Boletim Aviso de Atualiza��o
23/04/2007 12:16 enviada por Comufv2004 15/02/2007 10:54 Saddam Hussein, o ditador enforcado. Saddan Hussein Abd al Majid al Tikriti este é o nome completo de um dos maiores ditadores já visto pela história contemporânea. Enforcado no dia 30 de dezembro de 2006 o tirano abandona sua extensa trajetória política para integrar o rol dos mártires. Ele foi condenado por ter ordenado a execução de 148 iraquianos xiitas, em Dujail, além das acusações de genocídio contra curdos iraquianos, e é claro, por ser considerado cúmplice do terrorismo ante norte-americano. O fato é que sua morte pode ter sido não o fim dos problemas do Iraque e dos Estados Unidos, mas sim o estopim que faltava para eclosão de uma guerra não mais por Petróleo de um lado e pela liberdade de outro, e sim pela vingança. Parte do Iraque evidentemente fez festa com a morte de Saddam. Mas outra parte, composta de iraquianos sunitas, a tribo do ex-ditador, viu na morte por enforcamento o nascimento de um mártir a ser vingado. Os ataques terroristas em protesto a morte do tirano já começaram, se os americanos tiverem sorte, os atentados ficarão restritos ao Iraque, se tiverem azar poderam ser as próximas vítimas. O presidente dos Estados Unidos Jorge W Bush não conseguiu provar a existência sequer de uma única arma de destruição em massa, além de ter ido contra as decisões tomadas pelo Conselho de segurança da ONU que não autorizaram a invasão do Iraque. Seria mais que justo, e esta não é uma posição particular, que Bush também fosse enforcado, bem ao lado de Saddam Hussein, assim eles iriam juntos para o inferno. É importante ainda relembrar-mos da invasão do Afeganistão em 2001, em que o governo americano enviou tropas e ocupou completamente o país, em busca de Osama Bin Laden e de sua milícia Al quaeda. Foi o primeiro fracasso de Bush. A grande potência fez milhares de vítimas civis além da morte de seus próprios soldados. E por falar em soldados mortos, somando os da invasão do Afeganistão e do Iraque já passam de vinte mil. A episódica vida de Saddam Hussein e de seus atos que culminaram com a sentença de morte a ele conferida trazem em si uma discussão acerca das formas de julgamento e de aplicação de penalidades adotadas pela sociedade. É fato que o mundo todo condenou os crimes da ditadura iraquiana, todavia, uma aplicação da pena de morte contra Saddam Hussein não serviria para ressuscitar as suas vítimas. Afinal, mesmo depois do delito, não se deixa de ser pessoa humana dotada de direitos e garantias fundamentais. Mesmo quando se trata de um Saddam Hussein, é inconcebível, que qualquer pessoa seja submetida a um julgamento que não retrate nada mais do que o que ele mesmo fazia contra seus inimigos. O Brasil pode ter muitos problemas, mas pelo menos não temos pena de morte. A morte de Saddam Hussein deveria ser um elemento provocador de uma nova leitura acerca da relação entre os povos, entre as nações. Todos esses conflitos que envolveram as intervenções dos países no Iraque chamam a atenção para a necessidade da formação de uma grande "comunidade internacional", diferenciada é claro da já existente ONU. Apesar de perplexo com atitude dos seres humanos no mundo ainda me sinto um pouco feliz por termos no mínimo um presidente que considera o enforcamento de Saddam um grande erro, que começou pela invasão ilegítima do país. O fato é que, em dois anos Jorge W Bush será apenas mais um retrato na galeria de ex-presidentes norte-americanos, enquanto o fantasma de Saddam sobreviverá uma eternidade. E se conheço bem este homem ele voltará para puxar o pé de Bush. Rodrigo Carvalho Gonçalves enviada por Comufv2004 12/02/2007 10:48 "BBB 7": o sucesso continua Daniel Aroni Rede Globo, mais ou menos 10 da noite. O intervalo anuncia que vai começar mais um capítulo da sétima edição do Big Brother Brasil , o BBB - a novela da vida real. Todos param ansiosos em frente à televisão até que, de repente, surge a figura do apresentador-poeta-engraçadinho Predo Bial, com seu visual despojado e suas perguntas indiscretas aos participantes da casa mais observada de todos os tempos, a casa do Big Brother Brasil. Pronto: o show da vida está no ar e a nós telespectadores resta apenas continuar espiando, espiando e espiando. Mas, qual seria a fórmula do sucesso desse programa? O que pode estar por trás desse comportamento de ligar a televisão para observar os outros? Para Ferreira (2001), é pela falência das instituições que sociabilizam os indivíduos (igreja, família, escola...) que o homem-massa perde seus vínculos com a sociedade, tornando-se alvo fácil para os meios de comunicação que irão preencher, aos seus modos, o vazio deixado por essas instituições inoperantes, além de ditar o comportamento das pessoas. Para tanto, programas ao estilo Big Brother e, conseqüentemente, uma proposta de interatividade foram criados. O indivíduo, por estar carente de relações interpessoais, passa a ver nas quase cenas de sexo entre os participantes do BBB aquilo que ele gostaria que lhe acontecesse, já que lhe parece ser algo possível, por se tratar de pessoas comuns vivenciando coisas aparentemente também comuns. Além disso, a promessa e simultânea negação do surgimento do inesperado parece ser a chave do atrativo que exerce o Big Brother Brasil. A audiência se fixa na vaga esperança de ver um real desvio do esperado, como se, em algum momento, aqueles seres humanos pudessem de fato nos surpreender, dizendo coisas ou agindo de modo verdadeiramente inesperado, interessante, desafiador (orbita.starmedia.com). Já Valente (2004) acredita que o Big Brother possui características bem mais próximas da telenovela do que de qualquer outro tipo televisivo, prometendo ser a nova dramaturgia do século XXI. De acordo com o autor, a trama do BBB se baseia numa teia de acontecimentos editados, que assegura o interesse do telespectador dia a dia. Quanto aos seus personagens, eles se diferenciam dos já conhecidos porque existem de verdade, garantindo uma maior empatia do público. Seja por essas ou outras razões, o fato é que o BBB mais uma vez é recorde de audiência, legitimando-se como um dos expoentes midiáticos de maior intervenção nas conversas entre as pessoas. Dele, muitas vezes, copia-se e inveja-se tudo: o jeito de se vestir, de falar, de curtir a vida... Além disso, parece estar havendo uma inversão da lógica do você precisa ser alguém para estar na TV para o você passa a ser alguém se está na TV (www.contracampo.he.com.br). Bem, essa já é uma conversa para uma próxima oportunidade. De qualquer forma, tanto sucesso para tão pouco é lamentável. Referências Bibliográficas: CEPPAS, Filipe. A metafísica ingênua da imagem e os chavões da decadência na crítica ao fenômeno Reality Show. [14 out. 2004]. (http://orbita.starmedia.com/outraspalavras/art10fc.htm-36k). FERREIRA, G. M. Epistemologia e origens históricas do fenômeno. In: HOHLFELDT, A., MARTINO, L. C., FRANÇA, V. V. (orgs.). Teorias da Comunicação. Petrópolis: Vozes, 2001. As origens recentes: os meios de comunicação pelo viés do paradigma da sociedade de massa, p. 99-116. VALENTE, E. Reality Shows: a nova dramaturgia do século XXI. [21 set. 2004]. (http://www.contracampo.he.com.br/tv/novadramaturgia.htm). enviada por Comufv2004 10/02/2007 11:44 SEM ÍNDIOS Vitor Nascimento Secchin Depois de abordar temas como a Revolução Farroupilha e a construção de Brasília, a TV Globo, agora, começa a desvendar a história do estado do Acre com a nova minissérie que teve início dia 2 de janeiro. Amazônia de Galvez a Chico Mendes, é a mais recente obra da novelista acreana Glória Perez, que sempre sonhou em escrever sobre sua terra natal. O enredo relembra o ápice econômico da região, com a extração do látex da borracha e a conseqüente guerra pela independência com relação à Bolívia. Amazônia é dividida em três fases: fins do século XIX a atual fase décadas de 40 e 80. Ela é conduzida pelos heróis Luis Gálvez (José Wilker), Plácido de Castro (Alexandre Borges) e Chico Mendes (Cássio Gabus Mendes). Os dois últimos darão andamento às outras fases da minissérie. O fio condutor da trama é a saga de duas famílias antagônicas. De um lado, encontra-se o dono do próspero seringal Santa Rita e de uma das maiores fortunas de Manaus do início do século 20, o coronel Firmino Rocha (José de Abreu). Do outro, o nordestino Bastião (Jackson Antunes), que foge da seca com a família, iludido com a possibilidade de fazer fortuna na floresta. Lendas e figuras típicas da região também não ficam de fora e dão um toque popular à história. É o caso da personagem de Regina Casé, a parteira Maria Ninfa, e da lenda do boto. Segundo a crença popular esses animais seduzem as moças ao se transformarem num belo rapaz. Delzuite, personagem de Giovanna Antonelli, recorre à lenda do boto ao se ver grávida de seu amor, Tavinho (Paulo Nigro), que partiu para Manaus. Assim como as minisséries anteriores, "Amazônia" possui uma megaprodução. Uma equipe de 150 profissionais, entre engenheiros, técnicos, cenógrafos, figurinistas, produtores e artistas, viajou em agosto do ano passado para Manaus (AM) e Porto Acre (AC), para uma temporada de 72 dias. O resultado desse trabalho tem um preço: 500 mil reais por capítulo. Hoje, as gravações estão concentradas na cidade cenográfica construída no PROJAC (RJ), mas as expedições para o Norte não terminaram. Em meio a tantas imagens deslumbrantes da floresta Amazônica, com suas ricas fauna e flora, um "detalhe" passa despercebido aos olhos de milhões de telespectadores. Os índios. Cadê os índios? Cadê os mais de 150 mil índios, divididos em quase 50 povos, que moravam no território que o branco passou a chamar de Acre? Mais uma vez a televisão reproduz um tipo de história que se pensava estar esquecida nos velhos baús dos porões úmidos. Uma história feita de heróis... e heróis brancos e economicamente abastados, onde índios, por exemplo, não entram em cena. É difícil acreditar que Glória Perez tenha estudado livros de história e as biografias dos principais envolvidos, além de obras de autores acreanos, para deixar a presença milenar do índio na região se desmanchar ao longo dos capítulos da minissérie. "Amazônia - de Gálvez a Chico Mendes" pretende contar os cem primeiros anos da história do Acre. Apesar da produção muito bem trabalhada, começou mal. E ainda está no começo. Há muita história, ou talvez estória, a ser contada. A criação do movimento ambiental dos seringueiros, que culminou em assassinatos de líderes populares, como Chico Mendes, também será mostrada. Com certeza a visibilidade dada ao personagem não será a mesma dada à figura do índio. Tanto Chico Mendes, quanto o índio, tiveram, e ainda têm, papel importante na defesa da floresta. Porém, índios não recebem prêmios internacionais e nem são destaques em minisséries. QUEM FOI GÁLVEZ DA MINISSÉRIE AMAZÔNIA? Erroneamente apontado como boliviano, Luis Gálvez Rodríguez de Arias nasceu em São Fernando, na região da