15/02/2007 10:54
Saddam Hussein, o ditador enforcado.
Saddan Hussein Abd al Majid al Tikriti este é o nome completo de um dos maiores ditadores já visto pela história contemporânea. Enforcado no dia 30 de dezembro de 2006 o tirano abandona sua extensa trajetória política para integrar o rol dos mártires. Ele foi condenado por ter ordenado a execução de 148 iraquianos xiitas, em Dujail, além das acusações de genocídio contra curdos iraquianos, e é claro, por ser considerado cúmplice do terrorismo ante norte-americano.
O fato é que sua morte pode ter sido não o fim dos problemas do Iraque e dos Estados Unidos, mas sim o estopim que faltava para eclosão de uma guerra não mais por Petróleo de um lado e pela liberdade de outro, e sim pela vingança. Parte do Iraque evidentemente fez festa com a morte de Saddam. Mas outra parte, composta de iraquianos sunitas, a tribo do ex-ditador, viu na morte por enforcamento o nascimento de um mártir a ser vingado. Os ataques terroristas em protesto a morte do tirano já começaram, se os americanos tiverem sorte, os atentados ficarão restritos ao Iraque, se tiverem azar poderam ser as próximas vítimas.
O presidente dos Estados Unidos Jorge W Bush não conseguiu provar a existência sequer de uma única arma de destruição em massa, além de ter ido contra as decisões tomadas pelo Conselho de segurança da ONU que não autorizaram a invasão do Iraque. Seria mais que justo, e esta não é uma posição particular, que Bush também fosse enforcado, bem ao lado de Saddam Hussein, assim eles iriam juntos para o inferno. É importante ainda relembrar-mos da invasão do Afeganistão em 2001, em que o governo americano enviou tropas e ocupou completamente o país, em busca de Osama Bin Laden e de sua milícia Al quaeda. Foi o primeiro fracasso de Bush. A grande potência fez milhares de vítimas civis além da morte de seus próprios soldados. E por falar em soldados mortos, somando os da invasão do Afeganistão e do Iraque já passam de vinte mil.
A episódica vida de Saddam Hussein e de seus atos que culminaram com a sentença de morte a ele conferida trazem em si uma discussão acerca das formas de julgamento e de aplicação de penalidades adotadas pela sociedade. É fato que o mundo todo condenou os crimes da ditadura iraquiana, todavia, uma aplicação da pena de morte contra Saddam Hussein não serviria para ressuscitar as suas vítimas. Afinal, mesmo depois do delito, não se deixa de ser pessoa humana dotada de direitos e garantias fundamentais. Mesmo quando se trata de um Saddam Hussein, é inconcebível, que qualquer pessoa seja submetida a um julgamento que não retrate nada mais do que o que ele mesmo fazia contra seus inimigos. O Brasil pode ter muitos problemas, mas pelo menos não temos pena de morte.
A morte de Saddam Hussein deveria ser um elemento provocador de uma nova leitura acerca da relação entre os povos, entre as nações. Todos esses conflitos que envolveram as intervenções dos países no Iraque chamam a atenção para a necessidade da formação de uma grande "comunidade internacional", diferenciada é claro da já existente ONU.
Apesar de perplexo com atitude dos seres humanos no mundo ainda me sinto um pouco feliz por termos no mínimo um presidente que considera o enforcamento de Saddam um grande erro, que começou pela invasão ilegítima do país.
O fato é que, em dois anos Jorge W Bush será apenas mais um retrato na galeria de ex-presidentes norte-americanos, enquanto o fantasma de Saddam sobreviverá uma eternidade. E se conheço bem este homem ele voltará para puxar o pé de Bush.
Rodrigo Carvalho Gonçalves
enviada por Comufv2004
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