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12/02/2007 10:48
"BBB 7": o sucesso continua
Daniel Aroni
Rede Globo, mais ou menos 10 da noite. O intervalo anuncia que vai começar mais um capítulo da sétima edição do Big Brother Brasil , o BBB - a novela da vida real. Todos param ansiosos em frente à televisão até que, de repente, surge a figura do apresentador-poeta-engraçadinho Predo Bial, com seu visual despojado e suas perguntas indiscretas aos participantes da casa mais observada de todos os tempos, a casa do Big Brother Brasil. Pronto: o show da vida está no ar e a nós telespectadores resta apenas continuar espiando, espiando e espiando. Mas, qual seria a fórmula do sucesso desse programa? O que pode estar por trás desse comportamento de ligar a televisão para observar os outros?
Para Ferreira (2001), é pela falência das instituições que sociabilizam os indivíduos (igreja, família, escola...) que o homem-massa perde seus vínculos com a sociedade, tornando-se alvo fácil para os meios de comunicação que irão preencher, aos seus modos, o vazio deixado por essas instituições inoperantes, além de ditar o comportamento das pessoas. Para tanto, programas ao estilo Big Brother e, conseqüentemente, uma proposta de interatividade foram criados. O indivíduo, por estar carente de relações interpessoais, passa a ver nas quase cenas de sexo entre os participantes do BBB aquilo que ele gostaria que lhe acontecesse, já que lhe parece ser algo possível, por se tratar de pessoas comuns vivenciando coisas aparentemente também comuns.
Além disso, a promessa e simultânea negação do surgimento do inesperado parece ser a chave do atrativo que exerce o Big Brother Brasil. A audiência se fixa na vaga esperança de ver um real desvio do esperado, como se, em algum momento, aqueles seres humanos pudessem de fato nos surpreender, dizendo coisas ou agindo de modo verdadeiramente inesperado, interessante, desafiador (orbita.starmedia.com).
Já Valente (2004) acredita que o Big Brother possui características bem mais próximas da telenovela do que de qualquer outro tipo televisivo, prometendo ser a nova dramaturgia do século XXI. De acordo com o autor, a trama do BBB se baseia numa teia de acontecimentos editados, que assegura o interesse do telespectador dia a dia. Quanto aos seus personagens, eles se diferenciam dos já conhecidos porque existem de verdade, garantindo uma maior empatia do público.
Seja por essas ou outras razões,
o fato é que o BBB mais uma vez é recorde de audiência, legitimando-se como um dos expoentes midiáticos de maior intervenção nas conversas entre as pessoas. Dele, muitas vezes, copia-se e inveja-se tudo: o jeito de se vestir, de falar, de curtir a vida... Além disso, parece estar havendo uma inversão da lógica do você precisa ser alguém para estar na TV para o você passa a ser alguém se está na TV (www.contracampo.he.com.br). Bem, essa já é uma conversa para uma próxima oportunidade. De qualquer forma, tanto sucesso para tão pouco é lamentável.
Referências Bibliográficas:
CEPPAS, Filipe. A metafísica ingênua da imagem e os chavões da decadência na crítica ao fenômeno Reality Show. [14 out. 2004]. (http://orbita.starmedia.com/outraspalavras/art10fc.htm-36k).
FERREIRA, G. M. Epistemologia e origens históricas do fenômeno. In: HOHLFELDT, A., MARTINO, L. C., FRANÇA, V. V. (orgs.). Teorias da Comunicação. Petrópolis: Vozes, 2001. As origens recentes: os meios de comunicação pelo viés do paradigma da sociedade de massa, p. 99-116.
VALENTE, E. Reality Shows: a nova dramaturgia do século XXI. [21 set. 2004]. (http://www.contracampo.he.com.br/tv/novadramaturgia.htm).
enviada por Comufv2004
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