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06/02/2007 17:00


Jornalismo a favor da população ou do espetáculo?



Por Viviane de Carvalho

A cobertura jornalística sobre o acidente ocorrido na linha 4 do metrô de São Paulo, no dia 12 de janeiro, está dando o que falar. Os grandes veículos de comunicação acabaram invadindo a área do sensacionalismo barato, cometendo vários erros que são recorrentes neste tipo de cobertura de tragédias, transformando o fato num espetáculo que em nada contribuiu para a averiguação concreta e a apuração dos verdadeiros responsáveis.

O caderno "Metrópole", do jornal O Estado de São Paulo, explorou ao máximo o episódio, dedicando-se quase exclusivamente ao que se convencionou chamar de “cratera". A Folha de São Paulo, em sua seção "Tendências e Debates", publicou dois artigos que dissertaram sobre o ocorrido, com textos esclarecedores que faziam críticas ao sensacionalismo na cobertura jornalística da matéria. Porém, o jornal pouco se distanciou deste tipo de cobertura, ao explorar os relatos de parentes das vitimas.

A apuração da matéria acabou revelando que o local já apresentava problemas, que a mídia ainda não havia noticiado. Como por exemplo, o fato de que há vários meses moradores dos imóveis da região estavam assustados com rachaduras e trincas provocadas pelas obras do metrô, e que dias antes do desabamento a empreiteira responsável, sabendo dos riscos presentes na obra, não alertou ninguém da vizinhança nem do governo. Os problemas com a obra da Linha Amarela do Metrô despertaram a atenção da imprensa apenas quando aconteceu o desabamento nas obras do metrô na estação Pinheiros, causando vitimas.

Acontece que como hoje muitos jornalistas costumam fazer reportagens sem sair da redação, usando telefone ou internet, a apuração muitas vezes fica comprometida. Se os repórteres andassem mais pelas ruas e ouvissem mais fontes não oficiais, certamente algum repórter poderia ter descoberto antes o que estava acontecendo nas obras do metrô. Enfim, este novo método de apuração faz com que a imprensa cada vez mais se afaste da realidade cotidiana. Outro fator relevante é que numa tragédia com vitimas, sempre haverá pessoas a busca de seus familiares ou amigos e estes sempre trarão consigo histórias de alegrias e tristezas. A exploração dessa dor e dessas histórias é uma das características do sensacionalismo barato, além de um desrespeito com os próprios envolvidos no acidente, com a intenção de aumentar as vendas ou a audiência.

O limite entre sensacionalismo, informação investigativa e audiência/vendagem é muito pequeno e conflitante. Mas a população espera sempre que este limite seja respeitado a fim de ser informada corretamente sobre os acontecimentos. O jornalismo que precisar ser adotado pelos grandes veículos de comunicação do país precisa tratar os fatos com seriedade e clareza, trazendo à população informações relevantes e concretas sem o intuito de impor um julgamento especifico a população.


Foto da "Cratera" de São Paulo






enviada por Comufv2004






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