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09/02/2007 23:03
Mamãe oh mamãe natureza... Tchuru ru ru tchu ru ru uá á á á
Por Camila Morgado
Desenvolvimento sustentável. Aquilo que mais parecia um palavrão, pior do que bater em mãe no Natal, de repente volta às pautas da imprensa brasileira. Tudo isso após a divulgação de um relatório do Painel Intergovernamental para a Mudança Climática (IPCC), no dia 2 de fevereiro, em Paris. Segundo ele, até o fim do século, o nível do mar deve subir cerca de 60 centímetros, as temperaturas na Terra vão variar de 1,1º C a 6,4º C, e tem muito mais além disso. Enfim, a raça humana degradou tanto o meio ambiente que entrou em um caminho, talvez possamos dizer, sem volta.
Quando foi realizada a Eco 92 no Rio de Janeiro, a imprensa adotou uma visão ecologista que não passou de puro modismo. Prova disso é que, quinze anos após a Conferência, os resultados da ação humana demonstram-se cada vez mais caóticos. Oras, se o propósito dela era adotar o desenvolvimento sustentável como meta a ser buscada e respeitada por todos os países, alguém aí quer explicar o que foi esse relatório?
Infelizmente, talvez, a resposta é muito simples. Durante todos esses anos, a questão ambiental foi relegada a segundo plano. Antes da Eco 92, ela era simplesmente considerada coisa de jornalista bicho-grilo. Depois de sua realização, o que se observou foi um período de sumiço de matérias desse tipo. Aliás, sumiço também é forte demais. Algumas coisas foram divulgadas, mas não passaram de pequenas notas. Ou então, não obtiveram tanta importância como mereciam. O que se deu foi um desaparecimento do tema na grande mídia. Devo, então, concordar quando Bruno Blecher diz, no Observatório da Imprensa., que a mídia tem uma parcela de culpa pela degradação do Planeta. E ele ainda cita algumas questões das quais pouca gente sabe a respeito, como Protocolo de Kyoto e Crédito de carbono, entre outros. Ou seja, a mídia não conseguiu associar a questão econômica em parceria com o meio ambiente adotando uma visão de sustentabilidade. Assim sendo, preferiu deixar a segunda parte de lado.
A questão central é que somente agora, na iminência de um desastre, começamos a pensar em mudar. Mania de querer deixar tudo pra última hora! Além disso, não há culpados para os resultados divulgados. Pelo menos não diretamente. Então, a raça humana, com sua pretensão de criar uma natureza humanizada, começa agora a sentir os efeitos de seus atos. É Fantástico falando, Folha, O Globo, Jornal Nacional... Todos! O que o susto não faz...
O jornalista Andrew Revkin, do New York Times, fez uma ótima analogia em rela-ção ao espaço de tempo que levamos para pensar e reagir a questões como essas: Com que rapidez a água tem de subir até o seu pescoço para você entrar em pânico (especialmente se, como Leonardo DiCaprio no Titanic, você está algemado ao navio)?. Alguém precisa de cronômetro?
enviada por Comufv2004
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