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10/02/2007 11:13

ENTRETENIMENTO
Trocando o controle remoto pelo mouse


Welington Gonzaga*


A edição 236 da Revista Super Interessante, que está nas bancas durante o mês de fevereiro, traz estampado na capa um assunto polêmico e de grande interesse do seu público leitor: “Lost e o fim da TV”. Mas o que está no fim? O seriado Lost? Ou a televisão em si? São dois assuntos distintos ou um único assunto? Como é típico da revista, para obter a resposta, tem que se desembolsar uma razoável quantia em dinheiro.

Após inúmeras revistas abordarem as novas tendências do vídeo na era da internet, num primeiro momento é o que nos aparenta ser, novamente, essa atual publicação da Super. Mas o que se está discutindo agora é como que um seriado – que conquistou público em todas as partes do mundo – está desestruturando a tradicional forma de assistir TV. A televisão do século XXI está muito mais interativa e permite ao telespectador tornar-se um co-autor daquilo que está sendo exibido. “Parte dessa nova TV está aqui e agora: ironicamente, em um dos maiores sucessos televisivos da história. O festejado Lost tem por trás dele justamente os elementos que vão destruir a televisão como a conhecemos.”

A internet possibilita a criação de um universo de discussões e abordagens sobre assuntos que nem mesmo as fontes oficiais se preocupam em divulgar. As especulações em torno dos mistérios do seriado geram infinitos fóruns para os fãs da série debaterem o que se passa na tela. Como resultado disso, a quantidade de material existente na rede ultrapassa aquilo que é veiculado no canal de TV. Para quem acompanha o seriado desde o início (atualmente a série está no 7º episódio da 3ª temporada) tudo funciona como um jogo, em que a riqueza de detalhes não cabe somente na TV. Assistir a esse seriado exige um trabalho instigante de pesquisa que quebra com a relação tradicional e passiva de assistir a um programa televisivo.

Um exemplo dessa quebra ao modo tradicional de assistir TV ocorreu em 9 de novembro de 2006, quando foi ao ar o 6º episódio da 3ª temporada de Lost (era o úlitmo capítulo antes da série tirar férias de três meses). Numa única frase dita por um personagem surgiu uma tese capaz de explicar alguns dos mistérios da trama. De acordo com a fala do personagem, o líder dos Outros (como são conhecidos aqueles que estavam na ilha antes do desastre aéreo), Benjamin Linus, é subordinado a Jacob Vanderfield, diretor da empresa por trás dos acontecimentos da ilha.

Para quem apenas assiste à série de TV, essa foi a primeira vez que ouviu falar de Jacob Vanderfield. Porém, para os fãs que investigam o mundo extratelevisivo de Lost, este já era um sujeito conhecido. Tanto, que antes da emissora ABC divulgar oficialmente, os fãs já tinham descoberto um site criado para a empresa de Jacob Vanderfield. No dia seguinte à exibição do episódio em que é citado o tal sujeito, havia, em todo o planeta, teorias capazes de explicar os acontecimentos da ilha. “Nesse processo todo, o que a TV tradicional fez foi transmitir o sinal de Lost para os EUA. O resto ficou nas mãos de pessoas comuns”. A internet aponta para uma transformação da TV como a conhecemos desde criança. A interação passou do controle remoto para o mouse do computador. E essa curiosa tendência é muito mais democrática e interessante.


*blogdosininho.blig.com.br

enviada por Comufv2004






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