Andaluzia (Espanha), em 1864, numa tradicional família. Era jornalista e diplomata. Ele estudou ciências jurídicas e tornou-se diplomata na Europa. Seu vasto conhecimento não impediu seu espírito aventureiro de procurar o "Eldorado" na Amazônia. Tornou-se jornalista em Manaus no jornal Comércio do Amazonas, abriu um bordel com uma antiga amante (Lola). Gálvez decide partir para a conquista do Acre ao traduzir um documento da Bolívia. Apoiado financeiramente pelo governo do Amazonas, que esperava anexar a região, rica em seringais, recebeu a missão de tomar o Acre, majoritariamente habitado por brasileiros, da Bolívia. Proclamou a República Independente do Acre em 1899, o qual governou entre 14 de julho de 1899 e 1º de janeiro de 1900 e, depois de um golpe de Estado que durou um mês, governou de 30 de janeiro de 1900 a 15 de março de 1900. O Tratado de Ayacucho, assinado em 1867 entre o Brasil e a Bolívia reconhecia o Acre como possessão boliviana. Por isso, o Brasil despachou uma expedição militar para prender Luis Galvez, destituir a República do Acre e devolver a região aos domínios da Bolívia. No dia 11 de março de 1900, Luis Gálvez rendeu-se à força-tarefa da marinha de guerra do Brasil, na sede do seringal Caquetá. Gálvez morreu em Madri em 1935. QUEM FOI PLÁCIDO DE CASTRO? José Plácido de Castro nasceu em São Gabriel, no Rio Grande do Sul, em 9 de setembro de 1873. Plácido de Castro foi um político e militar brasileiro que participou da Revolução Acreana e governou o estado do Acre. Em 1889 abandonou o cargo de fiscal nas docas do porto de Santos, em São Paulo, para tentar futuro melhor no norte do país. Existia no Acre, desde os tratados de 1750 e 1777 uma questão territorial de limites com a Bolívia. Em 1901, esta arrendou o Acre a uma companhia estrangeira. Conseqüentemente, aumentaram as animosidades entre bolivianos e brasileiros. Plácido de Castro liderou, então, um movimento armado contra a Bolívia e proclamou a independência do estado do Acre. Aos 27 anos de idade, liderou uma forte revolução com mais de 30 mil homens. Ele definiu a fronteira oeste do Brasil como uma decisão na sociedade da época a favor de seu país. Em 1903, pelo Tratado de Petrópolis, a luta foi encerrada. Em 1906, Plácido foi nomeado governador do Acre. Viajou para o Rio de Janeiro, onde lhe ofereceram os galões de coronel da Guarda Nacional, que rejeitou. Quando de seu retorno ao Acre, foi nomeado prefeito. Plácido de Castro, após uma emboscada, foi trucidado, aos 35 anos de idade, ficando esse crime para sempre impune. QUEM FOI CHICO MENDES? Francisco Alves Mendes Filho nasceu em Xapuri, Acre, em 15 de dezembro de 1944. Chico Mendes, como era mais conhecido, foi seringueiro, sindicalista e ativista ambiental brasileiro. Fundou um sindicato de seringueiros para preservar a profissão da extração madeireira indiscriminada e o desmatamento com a expansão dos pastos na Amazônia. Atuou na fundação do Conselho Nacional dos Seringueiros e ajudou a formular a proposta das Reservas Extrativistas para a classe, conseguindo apoio internacional na sua luta. Em 1987 Chico Mendes foi reconhecido internacionalmente com os prêmios "Global 500" da ONU e a "Medalha do meio ambiente" da Better World Society. Foi assassinado em frente de sua casa em 22 de dezembro de 1988, aos 44 anos. Após o seu assassinato, mais de trinta entidades sindicais, religiosas, políticas, de direitos humanos e ambientalistas se juntaram para formar o "Comitê Chico Mendes". Para pressionar os órgãos oficiais, eles exigiram providências através de articulação nacional e internacional, para que o crime fosse apurado e seus culpados punidos. Em 1990, a justiça condenou os fazendeiros Darly e Darcy Alves da Silva pela morte de Chico Mendes. O caso despertou pela primeira vez a atenção internacional para os problemas dos seringueiros. enviada por Comufv2004 10/02/2007 11:13 ENTRETENIMENTO Trocando o controle remoto pelo mouse Welington Gonzaga* A edição 236 da Revista Super Interessante, que está nas bancas durante o mês de fevereiro, traz estampado na capa um assunto polêmico e de grande interesse do seu público leitor: Lost e o fim da TV. Mas o que está no fim? O seriado Lost? Ou a televisão em si? São dois assuntos distintos ou um único assunto? Como é típico da revista, para obter a resposta, tem que se desembolsar uma razoável quantia em dinheiro. Após inúmeras revistas abordarem as novas tendências do vídeo na era da internet, num primeiro momento é o que nos aparenta ser, novamente, essa atual publicação da Super. Mas o que se está discutindo agora é como que um seriado que conquistou público em todas as partes do mundo está desestruturando a tradicional forma de assistir TV. A televisão do século XXI está muito mais interativa e permite ao telespectador tornar-se um co-autor daquilo que está sendo exibido. Parte dessa nova TV está aqui e agora: ironicamente, em um dos maiores sucessos televisivos da história. O festejado Lost tem por trás dele justamente os elementos que vão destruir a televisão como a conhecemos. A internet possibilita a criação de um universo de discussões e abordagens sobre assuntos que nem mesmo as fontes oficiais se preocupam em divulgar. As especulações em torno dos mistérios do seriado geram infinitos fóruns para os fãs da série debaterem o que se passa na tela. Como resultado disso, a quantidade de material existente na rede ultrapassa aquilo que é veiculado no canal de TV. Para quem acompanha o seriado desde o início (atualmente a série está no 7º episódio da 3ª temporada) tudo funciona como um jogo, em que a riqueza de detalhes não cabe somente na TV. Assistir a esse seriado exige um trabalho instigante de pesquisa que quebra com a relação tradicional e passiva de assistir a um programa televisivo. Um exemplo dessa quebra ao modo tradicional de assistir TV ocorreu em 9 de novembro de 2006, quando foi ao ar o 6º episódio da 3ª temporada de Lost (era o úlitmo capítulo antes da série tirar férias de três meses). Numa única frase dita por um personagem surgiu uma tese capaz de explicar alguns dos mistérios da trama. De acordo com a fala do personagem, o líder dos Outros (como são conhecidos aqueles que estavam na ilha antes do desastre aéreo), Benjamin Linus, é subordinado a Jacob Vanderfield, diretor da empresa por trás dos acontecimentos da ilha. Para quem apenas assiste à série de TV, essa foi a primeira vez que ouviu falar de Jacob Vanderfield. Porém, para os fãs que investigam o mundo extratelevisivo de Lost, este já era um sujeito conhecido. Tanto, que antes da emissora ABC divulgar oficialmente, os fãs já tinham descoberto um site criado para a empresa de Jacob Vanderfield. No dia seguinte à exibição do episódio em que é citado o tal sujeito, havia, em todo o planeta, teorias capazes de explicar os acontecimentos da ilha. Nesse processo todo, o que a TV tradicional fez foi transmitir o sinal de Lost para os EUA. O resto ficou nas mãos de pessoas comuns. A internet aponta para uma transformação da TV como a conhecemos desde criança. A interação passou do controle remoto para o mouse do computador. E essa curiosa tendência é muito mais democrática e interessante. *blogdosininho.blig.com.br enviada por Comufv2004 10/02/2007 10:54 Cicarelli, Mídia e YouTube Willian Cavalcanti Grande parte das pessoas que têm acesso frequente à internet deve ter visto, ou quis ver, o famoso vídeo da modelo Daniela Cicarelli. No tal vídeo, ela e o namorado Renato Malzoni aparecem em cenas picantes em uma praia espanhola de Cádiz. Cicarelli, assim como outras beldades, teve carreira meteórica. De modelo razoável, transmutou-se em apresentadora de tv no canal href="http://mtv.terra.com.br" target=_blank>MTV . Mas passou mesmo a ser mundialmente conhecida após relacionar-se com um dos jogadores de futebol mais famosos do mundo, o dentuço Ronaldo. A relação foi desde seu início bastante conturbada, com direito a barraco na cerimonia de casamento até um matrimonio que durou apenas tres meses. Após o término do relacionamento com o Fenômeno, Daniela manteve-se reclusa, segundo ela, para evitar mais confusões. Mas pelo que se viu, ela não conseguiu ficar longe das manchetes de fofoca por muito tempo. Vários jornais e revistas do país, mídia impressa, tv e internet, noticiaram repercusões do vídeo da modelo. A partir de então, o vídeo rapidamente tornou-se um fenômeno (não estamos falando no seu ex-marido) no site href="http://youtube.com" target=_blank>"Youtube" . Contudo, sua veiculaçao foi barrada, já que a política do site não permite que se post vídeos eróticos de qualquer tipo, sendo então retirado do ar. Mas já era tarde. Muitas pessoas que assistiram no YouTube fizeram sua própria cópia e passaram a postar em seus blogs ou sites. A bola de neve foi só crescendo e a modelo se viu no direito de processar o site pela veiculação indesejada de suas intimidades. Seguindo determinação judicial, durante um dia inteiro o YouTube não pôde ser acessado por internautas brasileiros. A notícia correu o mundo, sendo noticiada por vários meios de comunicação internacional. Muitos deles sombando o juiz brasileiro que havia deferido tal ordem. A notícia chegou até a ser uma das mais lidas em sites jornalísticos do exterior, como o do BBC News inglês ou o argentino Clarín e as revistas americanas Forbes e BusinessWeek. A lição que se pode tirar de tudo isso é simples. Daniela, com sua ameaça contra os meios de comunicação que noticiaram o episódio, fez somente manter a notícia atualizada. Já que cada nova ação sua era uma desculpa para trazer novamente o caso à tona. Dada à preferencia massissa dos internautas pelo site, sua ação contra o YouTube foi ridicularizada. Além do mais, o site nem de longe era o culpado pelo que ali fora veiculado. É tecnicamente impossível da sua parte bloquear a todo momento as novas postagens de seus usuários ávidos por compartilhar o vídeo. A culpa, se se pode atribuir culpa a alguém, é antes de mais nada dela mesma. Já são largamente conhecidas as percipécias promovidas por paparazzi, principalmente os internacionais. Se não se pode exterminá-los, que se conviva com eles e se tenha o mínimo de bom senso para não ser pego em maus momentos como os que ocorreram na praia espanhola. Como disse um professor do curso de Comunicação da UFV, o que se veicula na internet jamais se apaga. E, depois de tanta baubúrdia, vê-se que essa é uma afirmação incontestável. Pior pra Cicarelli. enviada por Comufv2004 10/02/2007 03:17 Cérebro eletrônico Priscila Martins Os internautas brasileiros, com acesso domiciliar à rede, ultrapassaram a casa dos 14,5 milhões em 2006, de acordo com o instituto Ibope/NetRatings . O tempo médio de navegação do brasileiro, no último ano, foi de 21 horas e 39 minutos por mês. Tempo maior que o do estadunidense, do japonês e do australiano. Pra fugir um pouquinho dos números passemos à reflexão sobre o universo mágico que é o ciberespaço. Esse espaço não-físico que a cada dia configura mais e