famílias antagônicas. De um lado, encontra-se o dono do próspero seringal Santa Rita e de uma das maiores fortunas de Manaus do início do século 20, o coronel Firmino Rocha (José de Abreu). Do outro, o nordestino Bastião (Jackson Antunes), que foge da seca com a família, iludido com a possibilidade de fazer fortuna na floresta. Lendas e figuras típicas da região também não ficam de fora e dão um toque popular à história. É o caso da personagem de Regina Casé, a parteira Maria Ninfa, e da lenda do boto. Segundo a crença popular esses animais seduzem as moças ao se transformarem num belo rapaz. Delzuite, personagem de Giovanna Antonelli, recorre à lenda do boto ao se ver grávida de seu amor, Tavinho (Paulo Nigro), que partiu para Manaus.
Assim como as minisséries anteriores, "Amazônia" possui uma megaprodução. Uma equipe de 150 profissionais, entre engenheiros, técnicos, cenógrafos, figurinistas, produtores e artistas, viajou em agosto do ano passado para Manaus (AM) e Porto Acre (AC), para uma temporada de 72 dias. O resultado desse trabalho tem um preço: 500 mil reais por capítulo. Hoje, as gravações estão concentradas na cidade cenográfica construída no PROJAC (RJ), mas as expedições para o Norte não terminaram.
Em meio a tantas imagens deslumbrantes da floresta Amazônica, com suas ricas fauna e flora, um "detalhe" passa despercebido aos olhos de milhões de telespectadores. Os índios. Cadê os índios? Cadê os mais de 150 mil índios, divididos em quase 50 povos, que moravam no território que o branco passou a chamar de Acre? Mais uma vez a televisão reproduz um tipo de história que se pensava estar esquecida nos velhos baús dos porões úmidos. Uma história feita de heróis... e heróis brancos e economicamente abastados, onde índios, por exemplo, não entram em cena. É difícil acreditar que Glória Perez tenha estudado livros de história e as biografias dos principais envolvidos, além de obras de autores acreanos, para deixar a presença milenar do índio na região se desmanchar ao longo dos capítulos da minissérie.
"Amazônia - de Gálvez a Chico Mendes" pretende contar os cem primeiros anos da história do Acre. Apesar da produção muito bem trabalhada, começou mal. E ainda está no começo. Há muita história, ou talvez estória, a ser contada. A criação do movimento ambiental dos seringueiros, que culminou em assassinatos de líderes populares, como Chico Mendes, também será mostrada. Com certeza a visibilidade dada ao personagem não será a mesma dada à figura do índio. Tanto Chico Mendes, quanto o índio, tiveram, e ainda têm, papel importante na defesa da floresta. Porém, índios não recebem prêmios internacionais e nem são destaques em minisséries.
QUEM FOI GÁLVEZ DA MINISSÉRIE AMAZÔNIA?
Erroneamente apontado como boliviano, Luis Gálvez Rodríguez de Arias nasceu em São Fernando, na região da Andaluzia (Espanha), em 1864, numa tradicional família. Era jornalista e diplomata. Ele estudou ciências jurídicas e tornou-se diplomata na Europa. Seu vasto conhecimento não impediu seu espírito aventureiro de procurar o "Eldorado" na Amazônia. Tornou-se jornalista em Manaus no jornal Comércio do Amazonas, abriu um bordel com uma antiga amante (Lola). Gálvez decide partir para a conquista do Acre ao traduzir um documento da Bolívia. Apoiado financeiramente pelo governo do Amazonas, que esperava anexar a região, rica em seringais, recebeu a missão de tomar o Acre, majoritariamente habitado por brasileiros, da Bolívia. Proclamou a República Independente do Acre em 1899, o qual governou entre 14 de julho de 1899 e 1º de janeiro de 1900 e, depois de um golpe de Estado que durou um mês, governou de 30 de janeiro de 1900 a 15 de março de 1900. O Tratado de Ayacucho, assinado em 1867 entre o Brasil e a Bolívia reconhecia o Acre como possessão boliviana. Por isso, o Brasil despachou uma expedição militar para prender Luis Galvez, destituir a República do Acre e devolver a região aos domínios da Bolívia. No dia 11 de março de 1900, Luis Gálvez rendeu-se à força-tarefa da marinha de guerra do Brasil, na sede do seringal Caquetá. Gálvez morreu em Madri em 1935.
QUEM FOI PLÁCIDO DE CASTRO?
José Plácido de Castro nasceu em São Gabriel, no Rio Grande do Sul, em 9 de setembro de 1873. Plácido de Castro foi um político e militar brasileiro que participou da Revolução Acreana e governou o estado do Acre. Em 1889 abandonou o cargo de fiscal nas docas do porto de Santos, em São Paulo, para tentar futuro melhor no norte do país. Existia no Acre, desde os tratados de 1750 e 1777 uma questão territorial de limites com a Bolívia. Em 1901, esta arrendou o Acre a uma companhia estrangeira. Conseqüentemente, aumentaram as animosidades entre bolivianos e brasileiros. Plácido de Castro liderou, então, um movimento armado contra a Bolívia e proclamou a independência do estado do Acre. Aos 27 anos de idade, liderou uma forte revolução com mais de 30 mil homens. Ele definiu a fronteira oeste do Brasil como uma decisão na sociedade da época a favor de seu país. Em 1903, pelo Tratado de Petrópolis, a luta foi encerrada. Em 1906, Plácido foi nomeado governador do Acre. Viajou para o Rio de Janeiro, onde lhe ofereceram os galões de coronel da Guarda Nacional, que rejeitou. Quando de seu retorno ao Acre, foi nomeado prefeito. Plácido de Castro, após uma emboscada, foi trucidado, aos 35 anos de idade, ficando esse crime para sempre impune.
QUEM FOI CHICO MENDES?
Francisco Alves Mendes Filho nasceu em Xapuri, Acre, em 15 de dezembro de 1944. Chico Mendes, como era mais conhecido, foi seringueiro, sindicalista e ativista ambiental brasileiro. Fundou um sindicato de seringueiros para preservar a profissão da extração madeireira indiscriminada e o desmatamento com a expansão dos pastos na Amazônia. Atuou na fundação do Conselho Nacional dos Seringueiros e ajudou a formular a proposta das Reservas Extrativistas para a classe, conseguindo apoio internacional na sua luta. Em 1987 Chico Mendes foi reconhecido internacionalmente com os prêmios "Global 500" da ONU e a "Medalha do meio ambiente" da Better World Society. Foi assassinado em frente de sua casa em 22 de dezembro de 1988, aos 44 anos. Após o seu assassinato, mais de trinta entidades sindicais, religiosas, políticas, de direitos humanos e ambientalistas se juntaram para formar o "Comitê Chico Mendes". Para pressionar os órgãos oficiais, eles exigiram providências através de articulação nacional e internacional, para que o crime fosse apurado e seus culpados punidos. Em 1990, a justiça condenou os fazendeiros Darly e Darcy Alves da Silva pela morte de Chico Mendes. O caso despertou pela primeira vez a atenção internacional para os problemas dos seringueiros.
enviada por Comufv2004
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