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06/02/2007 23:24
James Brown: morto e ressuscitado
Por Renan Capodeferro





Morre aos 73 anos, James Brown, “o pai do soul”. O cantor norte –americano teve complicações com uma pneumonia e havia sido internado em um hospital em Atlanta. No dia 25 de dezembro de 2006, o mundo perdia uma grande mente criadora, que influenciou várias gerações e movimentos musicais. Esse foi o trato dado pela imprensa em sua grande parte á esta notícia. A maioria dos veículos de comunicação trouxe essa informação da mesma maneira, com um lead direto do acontecimento, porém, lembrando o leitor sobre quem foi James Brown. Ou ressucitando-o.

Logo após o bafafá inicial, os veículos se encarregaram de trazer uma biografia ou histórico mais detalhado sobre obra e vida do cantor. Alguns se prenderam apenas a pequenas notas, como é o caso do portal Whiplash, que pecou pela aparente displicência ao tratar tal personalidade do mundo da música. Já no Uol Música, houve uma espécie de homenagem ao “Funk Soul Brother” com uma série de matérias que extrapolaram as biografias que estavam prontas na gaveta, recriando de uma forma mais clara a imagem de James Brown. A Folha On Line, cedeu um espaço “honesto” ao fato. Não mostrou a indiferança do Whiplash e também não floreou demais.

O rei do swing, de fato, teve sua importância no cenário da música mundial, estabelecendo parâmetros para diversas manifestações posteriores como o rap e o funk. Até mesmo a música disco tirou lições de como sobrepor o baixo e a bateria na música, a fim de criar aquele groove cheio de balanço. A figura extremamente carismática de Brown também teve importante papel político na disseminação da cultura negra quando dizia “I’m black and I’m proud”. A maneira de se apresentar, o modo como revolucionou a visão musical e suas posturas perante a sociedade, criaram a imagem de uma personalidade que efetivamente exerceu influência, ao menos indireta, em diversas gerações.

O fato é que, por mais que ainda estivesse realizando shows, a produção de James Brown já havia se esgotado há muito. O que ele tinha que fazer já foi feito na década de 70. É o que acontece com muitos dos gênios da história, há um limite para a capacidade inventiva. E o que se sucedeu foi uma tentativa, natural no trato com esse tipo de acontecimento pela mídia em geral, de criar um mito. Porém, dessa vez, a coisa aconteceu de forma saudável, pois não apagaram os problemas que James teve com drogas e nem as mulheres em quem ele bateu. Não fizeram com ele virasse um Deus, como Ayrton Senna ou os Mamonas Assasssinas. O que se conclui do modo como a mídia tratou o fato é que o “Senhor Dinamite” morreu para ser ressuscitado como um mito humano, que será sempre lembrado pelo legado que deixou.

Uol Música

Folha On Line

Whiplash
enviada por Comufv2004






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