mais a nossa realidade. Transações bancárias, e-mails, compras de natal, notícias, informação, diversão. Uma janela para o mundo que se abre ao alcance de alguns cliques. As facilidades que a rede nos proporciona muda também a nossa relação com o tempo. Pode-se economizar o tempo da fila no banco, na loja, a instantaneidade do correio eletrônico deixa pra traz as cartas feitas à mão. E a dinâmica e instantaneidade das relações virtuais são estendidas à nossa rotina e relações sociais. Espaço e tempo redefinidos. Poupamos o tempo e estamos cada vez mais sem ele. Uma nova significação sensorial é delineada com a materialização digital de parte de nossas vidas. A interface com a rede nos permite construir e experimentar o mundo de maneira diferente, produzir uma comunicação mais complexa, montar textos e significados no trajeto difuso de navegação na web. A rede se cristaliza assim, como um espaço público em potencial, capaz de oferecer uma mesma oportunidade de vez e voz aos seus usuários. A web carrega consigo um novo paradigma de percepção do mundo. Em games como o Second Life, o internauta pode se imergir em um universo inteiramente criado por ele, escolher sua profissão, planejar seu lar, sua cidade e dotar seu próprio corpo das habilidades que quiser. Nessa brincadeira, muitos usuários trocam sua vida no mundo sensível, por assim dizer, pelo virtual. Sites de relacionamento como orkut recriam a noção de comunidade, de identidade e de pertencimento a elas. Na medida em que dão voz ao indivíduo, que por sua conta constrói uma representação de si mesmo, forjando o sentimento de unicidade. Para alguns, a internet seria um simulacro, uma vã representação do real. Outros têm na rede apenas mais um nível de realidade, uma representação que, por ser virtual, não necessariamente engendra características ruins. Longe de querer julgar as implicações desse ciberespaço que como disse no começo é mágico só tenho a dizer, como uma usuária domiciliar, que tenho uma sensação estranha ao perceber que o domingo inteiro gasto na frente da tela do pc foi um dia de sol lá fora. E só percebo isso no fim da tarde. enviada por Comufv2004 10/02/2007 00:46 Perspectivas para a América Latina Fabiana Nogueira Chaves Na Folha de São Paulo do dia 21 de janeiro deste ano, o jornal dedicou todo o caderno Folha Mais a criticar a política de Hugo Chávez, e de seus companheiros. O jornal debochou da formação de um bloco socialista na América Latina, e ainda afirmou que Chávez propõe é uma ditadura, que o socialismo dele é sincrético e descrente. Esse é um pequeno exemplo de como a grande mídia vem fazendo terrorismo com a palavra socialismo. É a Folha, a Globo, O Globo, todos. Têm medo de perderem o controle de nós, pobres países pobres. Não serviremos mais nem para sermos explorados? Isso não pode. Menos um dinheirinho para sustentar os Xeiques bárbaros norte-americanos? Hugo Chávez não é um ditador, é apenas mais um indignado como nós. Só que um presidente indignado que tem peito, coragem, não é um Lula. Não faz parte de uma esquerda podre como a brasileira. No Brasil não há esquerda, o próprio Lula se afirmou nem de direita nem de esquerda. O presidente cada dia se mostra mais um desgovernado, sem a menor idéia do que fazer e com a obsessão de virar um Juscelino na história. Falta envergadura para ser um Chávez. Os tempos são outros e Lula está metendo os pés pelas mãos com maior rapidez que no primeiro mandato. Não percebeu que os aplausos a Chávez, onde o venezuelano aparecia, era o estado de espírito e desejo do povo, ao contrário da morna e às vezes hostil recepção que teve em locais públicos. Até agora, o seu desempenho foi desastroso. Corre o risco de tentar o prêmio JK e acabar com o troféu FHC, já que anda falando em vender ações de estatais. Enquanto Lula vende, Hugo Chávez e Evo Morales estatizam, querem nacionalizar o que foi vendido. O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, está nacionalizando e estatizando os setores estratégicos da economia: energia, telefonia e lógico, o já estatizado petróleo. Em que outro país o povo foi às ruas e colocou de volta no poder um presidente deposto por um golpe midiático elaborado pela RCTV( Canal super direitista da Venezuela)? Em que outro lugar o povo tem mobilização para isso? Com certeza nós no Brasil não temos. Precisamos juntar de gente com garra, com fé em alguma coisa, que não fique em cima do muro olhando a banda passar. A perspectiva real e efetiva para a América Latina está em Hugo Chávez. O processo de construção do socialismo bolivariano vai ser alvo de novas tentativas terroristas dos norte-americanos. Vai ser preciso reagir. Do contrário irão transformar a América Latina num novo Oriente Médio, cheia de Iraques, onde possam explorar mais e roubar mais, como fazem naquele país. A Colômbia e o Paraguai são as pontas de lança da organização terrorista Casa Branca. A mídia continuará atacando o socialismo de Chávez, continuará defendendo ferozmente os interesses do capital, e o capital continuará se apossando do discurso de que o capitalismo é democrático e o socialismo é ditador. Tão grande é a democracia de nosso capital, que a pobreza, a fome e falta de abrigo se contrapõe com o luxo de mansões e a riqueza dos donos. Hoje, muita gente participa das escolhas que o capital nos oferece, escolhendo se vai dormir no viaduto ou embaixo da ponte. enviada por Comufv2004 09/02/2007 23:59 Minissérie Amazônia Minissérie Amazônia: Do que ela se alimenta e o que a faz ficar pequena? Aline da Rocha Barbosa Diferente da maioria das novelas, que partem de subtramas interligadas para formar o todo, uma minissérie histórica, como "Amazônia - de Galvez a Chico Mendes", encontra sua razão primeiramente na história epopéica digna de ser contada. Mas, mesmo que esse tipo de minissérie nasça disso, ela precisa se alimentar de outras historiazinhas. Por quê? Essas mini - histórias são como o tempero que tenta trazer a audiência. Cabe dizer que audiência seria, nesse contexto, um conjunto de indivíduos satisfeitos e entusiasmados por ver suas manifestações e gostos sociais reproduzidos, na televisão. Então, a minissérie Amazônia parte de um fio condutor que tem diversas ramificações. Mas, vale lembrar que ela, como qualquer reprodução histórica, é apenas uma verossimilhança, seja no fio ou nas ramificações. Mesmo que o primeiro seja relativamente mais confiável ou próximo da verdade. A TV Globo, a cada início de ano, costuma colocar uma nova minissérie histórica no ar. Foi assim em 2003, quando "A Casa das Sete Mulheres" contou a luta dos sulistas contra o Império, e no início de 2006, com a trajetória de "JK" e seu desejo de construir nossa capital. "Amazônia - de Galvez a Chico Mendes", escrita pela acreana Glória Perez, estreou em dois de janeiro de 2007, terça-feira, e é dividida em três fases: fins do século 19, décadas de 40 e 80 do século 20. A intenção é relembrar o auge econômico da região, com a extração do látex da borracha, a guerra pela independência com relação à Bolívia e a criação do movimento ambiental dos seringueiros, culminando em assassinatos de líderes populares. Entre os personagens da trama estão Galvez (José Wilker), Plácido de Castro (Alexandre Borges), Chico Mendes (Cássio Gabus Mendes), Coronel Firmino (José de Abreu), Bastião (Jackson Antunes), Lola (Vera Fischer) e Maria Alonso (Christiane Torloni). Alguns são indivíduos que marcaram concretamente seus nomes na história e outros fazem parte da imaginação realística da autora. Ou seja, aquela baseada em dados, como o do contraste riqueza/ pobreza, que lhe dão argumentos para defender o conteúdo de determinado personagem, que pode ter sido verdadeiro, naquele contexto. Quem vai duvidar de que existiu a Delzuite (Giovanna Antonelli)? Esqueçam o nome, mas pensem na mensagem dessa personagem: selvagem, bela, infantil, ingênua, desejada por vários seringueiros, que passavam anos sem ver uma mulher. Ela e a sua mini - história se torna possível, nessa conjuntura. Mas, mesmo usando dessa imaginação realística, a minissérie não tem atraído a audiência, pois tem sido vista por menos da metade dos televisores ligados no horário (48%). Qual o problema? Talvez, seja no fio condutor (a história do Acre), distante da curiosidade das pessoas. Mas, acredito que seja a audiência enveredada e fascinada por outros caminhos e temperos: o grotesco, a novidade, a bisbilhotice (BBB) e o drama também atraem. enviada por Comufv2004 09/02/2007 23:56 Um bando peculiar de humanos Vivian Neves Fernandes Os 513 Deputados brasileiros desempenham várias funções bonitas, que dizem ajudar e representar o povo brasileiro: (...) a Câmara dos Deputados, autêntica representante do povo brasileiro, exerce atividades que viabilizam a realização dos anseios da população, mediante discussão e aprovação de propostas referentes às áreas econômicas e sociais, como educação, saúde, transporte, habitação, entre outras, sem descuidar do correto emprego, pelos Poderes da União, dos recursos arrecadados da população com o pagamento de tributos. Assim, a Câmara dos Deputados compõe-se de representantes de todos os Estados e do Distrito Federal, o que resulta em um Parlamento com diversidade de idéias, revelando-se uma Casa legislativa plural, a serviço da sociedade brasileira. http://www2.camara.gov.br/conheca Criam-se vários mitos em torno dos deputados. Dizem que eles adoram pizza, de vários tipos, e nas reuniões onde eles degustam tal iguaria costumam chamar de CPIs. Nestas reuniões festivas há sempre um tema, normalmente denominado de forma estranha, como sangue-suga, ambulância, entre outros muito interessantes. Eles se dividem em duas partes, há os que moram em Brasília, recendo casa, comida, roupa lavada e motorista, mais salário, 13º terceiro e 14º salários, tudo pago pelos trabalhadores do país. São os Deputados Federais. E aqueles que moram nos seus estados, e também recebem muitas coisas legais do povo, que deve adorá-los. Estes últimos podem escolher de que estado querem ser, como Frank Aguiar, cantor nordestino que acordou bem disposto e viu que alguma coisa acontece no seu coração e virou deputado por São Paulo. Estes podemos chamar Deputados Estaduais. Eles possuem famílias grandes, e são muito apegados a elas. Costumeiramente chamam as esposas, filhos e sobrinhos-netos para trabalharem junto com seu parente querido nos seus gabinetes. Gostam de dar presentes para eles também, principalmente os da Suíça e das Ilhas Caimã. Tem o hábito peculiar de aparecer de quatro em quatro anos. Creio que não deve ser devido ao acasalamento. Mas uma migração espontânea para TVs, rádios (inclusive comunitárias), folhetos, inauguração de tubulação de esgoto. Nessa época costumam fazer caminhadas freqüentes por várias cidades, onde podem apertar a mão de desconhecidos na rua, sempre com um sorriso que acabou de passar por um sistema de claramente. Abraçam e beijam crianças nesse período também. As mulheres não são muito