09/02/2007 08:30
PROGRAMA DE ACELERAÇÃO DO CRESCIMENTO - PAC
ECONOMIA
Cleverson SantAnna
Vinte e dois dias após o início do seu segundo mandato, o presidente Lula lançou o Plano de Aceleração do Crescimento PAC, para destravar a economia e criar condições para que o Brasil cresça 4,5% esse ano e 5% ao ano no resto de seu mandato. Auxiliado por ministros petistas, Lula lançou o PAC em cerimônia de pompa, reunindo 20 governadores, ministros e líderes partidários. A repercussão do lançamento do pacote foi grande nas mídias televisivas, impressas e na internet.
O PAC prevê investimentos de R$ 503,9 bilhões até 2010, redução de impostos e controle de gastos. Passado o impacto inicial do lançamento, a badalação e as manifestações de apoio, o pacote começa a ser analisado por governadores, prefeitos, empresários e trabalhadores. Dos R$ 503,9 bilhões anunciados, somente R$67,8 bilhões tem origem definida, pois saem do orçamento da União (cerca de R$16,5 bilhões por ano). O restante viria da iniciativa privada e das estatais. Para se ter uma idéia de quanto esses valores representam, segundo a Folha de São Paulo, o Governo Lula investiu apenas R$39,7 bilhões no primeiro mandato e gastou R$439,3 bilhões com o pagamento de juros do setor público.
O jornal Estado de Minas (EM) do dia 23 de janeiro, em sua manchete de capa, manteve o clima de euforia dos telejornais da noite anterior (Jornal Nacional e Jornal da Band), com as palavras PROGRAMA PARA O BRASIL CRESCER. O Estado de Minas dedicou 9 páginas do primeiro caderno ao PAC, só que nas páginas internas concedeu espaço para governadores, empresários, economistas e prefeitos opinarem sobre o pacote. Com ênfase no estado de Minas Gerais, o EM explorou as críticas do Governador Aécio Neves (PSDB) ao PAC, reclamando de não ter sido consultado; da não estadualização das rodovias federais; da não transferência dos recursos da Contribuição sobre Intervenção do Domínio Econômico (Cide) para o estado; da diminuição de arrecadação do estado com a queda de impostos e com a pouca verba destinada a rodovias, portos, aeroportos, hidrovias, ferrovias e metrô. Além disto, Aécio critica a ausência de garantia pelo Governo de que não haverá contingenciamento dos Recursos do Fundo Penitenciário Nacional de Segurança. Quanto à menção no PAC da criação de 700 vagas de estacionamento no aeroporto de Confins, Aécio Neves disse que deve ter sido brincadeira.
Por outro lado o Prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel (PT) elogiou o pacote e demonstrou estar satisfeito com a destinação de R$186 milhões para obras no metrô, segundo ele suficientes para concluir a Linha 2 Calafate Barreiro.
A Folha de São Paulo do dia 23 de janeiro, tanto no primeiro caderno, quanto no Caderno Dinheiro, expressou uma recepção bem menos otimista ao PAC, enfatizando a desconfiança de economistas, empresários, governadores e políticos tucanos com o pacote. A Folha fez um grande detalhamento do PAC e utilizou opiniões de especialistas, de governistas e de opositores. No geral, quem leu as matérias da Folha não deve ter se empolgado muito com o pacote do governo federal.
No mesmo dia 23 de janeiro, nos sites jornalísticos da internet (UOL/Folha Online, Uai/Estado de Minas, InvestNews, Gazeta Mercantil.com.br, Reuters, InfoMoney, Valor Online, Agência Brasil e JB Online), houve uma profusão de matérias sobre o PAC, que foi extensamente explicado, detalhado e analisado em todas as suas facetas. Os sites jornalísticos da Web foram bem mais analíticos, sem tomar posição favorável ou contrária ao pacote, mas dando espaço para opiniões de governistas, oposicionistas, economistas, empresários, governadores e prefeitos.
Quem ganha e quem perde com a implementação do PAC?
Houve um consenso entre os veículos analisados de que o PAC beneficia a indústria da construção civil, a indústria de eletrônicos (TV digital) e a indústria de computadores. Há também, no pacote, medidas de estímulo ao crédito e ao financiamento, o que poderia aquecer o mercado da construção civil.
Apenas a Folha de São Paulo tocou de leve no tema quem perde com o PAC. Mais uma vez o elo fraco da cadeia é chamado a dar a sua cota de sacrifício. Os servidores públicos federais do executivo, os aposentados e os trabalhadores que ganham salário mínimo serão os mais atingidos pelo pacote. Ou seja, de novo é o povo que paga o PACto.
enviada por Comufv2004
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