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07/02/2007 00:01
O imediatismo da mídia esportiva nos
resultados da seleção brasileira de futebol

Por Ulisses Vasconcellos

É comum no jornalismo esportivo brasileiro a intenção de tocar fundo na paixão do torcedor. O futebol se tornou incomparavelmente o esporte de maior preferência nacional, e isso é explorado a ponto de determinados jornalistas ou programas esportivos serem repugnados por torcedores de algumas agremiações. Entretanto, nada mexe mais com o brasileiro, nada une mais o país e nada dá mais audiência, em termos esportivos, do que a seleção brasileira de futebol.

Nos últimos oito meses, o Brasil esteve presente em duas competições internacionais deste esporte. A Copa do Mundo e o Campeonato Sul-Americano sub-20. A primeira é o topo das competições. Já o Sul-Americano, decidido domingo 28 de janeiro de 2007, é uma competição regional, sem tanta repercussão internacional, mas que pela primeira vez na história conferiria ao vencedor o direito de disputar o Mundial sub-20 e as Olimpíadas de 2008, em Pequim.

A seleção brasileira foi eliminada nas quartas-de-final de Copa do Mundo. Os “meninos” do sub-20 foram campeões. Entre os dois torneios há um abismo de importância, é fato, porém, a mídia esportiva explorou cada resultado da maneira considerada mais impactante. Quando os astros da seleção principal perderam para a França, deixaram de ser os “melhores do mundo”, o “Quadrado Mágico”. A certeza do hexa-campeonato do mundo se converteu em um sentimento de frustração, e craques como Ronaldinho Gaúcho, viraram sinônimos de irresponsabilidade e culpa.

E tudo isso pela derrota para uma equipe que mais tarde foi vice-campeã do torneio. Antes dessa partida, eram quatro jogos, e quatro vitórias. Depois desse jogo, a vida profissional de muitos dos atletas que estavam em campo sofreu transformações significativas. Parte deles anunciou que não mais vestiria a camisa amarela. Outros são vistos com desconfiança. E a imprensa contribuiu muito para isso. A mídia pode formar conceitos, e se tratando de um assunto no qual o receptor das informações tanto se envolve afetivamente (para o lado bom e o ruim) o caso se torna mais sério.

Já o torneio terminado recentemente, o caminho foi um pouco inverso. Enquanto na Copa todos acompanhavam e o resultado não agradou, no Sul-Americano o Brasil foi campeão sem muito estardalhaço. No final da competição é que ela ganhou mais força nos noticiários à medida que os adversários ficavam para trás. Enquanto na Copa a seleção havia vencido todas as partidas anteriores à da eliminação, os jovens brasileiros carregavam três empates.

A vaga para os Jogos Olímpicos de 2008 está assegurada. E agora começa em cima dos atletas campeões sul-americanos o tradicional favoritismo e a pressão para que consigam a tão esperada medalha de ouro olímpica.

Do time “mau-caráter, mercenário e sem vontade” da Alemanha aos “jovens de ouro” que vão para Pequim, é no imediatismo que se pauta grande parte da imprensa de esportes no país. E se dentro do futebol nacional, um mínimo de imparcialidade é sempre de bom tom, no que se refere à seleção, é explícita a intenção de atingir o emocional do torcedor. Amor ou ódio. Euforia ou frustração. Idolatria ou até aversão. Audiência!


Brasil - Campeão Sul-Americano Sub-20 2007

Texto na íntegra em http://issoqueeufalei.blig.ig.com.br/.
enviada por Comufv2004






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