notadas, pois são poucas e com menos visibilidade, a não ser quando dançam, como uma deputada catarinense. Uma das poucas mulheres notadas é uma que usava um vestuário peculiar: blusas brancas e calças jeans. Mas creio que esta chamava a atenção não pela roupa, mas pelo jeito em que esbravejava, quer dizer, falava. Bem, creio que este relato sobre esta espécie brasileira não é muito científico. Porém, foi uma tentativa de se compreender os seus hábitos e aparências. Estes ilustres personagens sempre estão no primeiro plano quando se pensa em tomada de decisões, de decidir pra onde a nau brasileira vai aportar ou que mares vai navegar, sem pensar no risco de quem vai naufragar, afinal possuem seus botes salva-vidas. Mas se existem tantos mais marinheiros, porque deixar que estes poucos napoleões decidam o rumo da nau que também é nossa? enviada por Comufv2004 09/02/2007 23:48 A reinvenção do carnaval Natália Cordeiro Tem dias em que somos levados a pensar num assunto e acabamos redescobrindo coisas. Ao escrever sobre o carnaval, expressão imbatível de brasilidade, acabei descobrindo uma realidade que incorpora em nossa consciência de identidade, como traços de um Brasil criado, só para satisfazer nossa vontade de identidade nacional e que tenta transformar o antigo em recente, a tradição em novidade, o desejo em fantasia. O mais curioso ainda é essa feição pelo espetáculo do carnaval brasileiro, em que o visual virou quesito e palavra de ordem geral, além do brilho, penas e nudez. Nossa ópera carnavalizada é tão recente quanto sua inesperada universalização território nacional adentro. Expansão que se processou com a mesma rapidez e naturalidade com que a crescente racionalização da organização do evento e sua imersão na indústria cultural e do turismo lhe acentuaram o caráter de classe e estratificada por raça e cor, ou seja, camarotes cadeiras -arquibancadas. Realidades perversas que resistiram, reprocessadas ao ritmo frenético da transformação industrial. Simultaneamente, ficamos presos e reproduzimos um discurso intelectual sobre o carnaval, uma armadilha romântica. Uma idealização de um festival dionisíaco, causador e integrador da grande sociedade nacional. A fusão das alegrias individuais em alegria geral, a inversão simbólica das hierarquias, a superação das distâncias, a transgressão geral das convenções. O discurso acadêmico dominante tende a ser de exaltação dessa festa total como expressão máxima e revigorante da autenticidade de nossa potente originalidade cultural, que não dispensa na exteriorização desavergonhada de nós mesmos num permanente estado de gozo enquanto dura o carnaval. A telinha se encarrega de mostrar isso em todos os lares, durante três ou quatro dias. Sustenta o sonho teimoso a rondar a bela alma dos brasileiros. A bela alma de muitos intelectuais. Encarrega-se de mostrar os napoleões detidos no esplendor da liberdade até o dia clarear. Esse é o país dos carnavais. enviada por Comufv2004 09/02/2007 23:11 Olha o trem Kamila Bebber Em outubro de 2006, chegou às bancas uma revista um tanto estranha. Era de dimensões bem maiores do que as que vemos diariamente, com nome de um estado brasileiro quase-esquecido e com capas que remetiam a um estilo gráfico meio artesanal. Chamava a atenção, sem dúvida. E isso tudo sem abrir a revista ainda. Ao folheá-la, enfim, susto: não se parecia com nada. Nada se parecia com ela. Piauí. Era (e continua sendo) o nome da revista. A Piauí foi lançada sem grandes alardes. Chegou devagarzinho no mercado editorial, com algumas poucas publicações falando dela. Foi colocada no cantinho das bancas, parecendo até envergonhada de si mesma. Quem tinha ouvido falar dela, afinal? E que nome era esse, por favor? Nada parecia fazer sentido nessa revista, tudo dispersava. Era sólida e se desmanchava no ar. E para enfatizar ainda mais essa idéia, mal a revista foi lançada e já ganhou uma lista respeitável de críticas não exatamente positivas em vários sites, blogs e nas poucas discussões que ela pontuava. Falou-se até que a publicação deveria se chamar Piauí, pois parecia um trenzinho desgovernado, sem rumo e que não dizia nada. Até falou-se bem dela em alguns lugares. Mas ninguém ouviu. Ou se fizeram de surdos. Em um mercado editorial viciado e cansado como é o brasileiro, a Piauí chegou com uma proposta (ou talvez uma não-proposta) diferenciada e quase torta. Mas o espanto inicial não é condenável. É algo que foge ao engessamento que a linguagem jornalística por vezes impõe. Os textos do miolo da revista são de assuntos completamente discrepantes entre si, com temas que vão desde filosofia a devaneio não-institucionalizado. Tiras, poemas e grafismos volta e meia invadem esses textos, apesar de não terem muito a ver com o tema escrito. A linguagem da Piauí não é linear e cada artigo tem um tom próprio. Os textos têm liberdade estilística e acabam sendo extensão dos seus autores, e não uma farsa mal-ensaiada da neutralidade jornalística. Isso é resultado, em parte, do desprendimento que o artigo (como estilo de produção textual) permite. Talvez a Piauí tenha surgido como uma espécie de protesto contra o marasmo editorial de que sofre o Brasil, preso a modelos de publicações presas em si mesmas, encarceradas em um padrão estilístico que não permite a originalidade e padece de falta de sinceridade textual. Talvez a Piauí tenha surgido só pra dar um susto nas revistas que nunca mudam e sempre estão nas bancas. A Piauí já está na quarta edição. Talvez não dure muito. Mas só por ter mostrado que é possível fazer algo que transcenda a mesmice das publicações periódicas notadamente no que se refere ao jornalismo cultural já teve uma vida editorial louvável. Viva o trenzinho desgovernado. enviada por Comufv2004 09/02/2007 23:03 Mamãe oh mamãe natureza... Tchuru ru ru tchu ru ru uá á á á Por Camila Morgado Desenvolvimento sustentável. Aquilo que mais parecia um palavrão, pior do que bater em mãe no Natal, de repente volta às pautas da imprensa brasileira. Tudo isso após a divulgação de um relatório do Painel Intergovernamental para a Mudança Climática (IPCC), no dia 2 de fevereiro, em Paris. Segundo ele, até o fim do século, o nível do mar deve subir cerca de 60 centímetros, as temperaturas na Terra vão variar de 1,1º C a 6,4º C, e tem muito mais além disso. Enfim, a raça humana degradou tanto o meio ambiente que entrou em um caminho, talvez possamos dizer, sem volta. Quando foi realizada a Eco 92 no Rio de Janeiro, a imprensa adotou uma visão ecologista que não passou de puro modismo. Prova disso é que, quinze anos após a Conferência, os resultados da ação humana demonstram-se cada vez mais caóticos. Oras, se o propósito dela era adotar o desenvolvimento sustentável como meta a ser buscada e respeitada por todos os países, alguém aí quer explicar o que foi esse relatório? Infelizmente, talvez, a resposta é muito simples. Durante todos esses anos, a questão ambiental foi relegada a segundo plano. Antes da Eco 92, ela era simplesmente considerada coisa de jornalista bicho-grilo. Depois de sua realização, o que se observou foi um período de sumiço de matérias desse tipo. Aliás, sumiço também é forte demais. Algumas coisas foram divulgadas, mas não passaram de pequenas notas. Ou então, não obtiveram tanta importância como mereciam. O que se deu foi um desaparecimento do tema na grande mídia. Devo, então, concordar quando Bruno Blecher diz, no Observatório da Imprensa., que a mídia tem uma parcela de culpa pela degradação do Planeta. E ele ainda cita algumas questões das quais pouca gente sabe a respeito, como Protocolo de Kyoto e Crédito de carbono, entre outros. Ou seja, a mídia não conseguiu associar a questão econômica em parceria com o meio ambiente adotando uma visão de sustentabilidade. Assim sendo, preferiu deixar a segunda parte de lado. A questão central é que somente agora, na iminência de um desastre, começamos a pensar em mudar. Mania de querer deixar tudo pra última hora! Além disso, não há culpados para os resultados divulgados. Pelo menos não diretamente. Então, a raça humana, com sua pretensão de criar uma natureza humanizada, começa agora a sentir os efeitos de seus atos. É Fantástico falando, Folha, O Globo, Jornal Nacional... Todos! O que o susto não faz... O jornalista Andrew Revkin, do New York Times, fez uma ótima analogia em rela-ção ao espaço de tempo que levamos para pensar e reagir a questões como essas: Com que rapidez a água tem de subir até o seu pescoço para você entrar em pânico (especialmente se, como Leonardo DiCaprio no Titanic, você está algemado ao navio)?. Alguém precisa de cronômetro? enviada por Comufv2004 09/02/2007 22:39 Sempre mais do mesmo Por Luiza Campos Acontece todo ano. Chega o verão e com ele dezenas de notícias explorando o mesmo assunto: as chuvas no sudeste e a seca no nordeste. Outra estranha coincidência é que essas matérias nunca mudam, parecem tiradas de algum arquivo morto. E essa mesmice é geral: ela atinge todos os meios de comunicação. Mas, será que realmente não há nada de novo para ser dito? Os meios midiáticos são iguais até na pretensa originalidade. Todos perceberam, ao mesmo tempo, que contrapor a idéia de seca à de chuva em abundância num mesmo país chama a atenção do leitor-espectador. Mas, se há alguma diversidade regional ela fica só no título. As matérias, em sua grande maioria, retratam a situação dos estados do sudeste, enquanto relegam à situação nordestina cerca de dois ou três parágrafos. Isso teria alguma relação com o fato dos grandes centros econômicos nacionais estarem concentrados, em boa parte, no sudeste? Vai saber... Outra notável semelhança são as falhas de diagramação ou dos redatores e produtores, que sempre resultam num esquecimento de explicar o porquê dessa situação. Não me parece normal que a estiagem nordestina tenha aumentado tanto nas últimas décadas ou os recordes de enchentes ocorridos no sudeste. Também não são dadas ao leitor-espectador soluções ou alternativas para reverter essas circunstâncias. Esses jornalistas todos devem sofrer de amnésia crônica, coitados. Ah, sim! Há honrosas exceções de programas como o Fantástico e o Globo Repórter . Eles sempre trazem uma espécie de manual-prático-de-como-preservar-o-planeta-Terra. Matérias sobre o aquecimento global e desenvolvimento sustentável são freqüentemente exibidas pelos dois. Mas cá entre nós: deve estar havendo redução no quadro de funcionários. Só isso poderia explicar a falta de criatividade e de aprofundamento nas reportagens veiculadas. Espera aí. Afinal de contas, o que o leitor-espectador tem a ver com isso? O que ele poderia fazer para mudar esse quadro? A culpa é só da natureza e das grandes empresas, não? Imagina se o homem, sozinho, seria o responsável por isso tudo. Na verdade, acho que eu deveria parar de falar sozinha. Pura viagem minha... enviada por Comufv2004 09/02/2007 16:01 Oportunismo Musical Por André Monteiro Isso aconteceu com aquela versão de Dyer Maker que o