09/02/2007 23:59
Minissérie Amazônia
Minissérie Amazônia: Do que ela se alimenta e o que a faz ficar pequena?
Aline da Rocha Barbosa
Diferente da maioria das novelas, que partem de subtramas interligadas para formar o todo, uma minissérie histórica, como "Amazônia - de Galvez a Chico Mendes", encontra sua razão primeiramente na história epopéica digna de ser contada. Mas, mesmo que esse tipo de minissérie nasça disso, ela precisa se alimentar de outras historiazinhas. Por quê? Essas mini - histórias são como o tempero que tenta trazer a audiência. Cabe dizer que audiência seria, nesse contexto, um conjunto de indivíduos satisfeitos e entusiasmados por ver suas manifestações e gostos sociais reproduzidos, na televisão.
Então, a minissérie Amazônia parte de um fio condutor que tem diversas ramificações. Mas, vale lembrar que ela, como qualquer reprodução histórica, é apenas uma verossimilhança, seja no fio ou nas ramificações. Mesmo que o primeiro seja relativamente mais confiável ou próximo da verdade.
A TV Globo, a cada início de ano, costuma colocar uma nova minissérie histórica no ar. Foi assim em 2003, quando "A Casa das Sete Mulheres" contou a luta dos sulistas contra o Império, e no início de 2006, com a trajetória de "JK" e seu desejo de construir nossa capital. "Amazônia - de Galvez a Chico Mendes", escrita pela acreana Glória Perez, estreou em dois de janeiro de 2007, terça-feira, e é dividida em três fases: fins do século 19, décadas de 40 e 80 do século 20. A intenção é relembrar o auge econômico da região, com a extração do látex da borracha, a guerra pela independência com relação à Bolívia e a criação do movimento ambiental dos seringueiros, culminando em assassinatos de líderes populares.
Entre os personagens da trama estão Galvez (José Wilker), Plácido de Castro (Alexandre Borges), Chico Mendes (Cássio Gabus Mendes), Coronel Firmino (José de Abreu), Bastião (Jackson Antunes), Lola (Vera Fischer) e Maria Alonso (Christiane Torloni). Alguns são indivíduos que marcaram concretamente seus nomes na história e outros fazem parte da imaginação realística da autora. Ou seja, aquela baseada em dados, como o do contraste riqueza/ pobreza, que lhe dão argumentos para defender o conteúdo de determinado personagem, que pode ter sido verdadeiro, naquele contexto. Quem vai duvidar de que existiu a Delzuite (Giovanna Antonelli)? Esqueçam o nome, mas pensem na mensagem dessa personagem: selvagem, bela, infantil, ingênua, desejada por vários seringueiros, que passavam anos sem ver uma mulher. Ela e a sua mini - história se torna possível, nessa conjuntura.
Mas, mesmo usando dessa imaginação realística, a minissérie não tem atraído a audiência, pois tem sido vista por menos da metade dos televisores ligados no horário (48%). Qual o problema? Talvez, seja no fio condutor (a história do Acre), distante da curiosidade das pessoas. Mas, acredito que seja a audiência enveredada e fascinada por outros caminhos e temperos: o grotesco, a novidade, a bisbilhotice (BBB) e o drama também atraem.
enviada por Comufv2004
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