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06/02/2007 22:21

Ronaldo, a volta por cima?



Diferentes interpretações da mídia sobre a transferência do Fenômeno para o futebol Italiano

Por Matheus Espíndola

Terminou, após várias semanas de especulações, a novela da transferência de Ronaldo do Real Madrid para o Milan. Aos 30 anos, o jogador vai defender as cores do sétimo clube de sua carreira meteórica, que começou como profissional em 1993. Antes de chegar ao rubro-negro de Milão, Ronaldo passou pelo São Cristóvão e pelo Cruzeiro, no Brasil, e pelo PSV Eindhoven, Barcelona, Internazionale e Real Madrid, na Europa. Mesmo sendo vítima de várias lesões, faturou, em três oportunidades, o prêmio de melhor jogador do mundo pela FIFA.

Desde o início do mês de janeiro, Ronaldo vinha sendo afastado pelo recém-contratado treinador Fabio Capello. Sua última temporada na Espanha foi bastante apagada e, além disso, foi um dos responsabilizados pelo fiasco brasileiro na Copa da Alemanha. O Fenômeno, como ficou conhecido desde quando defendia a Internazionale, desligou-se do clube espanhol pela relativa bagatela de 9,7 milhões de dólares. Em 2002, o centroavante havia sido comprado pelo Real por 50 milhões, o que representa uma desvalorização de mais de 80% do seu passe.

A mídia interpretou o acontecimento de diferentes maneiras. Alguns sites, como o globoesporte.com, abordaram com entusiasmo a transferência do Fenômeno. Esta seria a grande oportunidade para que ele recobrasse o brilhantismo de outros tempos. Uma de suas manchetes é: Espanhóis acreditam na volta por cima de Ronaldo. A matéria trata de uma enquete realizada por um jornal espanhol, na qual 55% dos votantes manifestaram esperança no retorno do craque. Além desta, o globoesporte.com também foi otimista na divulgação das boas vindas de seus novos companheiros a Ronaldo e do sucesso de vendas de camisas com seu nome. No site do jornalista Milton Neves, nenhuma euforia no anúncio: Sem glamour, Ronaldo chega ao Milan.

A cobertura do primeiro treino de Ronaldo na volta à Itália também teve diferentes abordagens. O site mineiro superesportes evidenciou o baixo número de torcedores e também a opinião dividida da torcida e da imprensa italiana. Ainda mais incisiva, a manchete no terraesportes é: Nenhum torcedor recebe Ronaldo no CT do Milan. Enquanto isso, o gazetaesportiva.net anunciou com os seguintes dizeres a apresentação do atacante: Ronaldo treina com elenco do Milan e recebe elogios.

Mas também pôde ser observada a imparcialidade na interpretação feita pelo site do estadão. A notícia, divulgada em 31 de janeiro, não desvaloriza o tema, tampouco manifesta entusiasmo exacerbado. Ela cita – porém, não na manchete – a inesperada ausência de torcedores para prestigiar o ídolo. Por outro lado, menciona o otimismo de Ronaldo, inclusive, quanto à sua volta à seleção.

Um mesmo fato visto por diversas angulações é uma das características marcantes da grande mídia. Logo na abertura do site oficial do Milan, o nome de Ronaldo aparece estampado em letras garrafais. Mas, como foi observado, o atacante está longe de ser unanimidade e muitos alimentam sérias dúvidas quanto ao seu valor. Acontece que inúmeros fatores e interesses são considerados para ditar a maneira pela qual será divulgada a notícia. Chega-se a cogitar até que a própria contratação do jogador, um dos mais badalados dos últimos anos, tenha sido baseada numa estratégia de marketing por parte do clube italiano. Antes mesmo que Ronaldo tivesse sido apresentado à claque do Milan, haviam sido vendidas milhares de camisas com seu nome e o número 99, que ele passará a usar. Dessa forma, cada meio veicula a informação da maneira que lhe convier. Mais do que vai representar a opinião do profissional do jornalismo, a notícia que veiculará será a que mais vende, e a que atende aos interesses da empresa e ao dos anunciantes.
enviada por Comufv2004






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