Babado Novo fez... Ela é originalmente do Led Zeppelin , do álbum Houses of the Holy uma banda que atacou em vários estilos, quando o rock ainda era novidade. Neste caso, de Dyer Maker, um reggae. Nojento na versão oportunista do Babado Novo. Talvez, por isso q hoje em dia é difícil de encontrar grandes bandas que você sabe que vão marcar pra sempre. Uma parcela enorme dos singles que emplacam no mercado são músicas que não foram feitas por músicos, mas por empreenderores; as vezes até mesmo sem tocar num instrumento musical. Será que a musica hoje não "aceita" mais pessoas capacitadas? O mercado pede aos músicos para embarcarem na "nova onda"! Por mais q remixem ou regravem musicas do Led Zeppelin, nunca obterão o lugar na história da música que eles alcançaram. Um remix vai ficar um tempo na rádio e depois disso, se você não empreender bem denovo, será esquecido. Quase inexiste música de qualidade e ORIGINAL. Se dá espaço à oportunistas e pessoas sem uma real capacidade de criar coisa boa! Respeito quem faz esse tipo de trabalho, mas não sei a quem eles agradam, porque o fã de Led não ia gostar e os fãs desse estilo "dance" não gostam muito ou não são fã de Led... Observemos a notícia sobre o Lançamento do Álbum da artista Cibelle: The Shine of Dried Electric Leaves . Apesar de ela a notícia - trazer o famigerado termo eletrobossa a artista utiliza o estilo de forma original, com músicas autorais. Por outro lado, estou cansado de ver remixes de samba, de bossa nova, de rock clássico (como Led Zeppelin). Por outro lado existem oportunistas que tocam instrumentos! Sabe aquele som do barzinho? Putz! Que filão caça níquel! Uma gravadora conhecida pelo seu lado underground fazer umTop 100 deste nível é foda! Esse é o site da Trama! Andei estudando um pouco; vi que o mercado fonográfico está muito pouco rentável... Eles não conseguem lucros bons com esses "hits" do momento. Parece q quem consome essas coisas é quem não gosta realmente de música. O cara compra um disco por causa de uma faixa ou duas q ouviu e depois o artista some, e o próximo disco que ele compra é, não necessariamente, da mesma gravadora... É o fã de uma banda quem é potencialmente rentável. Daí precisamos de uma banda feita de músicos tocando pra alguém que goste de música. Eu tenho um material original do Led invejável... E aposto que muitos de vocês também tenham desta ou de qualquer banda que seja uma de suas preferidas! E tudo e qualquer coisa que saia de novidade me interessa. Feliz da gravadora que prensa os discos, feliz de quem tem os direitos autorais dessas obras. Porquê afinal, o q vale um disco "do momento" fora do momento? Porquê o Emerson Nogueira e o tal de Rato não fazem musicas tão boas quanto os dos artistas q eles copiam? Simples, não tem talento pra isso! Mercado Fonográfico: oportunistas e empreendedores tomando o lugar dos músicos, fazendo música pra quem não é fã de música. enviada por Comufv2004 09/02/2007 09:58 O Espetáculo da Modernidade: Reality Show O "Reality Show" é um tipo de programa de televisão apoiado na vida real e que mostra a realidade de forma simulada. Nesses programas, pessoas convivem em um lugar(casa, ilha e etc.) repleto de câmeras que filmam atitudes e comportamento dos participantes. Dependendo da proposta do programa, são oferecidos prêmios milionários para os participantes do "reality show". São exemplos de reality shows: "Big Brother", "Casa dos Artistas", "Survive" e "The Osbournes". Em um dos capítulos do livro "Vernon God Little" de DBC Pierre*, a lógica do reality show é levada ao extremo. O autor narra a vida de um prisioneiro chamado Vernon, que espera no corredor da morte o julgamento de seu último recurso para que consiga a liberdade. Neste capítulo há duas questões interessantes sobre a atualidade: uma é a polêmica sobre pena de morte e os possíveis erros que o poder judiciário possa cometer executando um inocente, e a outra é a questão sobre reality shows. No meio da trama, assistindo a tv, Vernon se depara com uma discussão inusitada sobre a produção de um "reality show" que iria transmitir para canais a cabo e internet a vida e o dia-a-dia de prisioneiros que aguardam no corredor da morte suas execuções. Na realidade, o "reality show", é mais uma forma de manipulação da mídia. Segundo Gui Debord*, "toda a vida das sociedades nas quais reinam as modernas condições de produção se apresenta como uma imensa acumulação de espetáculos. Tudo o que era vivido diretamente tornou-se uma representação(Debord,1967,13). É o que pode-se observar nos "realities shows"; a realidade é representada. Assistimos a uma espetacularização do privado e do cotidiano. Com o advento da "Indústria Cultural", a mídia passa a ter um papel alienante, ou seja produz programas e formas de entretenimento que visam aumentar o consumo, modificar hábitos independente da formação cultural de uma sociedade, educar e informar ultrapassando valores éticos e morais. " A mídia infantiliza. Uma pessoa (criança ou não) é infantil quando não consegue suportar a distância temporal entre seu desejo e a satisfação dele"(Chauí, 1995, 333)*. Saulo Pedrosa da Fonseca Rios Vide * Vernon God little- DBC Pierre *A sociedade do Espetáculo- Gui Debord *Convite à Filosofia- Marilena Chauí enviada por Comufv2004 09/02/2007 08:30 PROGRAMA DE ACELERAÇÃO DO CRESCIMENTO - PAC ECONOMIA Cleverson SantAnna Vinte e dois dias após o início do seu segundo mandato, o presidente Lula lançou o Plano de Aceleração do Crescimento PAC, para destravar a economia e criar condições para que o Brasil cresça 4,5% esse ano e 5% ao ano no resto de seu mandato. Auxiliado por ministros petistas, Lula lançou o PAC em cerimônia de pompa, reunindo 20 governadores, ministros e líderes partidários. A repercussão do lançamento do pacote foi grande nas mídias televisivas, impressas e na internet. O PAC prevê investimentos de R$ 503,9 bilhões até 2010, redução de impostos e controle de gastos. Passado o impacto inicial do lançamento, a badalação e as manifestações de apoio, o pacote começa a ser analisado por governadores, prefeitos, empresários e trabalhadores. Dos R$ 503,9 bilhões anunciados, somente R$67,8 bilhões tem origem definida, pois saem do orçamento da União (cerca de R$16,5 bilhões por ano). O restante viria da iniciativa privada e das estatais. Para se ter uma idéia de quanto esses valores representam, segundo a Folha de São Paulo, o Governo Lula investiu apenas R$39,7 bilhões no primeiro mandato e gastou R$439,3 bilhões com o pagamento de juros do setor público. O jornal Estado de Minas (EM) do dia 23 de janeiro, em sua manchete de capa, manteve o clima de euforia dos telejornais da noite anterior (Jornal Nacional e Jornal da Band), com as palavras PROGRAMA PARA O BRASIL CRESCER. O Estado de Minas dedicou 9 páginas do primeiro caderno ao PAC, só que nas páginas internas concedeu espaço para governadores, empresários, economistas e prefeitos opinarem sobre o pacote. Com ênfase no estado de Minas Gerais, o EM explorou as críticas do Governador Aécio Neves (PSDB) ao PAC, reclamando de não ter sido consultado; da não estadualização das rodovias federais; da não transferência dos recursos da Contribuição sobre Intervenção do Domínio Econômico (Cide) para o estado; da diminuição de arrecadação do estado com a queda de impostos e com a pouca verba destinada a rodovias, portos, aeroportos, hidrovias, ferrovias e metrô. Além disto, Aécio critica a ausência de garantia pelo Governo de que não haverá contingenciamento dos Recursos do Fundo Penitenciário Nacional de Segurança. Quanto à menção no PAC da criação de 700 vagas de estacionamento no aeroporto de Confins, Aécio Neves disse que deve ter sido brincadeira. Por outro lado o Prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel (PT) elogiou o pacote e demonstrou estar satisfeito com a destinação de R$186 milhões para obras no metrô, segundo ele suficientes para concluir a Linha 2 Calafate Barreiro. A Folha de São Paulo do dia 23 de janeiro, tanto no primeiro caderno, quanto no Caderno Dinheiro, expressou uma recepção bem menos otimista ao PAC, enfatizando a desconfiança de economistas, empresários, governadores e políticos tucanos com o pacote. A Folha fez um grande detalhamento do PAC e utilizou opiniões de especialistas, de governistas e de opositores. No geral, quem leu as matérias da Folha não deve ter se empolgado muito com o pacote do governo federal. No mesmo dia 23 de janeiro, nos sites jornalísticos da internet (UOL/Folha Online, Uai/Estado de Minas, InvestNews, Gazeta Mercantil.com.br, Reuters, InfoMoney, Valor Online, Agência Brasil e JB Online), houve uma profusão de matérias sobre o PAC, que foi extensamente explicado, detalhado e analisado em todas as suas facetas. Os sites jornalísticos da Web foram bem mais analíticos, sem tomar posição favorável ou contrária ao pacote, mas dando espaço para opiniões de governistas, oposicionistas, economistas, empresários, governadores e prefeitos. Quem ganha e quem perde com a implementação do PAC? Houve um consenso entre os veículos analisados de que o PAC beneficia a indústria da construção civil, a indústria de eletrônicos (TV digital) e a indústria de computadores. Há também, no pacote, medidas de estímulo ao crédito e ao financiamento, o que poderia aquecer o mercado da construção civil. Apenas a Folha de São Paulo tocou de leve no tema quem perde com o PAC. Mais uma vez o elo fraco da cadeia é chamado a dar a sua cota de sacrifício. Os servidores públicos federais do executivo, os aposentados e os trabalhadores que ganham salário mínimo serão os mais atingidos pelo pacote. Ou seja, de novo é o povo que paga o PACto. enviada por Comufv2004 08/02/2007 14:15 A POSSE E A ELEIÇÃO NO CONGRESSO NACIONAL Qual é o seu papel na história? Por Marihá Garcia Eleições 2007. Os brasileiros devem estar se perguntando: como assim? Não tivemos eleições no ano passado? Ou será que o Lula foi cassado por causa daquele rolo com o tal do mensalão? Não, é isso mesmo que estamos vendo, ouvindo e lendo nos telejornais, rádios e jornais de todo o país: 2007 também é um ano de eleições, mas não para a escolha do novo presidente do Brasil, e sim da Câmara Federal. Será que o voto para presidente da Câmara também é obrigatório? Que dia é a eleição? As dúvidas não param, pelo contrário. Agora, a nova eleição não conta com a preferência de quase 100 milhões de brasileiros e sim de somente 513 eleitores: os deputados federais. O Presidente escolhido será aquele que se pronunciará coletivamente e supervisionará os trabalhos dos deputados. Além disso, ao maior posto da Mesa Diretora da Câmara caberá outra função de extrema relevância para a política brasileira: a responsabilidade de substituir o Presidente da República, de acordo com os termos do artigo 80 da Constituição. E a disputa pela presidência da Câmara foi tão ou mais acirrada que a das eleições do ano passado. Ambas tiveram segundo turno, mas para a escolha do chefe da Câmara houve