Os internautas brasileiros, com acesso domiciliar à rede, ultrapassaram a casa dos 14,5 milhões em 2006, de acordo com o instituto
Ibope/NetRatings . O tempo médio de navegação do brasileiro, no último ano, foi de 21 horas e 39 minutos por mês. Tempo maior que o do estadunidense, do japonês e do australiano.
Pra fugir um pouquinho dos números passemos à reflexão sobre o universo mágico que é o ciberespaço. Esse espaço não-físico que a cada dia configura mais e mais a nossa realidade.
Transações bancárias, e-mails, compras de natal, notícias, informação, diversão. Uma janela para o mundo que se abre ao alcance de alguns cliques. As facilidades que a rede nos proporciona muda também a nossa relação com o tempo. Pode-se economizar o tempo da fila no banco, na loja, a instantaneidade do correio eletrônico deixa pra traz as cartas feitas à mão. E a dinâmica e instantaneidade das relações virtuais são estendidas à nossa rotina e relações sociais. Espaço e tempo redefinidos. Poupamos o tempo e estamos cada vez mais sem ele.
Uma nova significação sensorial é delineada com a materialização digital de parte de nossas vidas. A interface com a rede nos permite construir e experimentar o mundo de maneira diferente, produzir uma comunicação mais complexa, montar textos e significados no trajeto difuso de navegação na web. A rede se cristaliza assim, como um espaço público em potencial, capaz de oferecer uma mesma oportunidade de vez e voz aos seus usuários. A web carrega consigo um novo paradigma de percepção do mundo.
Em games como o
Second Life, o internauta pode se imergir em um universo inteiramente criado por ele, escolher sua profissão, planejar seu lar, sua cidade e dotar seu próprio corpo das habilidades que quiser. Nessa brincadeira, muitos usuários trocam sua vida no mundo sensível, por assim dizer, pelo virtual. Sites de relacionamento como orkut recriam a noção de comunidade, de identidade e de pertencimento a elas. Na medida em que dão voz ao indivíduo, que por sua conta constrói uma representação de si mesmo, forjando o sentimento de unicidade.
Para alguns, a internet seria um simulacro, uma vã representação do real. Outros têm na rede apenas mais um nível de realidade, uma representação que, por ser virtual, não necessariamente engendra características ruins.
Longe de querer julgar as implicações desse ciberespaço que como disse no começo é mágico só tenho a dizer, como uma usuária domiciliar, que tenho uma sensação estranha ao perceber que o domingo inteiro gasto na frente da tela do pc foi um dia de sol lá fora. E só percebo isso no fim da tarde.