somente três candidatos que tinham exatamente 510 votos a serem conquistados, já que obviamente, cada um dos aspirantes a cadeira da presidência votou em si mesmo. Além disso, pairava um conflito um tanto quanto interessante no ar: a base governista apresentou dois candidatos, o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) e Aldo Rebelo (PC do B-SP) que tentara a reeleição. Enquanto a oposição foi representada por Gustavo Fruet (PSDB-PR). Aqui não houve pesquisa do Ibope, ou do Data Folha, encomendada por um ou outro veiculo de comunicação. Chinaglia, Aldo e Fruet, cada um correu atrás do seu provável eleitor. Acordos entre os partidos foram pensados, planejados, feitos e às vezes desfeitos. Os votos são calculados segundo as possíveis mudanças de opinião dos deputados. Nesse tipo de eleição é comum aceitar que o eleitor, no caso o deputado, tem e pode exercer o benefício da dúvida ao contrário das pesquisas que são feitas durante as eleições para Presidente da República, em que os números sempre correspondem á fiel opinião do eleitor. E é aí que a política revela explicitamente seu lado mais desprezível: o eterno jogo de interesses. A isso, somam-se as peregrinações a cada gabinete, a caça do apoio incondicional às propostas de governo. Cada voto foi milimetricamente computado pelos candidatos. O mais curioso é que os números que cada um provavelmente teria, chegou a superar o número de deputados existentes na Câmara. E aí começavam as especulações sobre quem poderia ou não trair determinado candidato. Isso mesmo que está escrito: traição. Para se ter uma idéia, Chinaglia, candidato eleito, venceu Aldo Rabelo por 261 a 243 votos. 18 votos que representaram uma diferença apertada, mostrando que algumas desistências de deputados que supostamente apoiavam um ou outro candidato, devido a posição dos partidos, podem sim ter influência significativa. Verdadeiras campanhas publicitárias foram montadas. Com slogan e tudo o mais que cada deputado tinha direito para atrair os votos de seus prezados colegas. Como, por exemplo, a carta de compromisso e o cartaz que Gustavo Fruet distribui nos gabinetes com a seguinte frase: "Esta é a Câmara que o Brasil quer". Porém, a empreitada teve suas exceções: nada de propaganda obrigatória gratuita na mídia, ou de carros de som nas ruas na véspera da eleição. Afinal, os eleitores são outros. E o contato corpo a corpo é o mais recomendável. Para termos uma real visão da importância de uma eleição como esta, o Congresso organizou um debate entre os candidatos, exibido ao vivo pela TV Câmara no dia 29 de Janeiro, três dias antes da eleição. E o mais interessante disso foi a manifestação do exercício da democracia: semelhante ao último debate do segundo turno das eleições presidenciáveis de 2006, a população brasileira pôde interferir diretamente, enviando perguntas aos deputados pela internet e pelo Disque-Câmara (0800 619619). E é nesse ponto que a história fica muito mais complexa do que parece. Quem, na verdade, são os maiores atingidos com a escolha do novo presidente da Câmara? A população em geral, ou os deputados? Você obviamente deve estar pensando: os deputados, claro. Afinal, foram eles que votaram. E de certa forma a resposta tem coerência, já que campanha e promessas foram feitas aos parlamentares. Mas quero que o benefício da dúvida passe despercebido. E o cidadão comum? Não teve vez? Teve. No debate ele teve vez. O espaço estava aberto para opiniões, questionamentos e críticas. Mas quem sabia, de fato, desse detalhe? A TV Câmara não é um canal aberto, como Rede Globo ou SBT. Seu sinal é distribuído na rede de tv por assinatura, e também pode ser captado por antena parabólica. A inclusão digital ainda não alcançou todos os quatro cantos do país. E para agravar ainda mais a situação, o brasileiro não possui uma formação política. Por isso fica explícito que poucos são aqueles que dominam, conhecem ou, pelo menos, se interessaram por esse tipo de acontecimento. A política do Brasil nem sempre é acompanhada, pensada, e, consequentemente, bem quista. Também é fato que a mídia contribuiu, e muito, para que o assunto fosse colocado na pauta de muitas discussões de uma maneira um tanto quanto superficial. Já que não se viu um resgate da história das eleições na Câmara Federal, o que mostra uma falta de comprometimento com a população, que em sua maioria, não está atenta para a responsabilidade que os deputados tinham e continuam a ter diante da sua escolha, mesmo após a eleição. É fato que o tema foi amplamente difundido das mais diversas maneiras. As formas de se discutir a eleição não deixaram a desejar: podemos acompanhar o desenrolar dos acontecimentos tanto através do jornal impresso, nosso mais antigo companheiro, como através de sites e blogs,que muitas vezes conseguem ser mais eficazes e velozes no divulgação da informação do que a tv. Por isso não devemos retirar o mérito da imprensa brasileira, que cumpriu o seu papel. A eleição aconteceu. E foi um sucesso. Afinal, entre mortos e feridos, salvaram-se todos. Chinaglia terá pela frente um mandato de 2 anos, Aldo Rebelo continuará na base governista, mas já anuncia apoio a Ciro Gomes em 2010, a Fruet restará mesmo a oposição. Recomeçam as especulações, a politicagem. Recomeçou o jogo de interesses, a busca pelo apoio nas bancadas, a troca de favores, a cobrança dos juros e correção monetária. Será que também, dessa vez, a opinião do brasileiro será requisitada? Será que o país tomou e tomará conhecimento do que acontecerá em Brasília? Sugestões ou críticas ligue 0800 619619. Teremos o prazer em ouvi-lo. enviada por Comufv2004 08/02/2007 12:44 O Cinema Nacional e o Mundo Virtual Por Rafael Munduruca O Cinema Nacional esta espalhado de norte a sul. Os festivais de cinema, não só, popularizaram as produções, como também, estimularam novas criações. Um dos festivais brasileiros mais conhecidos no exterior e nem tanto no país, é o Amazonas Film Festival , que acontece em Manaus, patrocinado pela Coca-Cola e que organiza oficinas de realização em audiovisual, oferecendo a jovens locais a oportunidade da experimentação do cinema em produções de um minuto, nas quais, os aprendizes passam por todos os processos, do roteiro a finalização. As novas tecnologias, o barateamento de equipamentos (ainda é caro, mas antes era dez vezes mais), a oportunidade de contato com as técnicas e boas idéias no papel permitem que os festivais de cinema contem cada vez mais com uma amostragem de produções de todo o país. Foi o caso do Olhares, que aconteceu em fevereiro de 2006 em Viçosa - MG, e que teve produções de 14 estados, das cinco regiões do país. Mas o ponto mais importante nesta discussão é um grande problema que esses jovens produtores (jovens no sentido de iniciantes, pois essas produções são realizadas por pessoas das mais variadas idades) e os produtores adultos enfrentam - a distribuição. O Brasil possui um mercado cinematográfico de distribuição muito bem estruturado, no entanto este é fechado e quase exclusivo para produções norte-americanas ou da Globo Filmes. Nem sempre foi assim, isso aconteceu após Collor ter feito alguns estragos no cenário político nacional, entre eles, a canetada que decretou o fim da Embrafilmes, empresa estatal de distribuição de filmes brasileiros. No entanto, o avanço da tecnologia e a evolução da própria internet permitiram que uma nova janela de exibição abri-se espaço para divulgação e veiculação de curtas, médias e longas-metragem nacionais. Sites como o YouTube e o GoogleVideo abrem este espaço, gratuitamente, para hospedar e exibir vídeos. O YouTube , tem milhares de vídeos carregados e com conta acesso de mais de 100 milhões de vídeos todos os dias. E uma grande conquista para os produtores e diretores do cinema nacional é o fato de o site estar estudando uma forma de repartir suas receitas publicitárias com os internautas que postam vídeos e que possuem muitos acessos. Uma pequena mostra dessa revolução do mundo virtual influenciando o cinema nacional é o filme Cafuné . É possível baixar o filme pela rede e não só assisti-lo, mas também, remontá-lo, tornando a montagem e apreciação do filme uma experiência única e exclusiva para cada internauta/espectador. Esse processo de distribuição virtual é uma via de mão dupla, oferecendo oportunidade para os produtores de difundirem seus vídeos, bem como dos consumidores transformarem-se também em produtores. Quem sai ganhando com isso é o público, que apesar de um número de produções cada vez mais toscas passarem a existir, o cinema exigirá uma profissionalização cada vez maior. E é melhor o cinema brasileiro ter 100 filmes por mês, sendo dez muito legais, do que ter cinco que não mereciam nem ter sido rodados. Apesar de a internet ainda não estar ao alcance de todos, essa janela de exibição para o cinema nacional é uma verdadeira democratização da comunicação. Curta! Ficção Em Meio a Multidão - Produzido no Um Amazonas Amazon Film Festival Animação ZOO Documentário Liberdade Essa Palavra Parte 1 Documentário Liberdade Essa Palavra Parte 2 enviada por Comufv2004 08/02/2007 10:38 Nas locadoras, a história da guerreira Zuzu Angel Randy Razuq Ferreira Depois de ser visto por mais de 600 mil pessoas nos cinemas e de fazer sucesso entre a crítica especializada, começa a chegar às locadoras de todo o país o filme Zuzu Angel. Dirigido pelo competente Sérgio Rezende, que também participou do roteiro, o filme é uma boa opção para os cinéfilos que sentiam a falta do tema ditadura militar nas telonas. Baseada em fatos reais, a superprodução conta a história de Zuleika Angel Jones, a Zuzu, modista brasileira que se transformou em uma estilista conhecida internacionalmente nos anos 60. Seria a história de uma mulher comum, se ela não tivesse sido uma das personalidades que mais incomodaram a ditadura. Interpretada com louvor pela belíssima Patrícia Pillar, Zuzu era até certa fase de sua vida alheia à situação política do Brasil. Bem diferente foi seu filho Stuart (Daniel de Oliveira), que ainda jovem ingressou na luta clandestina contra o regime. Com o desaparecimento de Tuti, como era carinhosamente chamado pela mãe, Zuzu o procura desesperadamente, até receber uma carta que denunciava a morte de seu filho nos porões da ditadura. É quando passa a buscar pelo corpo, que nunca foi entregue à família. O amor de mãe fala mais alto que as diferenças ideológicas, e Zuzu dá início a uma série de ações em protesto pelo assassinato de Stuart. No filme, é mostrado o momento em que a protagonista recorre até ao então secretário de Estado norte-americano, Henry Kissinger. A sede por justiça repercute na moda de Zuzu. Ela, que antes fazia vestidos para esposas de militares, transforma seu trabalho em instrumento de contestação. Novos tons e estampas denunciam a revolta diante da falta de liberdade política no Brasil. Desta forma, a personagem confirmou na prática o que certa vez disse em entrevista a uma jornalista americana: moda é comunicação. Outro mérito do filme são as cenas de tortura, comoventes e realistas ao retratar a arrogância e os abusos dos militares. Emocionante é o desfecho da história, com a cena do acidente de carro, provocado, que matou Zuzu em 1976, na saída de um túnel no Rio de Janeiro que hoje leva o seu nome. Emoção ainda na trilha sonora de Cristóvão Bastos. O destaque é a música Angélica, composta por Chico Buarque em homenagem à estilista morta. Grande amiga do cantor, foi com ele que Zuzu antes de morrer deixou uma carta dizendo que, se algo lhe acontecesse, seria obra dos mesmos assassinos de seu filho. Mais que tensa e dramática, a história de mãe e filho que pagaram com a vida o preço da liberdade se mostra, sobretudo, oportuna. Relatos desta natureza motivam a sociedade a dar valor às instituições democráticas, sem as quais o cidadão não pode fazer o que há de mais essencial: agir segundo a própria vontade. O povo precisa substituir a descrença total com a política brasileira pela lição de que a realidade de agora poderia ser bem pior. Trabalho interdisciplinar de Redação em Jornalismo III e Preparação e Revisão de Originais (Multimídia) enviada por Comufv2004 07/02/2007 22:15 Trabalho interdisciplinar de COM 341 e COM 381 Confusão de valores: a espetacularização da fé Por Carla Mendes O Papa é pop, o Papa é pop e o pop não poupa ninguém. Este é um trecho de um Hit dos anos 80, que fez sucesso na voz dos Engenheiros do Havaí. Passados mais de 20 anos, nada é mais atual do que o refrão, no que diz respeito à tão esperada visita do Papa Bento XVI ao Brasil. O pontífice ficará no país de 09 a 13 de maio para inaugurar a V Conferência Geral dos Bispos da América Latina e Caribe, que acontecerá de 13 a 31 de maio, na cidade de Aparecida do Norte, interior de São Paulo. A basílica, que recebe oito milhões de pessoas por ano, em apenas três dias deverá receber cerca de um milhão de romeiros. É certo que o fato de o Brasil ser o primeiro país fora da Europa a receber a visita de Joseph Ratzinger, desde que assumiu o pontificado, seja um privilégio para a população católica, principalmente, mas nada justifica a espetacularização e desembolso de cerca de US$ 1,2 milhão, como tem sido divulgado pela mídia. Como quem vai receber um astro de Hollywood, a Igreja Católica prepara uma megaprodução que, segundo o arcebispo Dom Raymundo Damasceno Assis, terá repercussão mundial: "as equipes de comunicação da V Conferência e da visita do Santo Padre estão trabalhando intensamente para criar uma infra-estrutura que permita transmitir a viagem do Papa e também os trabalhos da V Conferência não só para a América Latina, mas para o mundo todo". Há quem diga até mesmo que algumas pessoas estão pensando em vender ingressos para a visita, como se estivessem promovendo um show de circo. A fé sendo comercializada mostra que a ganância pelo dinheiro faz muitos perderem a noção do verdadeiro significado de uma visita como esta: o Papa é (pelo menos pelo que prega o catolicismo), o representante divino na Terra, um exemplo de fé católica, evangelização e caridade, e não um astro da Broadway. Até a Igreja se insere no mundo tecnológico - A visita de Bento XVI já tem, inclusive, um site oficial, inaugurado quinta-feira, dia 1º de fevereiro. O grande evento será custeado pelas igrejas, que também receberão ajuda de outros patrocinadores como, por exemplo, a Fundação das indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que forneceu recursos para reformar o Seminário Bom Jesus, local que irá hospedar o papa. Falando nisto, todos os 38 monges que vivem no andar em que Bento XVI e sua comitiva ficarão hospedados serão transferidos para um outro andar do Mosteiro. Será que algum de seus companheiros lhe faria mal? Eu acho que não... É curioso imaginar que representantes de uma religião que sempre deu valor às coisas simples, nunca exaltou a riqueza e a ostentação, estejam sendo coniventes com alguns números: R$ 900 mil (levantados através de doações de fiéis) para a construção do palco onde o Papa realizará a missa; mais de R$ 500 mil para hospedagem de 300 religiosos vindos de 22 países para Aparecida; quase R$ 900 mil destinados aos sistemas de comunicação para a realização da cobertura do evento, dentre outros gastos exorbitantes que, se somados, ajudariam a minimizar muitos problemas sociais, como a fome e necessidades básicas de muitos brasileiros. Não quero dizer que a visita é pouco importante, mas o que incomoda são os exageros. Segundo o representante do Vaticano, frei Hanz Stapel, os gastos não param, por aí: "Ainda não sabemos quanto vamos gastar. A cada dia, a conta aumenta. Estamos construindo uma casa para os bispos, um palco e uma nova igreja". Além disso, serão instalados telões digitais e cabines de tradução (inglês, alemão, russo, italiano e tagalo, o idioma das Filipinas). Estão cogitando até mesmo a instalação de torres de telefonia celular no local, mediante acordo com empresas do ramo. Lá vêm mais despesas... Os meios de comunicação terão atenção mais que especial. Os organizadores afirmam que será fundamental investir na divulgação através do rádio, TV e Internet para levar a mensagem do Evangelho, a mensagem do Santo Padre e também os trabalhos e os resultados da V Conferência. Vou incluir, por minha conta, a divulgação da infra-estrutura e das empresas patrocinadoras. E as pessoas anônimas que doam suas vidas em prol dos mais necessitados, muitas vezes não tendo dinheiro para sustentarem com conforto nem a si mesmas? Estas dificilmente terão, um dia, a atenção das câmeras. Finalmente, fica uma reflexão...Será que a banalização de tudo, tão na moda ultimamente, atingiu até mesmo o campo sacro? Vendo todos os dias milhares de pessoas passando fome e frio pelo mundo, vale a pena gastar milhões em estrutura para apenas um dia? Será que fazendo isso estão agradando a seu Deus? Sinceramente acho que tanto luxo e ostentação não faziam parte dos planos do criador... enviada por Comufv2004 07/02/2007 09:28 A repercussão do PAC na mídia Por Natália Batista Borges Há pouco mais de uma semana muito se escuta falar sobre o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A imprensa, de um modo geral, destina espaços exorbitantes com intuito de abordar este tão polêmico assunto. Entrevistas que ocupam uma página inteira do jornal, visões de partidos diferentes e um festival de críticas desenfreadas e muitas sem anexo algum. Observando minuciosamente as matérias publicadas no jornal O Estado de São Paulo, fica evidente a total parcialidade do jornal ao retratar tal acontecimento. Vocabulário, espaço destinado à matéria, foto, legenda, tudo se interage de maneira a induzir o leitor. Este, sem malícia alguma acaba formando sua opinião baseado em um jornal que não preza pela imparcialidade. Muito se prega a bendita imparcialidade, falar é fácil, mas na prática não se vê textos isentos de ideologias, o difícil acaba sendo cumprir tal teoria. Logo na primeira página do caderno Economia vê-se uma matéria estampada sobre o fato, Um dia depois do Copom, Mantega recua e defende a autonomia do BC. A princípio, não há nada o que questionar. Mas ao prosseguir a leitura fica nítida a posição do jornal perante o acontecido. As palavras escolhidas para tratar o tema acabam por ridicularizar o atual governo. Além disso, torna o fato como sendo um espetáculo e não como algo de extrema importância para a população. Se não bastasse, a legenda da foto passa uma certa incredibilidade do governo, na qual o presidente tenta manipular as opiniões de Mantega e Meirelles. Outra questão que comprova essa falta de isenção é que o Estado de São Paulo prioriza a matéria da oposição, ao publicar em sua primeira página a versão do Serra, contrária ao programa. Em nenhum momento fora citada a versão do presidente. Que jornal é esse que não houve o outro lado da história? Críticas e mais críticas foram publicadas pelo jornal, mas em nenhum momento fora apontada as soluções para os possíveis erros do programa. É notório o jogo de interesses existente e, a manipulação das informações acaba beneficiando alguns. O jornal escreve aquilo que lhe convêm e não o que de fato representa a expressão da verdade. O jornalismo ético, imparcial e digno que os manuais de redação tanto prezam, não existe mais e se existe são poucos. É um absurdo, mas a política do jornal prevalece sobre a honestidade dos jornalistas. enviada por Comufv2004 07/02/2007 08:39 Rio de Janeiro: O problema é mais embaixo Por Dayana dos Santos Silva Um dos fatos mais perversos e revoltantes dos últimos escândalos envolvendo a realidade brasileira diz respeito ao que vem ocorrendo no Rio de Janeiro, que teve seu ápice no início do ano. São cidadãos inocentes pagando com a própria vida o preço de um Estado relapso e uma justiça desorganizada. E é exatamente dessa brecha de que o dito Estado paralelo necessita para se validar. O que gera um estado ainda mais perplexo é a maneira como os principais meios de comunicação do país (leia-se, principal não significa bom nem informativo) têm divulgado o fato. Isso pôde ser evidenciado numa publicação especial da Revista Veja, do dia 10 de Janeiro de 2007. Com matérias especiais ligadas a verdadeiros extermínios humanos, a revista se propôs a encontrar soluções para o problema: Nas próximas quarenta páginas, VEJA faz uma contribuição a esse bom combate, não só revelando entranhas e contornos do mundo da bandidagem, como propondo soluções para extirpar as raízes desse mal. E assim o faz com o seguinte subtítulo existente nos finais de todas as matérias: Como resolver o problema Primeiro: as soluções teóricas são facílimas de serem apontadas, além disso, as possibilidades de prática se encontram totalmente distanciadas do que sabemos estar por trás da Revista Veja e de suas verdades ideológicas, que certamente estão aquém de qualquer tentativa de interferência na realidade social. Segundo: detectar que uma das grandes falhas do Estado está na deficiência de presídios, e oferecer dados numéricos sobre a superlotação das cadeias, é pensar muito superficialmente sobre o assunto, qualquer um sabe disso. Analisar o problema a partir de suas conseqüências é alienar-se da realidade dos fatos. Já que o Jornalismo se diz instrumento de causas sociais, caberia à Revista ir diretamente nas raízes do problema. Não é necessário ocupar-se de metade da revista para desenvolver esse raciocínio. Apenas uma matéria seria suficiente para apontar que um país que não investe em educação, saúde, emprego, enfim, no mínimo de dignidade de seus cidadãos, assiste a espetáculos como os atentados como o do Rio de Janeiro, a atuação do PCC em São Paulo, e a tantas mazelas que presenciamos rotineiramente. Construir presídios, definitivamente, não resolve o problema. enviada por Comufv2004 07/02/2007 00:01 O imediatismo da mídia esportiva nos resultados da seleção brasileira de futebol Por Ulisses Vasconcellos É comum no jornalismo esportivo brasileiro a intenção de tocar fundo na paixão do torcedor. O futebol se tornou incomparavelmente o esporte de maior preferência nacional, e isso é explorado a ponto de determinados jornalistas ou programas esportivos serem repugnados por torcedores de algumas agremiações. Entretanto, nada mexe mais com o brasileiro, nada une mais o país e nada dá mais audiência, em termos esportivos, do que a seleção brasileira de futebol. Nos últimos oito meses, o Brasil esteve presente em duas competições internacionais deste esporte. A Copa do Mundo e o Campeonato Sul-Americano sub-20. A primeira é o topo das competições. Já o Sul-Americano, decidido domingo 28 de janeiro de 2007, é uma competição regional, sem tanta repercussão internacional, mas que pela primeira vez na história conferiria ao vencedor o direito de disputar o Mundial sub-20 e as Olimpíadas de 2008, em Pequim. A seleção brasileira foi eliminada nas quartas-de-final de Copa do Mundo. Os meninos do sub-20 foram campeões. Entre os dois torneios há um abismo de importância, é fato, porém, a mídia esportiva explorou cada resultado da maneira considerada mais impactante. Quando os astros da seleção principal perderam para a França, deixaram de ser os melhores do mundo, o Quadrado Mágico. A certeza do hexa-campeonato do mundo se converteu em um sentimento de frustração, e craques como Ronaldinho Gaúcho, viraram sinônimos de irresponsabilidade e culpa. E tudo isso pela derrota para uma equipe que mais tarde foi vice-campeã do torneio. Antes dessa partida, eram quatro jogos, e quatro vitórias. Depois desse jogo, a vida profissional de muitos dos atletas que estavam em campo sofreu transformações significativas. Parte deles anunciou que não mais vestiria a camisa amarela. Outros são vistos com desconfiança. E a imprensa contribuiu muito para isso. A mídia pode formar conceitos, e se tratando de um assunto no qual o receptor das informações tanto se envolve afetivamente (para o lado bom e o ruim) o caso se torna mais sério. Já o torneio terminado recentemente, o caminho foi um pouco inverso. Enquanto na Copa todos acompanhavam e o resultado não agradou, no Sul-Americano o Brasil foi campeão sem muito estardalhaço. No final da competição é que ela ganhou mais força nos noticiários à medida que os adversários ficavam para trás. Enquanto na Copa a seleção havia vencido todas as partidas anteriores à da eliminação, os jovens brasileiros carregavam três empates. A vaga para os Jogos Olímpicos de 2008 está assegurada. E agora começa em cima dos atletas campeões sul-americanos o tradicional favoritismo e a pressão para que consigam a tão esperada medalha de ouro olímpica. Do time mau-caráter, mercenário e sem vontade da Alemanha aos jovens de ouro que vão para Pequim, é no imediatismo que se pauta grande parte da imprensa de esportes no país. E se dentro do futebol nacional, um mínimo de imparcialidade é sempre de bom tom, no que se refere à seleção, é explícita a intenção de atingir o emocional do torcedor. Amor ou ódio. Euforia ou frustração. Idolatria ou até aversão. Audiência! Brasil - Campeão Sul-Americano Sub-20 2007 Texto na íntegra em http://issoqueeufalei.blig.ig.com.br/. enviada por Comufv2004 06/02/2007 23:24 James Brown: morto e ressuscitado Por Renan Capodeferro Morre aos 73 anos, James Brown, o pai do soul. O cantor norte americano teve complicações com uma pneumonia e havia sido internado em um hospital em Atlanta. No dia 25 de dezembro de 2006, o mundo perdia uma grande mente criadora, que influenciou várias gerações e movimentos musicais. Esse foi o trato dado pela imprensa em sua grande parte á esta notícia. A maioria dos veículos de comunicação trouxe essa informação da mesma maneira, com um lead direto do acontecimento, porém, lembrando o leitor sobre quem foi James Brown. Ou ressucitando-o. Logo após o bafafá inicial, os veículos se encarregaram de trazer uma biografia ou histórico mais detalhado sobre obra e vida do cantor. Alguns se prenderam apenas a pequenas notas, como é o caso do portal Whiplash, que pecou pela aparente displicência ao tratar tal personalidade do mundo da música. Já no Uol Música, houve uma espécie de homenagem ao Funk Soul Brother com uma série de matérias que extrapolaram as biografias que estavam prontas na gaveta, recriando de uma forma mais clara a imagem de James Brown. A Folha On Line, cedeu um espaço honesto ao fato. Não mostrou a indiferança do Whiplash e também não floreou demais. O rei do swing, de fato, teve sua importância no cenário da música mundial, estabelecendo parâmetros para diversas manifestações posteriores como o rap e o funk. Até mesmo a música disco tirou lições de como sobrepor o baixo e a bateria na música, a fim de criar aquele groove cheio de balanço. A figura extremamente carismática de Brown também teve importante papel político na disseminação da cultura negra quando dizia Im black and Im proud. A maneira de se apresentar, o modo como revolucionou a visão musical e suas posturas perante a sociedade, criaram a imagem de uma personalidade que efetivamente exerceu influência, ao menos indireta, em diversas gerações. O fato é que, por mais que ainda estivesse realizando shows, a produção de James Brown já havia se esgotado há muito. O que ele tinha que fazer já foi feito na década de 70. É o que acontece com muitos dos gênios da história, há um limite para a capacidade inventiva. E o que se sucedeu foi uma tentativa, natural no trato com esse tipo de acontecimento pela mídia em geral, de criar um mito. Porém, dessa vez, a coisa aconteceu de forma saudável, pois não apagaram os problemas que James teve com drogas e nem as mulheres em quem ele bateu. Não fizeram com ele virasse um Deus, como Ayrton Senna ou os Mamonas Assasssinas. O que se conclui do modo como a mídia tratou o fato é que o Senhor Dinamite morreu para ser ressuscitado como um mito humano, que será sempre lembrado pelo legado que deixou. Uol Música Folha On Line Whiplash enviada por Comufv2004 06/02/2007 22:21 Ronaldo, a volta por cima? Diferentes interpretações da mídia sobre a transferência do Fenômeno para o futebol Italiano Por Matheus Espíndola Terminou, após várias semanas de especulações, a novela da transferência de Ronaldo do Real Madrid para o Milan. Aos 30 anos, o jogador vai defender as cores do sétimo clube de sua carreira meteórica, que começou como profissional em 1993. Antes de chegar ao rubro-negro de Milão, Ronaldo passou pelo São Cristóvão e pelo Cruzeiro, no Brasil, e pelo PSV Eindhoven, Barcelona, Internazionale e Real Madrid, na Europa. Mesmo sendo vítima de várias lesões, faturou, em três oportunidades, o prêmio de melhor jogador do mundo pela FIFA. Desde o início do mês de janeiro, Ronaldo vinha sendo afastado pelo recém-contratado treinador Fabio Capello. Sua última temporada na Espanha foi bastante apagada e, além disso, foi um dos responsabilizados pelo fiasco brasileiro na Copa da Alemanha. O Fenômeno, como ficou conhecido desde quando defendia a Internazionale, desligou-se do clube espanhol pela relativa bagatela de 9,7 milhões de dólares. Em 2002, o centroavante havia sido comprado pelo Real por 50 milhões, o que representa uma desvalorização de mais de 80% do seu passe. A mídia interpretou o acontecimento de diferentes maneiras. Alguns sites, como o globoesporte.com, abordaram com entusiasmo a transferência do Fenômeno. Esta seria a grande oportunidade para que ele recobrasse o brilhantismo de outros tempos. Uma de suas manchetes é: Espanhóis acreditam na volta por cima de Ronaldo. A matéria trata de uma enquete realizada por um jornal espanhol, na qual 55% dos votantes manifestaram esperança no retorno do craque. Além desta, o globoesporte.com também foi otimista na divulgação das boas vindas de seus novos companheiros a Ronaldo e do sucesso de vendas de camisas com seu nome. No site do jornalista Milton Neves, nenhuma euforia no anúncio: Sem glamour, Ronaldo chega ao Milan. A cobertura do primeiro treino de Ronaldo na volta à Itália também teve diferentes abordagens. O site mineiro superesportes evidenciou o baixo número de torcedores e também a opinião dividida da torcida e da imprensa italiana. Ainda mais incisiva, a manchete no terraesportes é: Nenhum torcedor recebe Ronaldo no CT do Milan. Enquanto isso, o gazetaesportiva.net anunciou com os seguintes dizeres a apresentação do atacante: Ronaldo treina com elenco do Milan e recebe elogios. Mas também pôde ser observada a imparcialidade na interpretação feita pelo site do estadão. A notícia, divulgada em 31 de janeiro, não desvaloriza o tema, tampouco manifesta entusiasmo exacerbado. Ela cita porém, não na manchete a inesperada ausência de torcedores para prestigiar o ídolo. Por outro lado, menciona o otimismo de Ronaldo, inclusive, quanto à sua volta à seleção. Um mesmo fato visto por diversas angulações é uma das características marcantes da grande mídia. Logo na abertura do site oficial do Milan, o nome de Ronaldo aparece estampado em letras garrafais. Mas, como foi observado, o atacante está longe de ser unanimidade e muitos alimentam sérias dúvidas quanto ao seu valor. Acontece que inúmeros fatores e interesses são considerados para ditar a maneira pela qual será divulgada a notícia. Chega-se a cogitar até que a própria contratação do jogador, um dos mais badalados dos últimos anos, tenha sido baseada numa estratégia de marketing por parte do clube italiano. Antes mesmo que Ronaldo tivesse sido apresentado à claque do Milan, haviam sido vendidas milhares de camisas com seu nome e o número 99, que ele passará a usar. Dessa forma, cada meio veicula a informação da maneira que lhe convier. Mais do que vai representar a opinião do profissional do jornalismo, a notícia que veiculará será a que mais vende, e a que atende aos interesses da empresa e ao dos anunciantes. enviada por Comufv2004 06/02/2007 21:39 Schumacher em pânico Por Marcos Oliveira O programa Pânico na TV é exibido todos os domingos às 20:00 h e reprisado às 23:00 h de sexta feira na rede tv. O semanal humorístico não se enquadra no gênero jornalístico, mas como crítico sagaz da mídia, além de desmistificar ícones, pôr em terra lugares comuns, clichês, além de satirizar o jornalismo tal como é produzido e a ética profissional, muitas vezes hipócrita. Com matérias classificadas muitas vezes como toscas, o Pânico na TV conquistou o público sem deixar de tratar os assuntos polêmicos e de repercussão nacional. O programa do dia 22/10/2006 apresentou a matéria feita pelos humoristas Ceará, vulgo Silvio Santos e Rodrigo Scarpa, mais conhecido como Repórter Vesgo, sobre o grande prêmio do Brasil de Fórmula 1 em São Paulo. Os fictícios jornalistas participaram da entrevista coletiva, promovida no autódromo de Interlagos, com, o até então piloto da Ferrari, Michael Schumacher. Além de falar da corrida, o alemão trataria com a imprensa a respeito de sua despedida das pistas que aconteceria em território brasileiro. A esses temas somava-se a disputa do título mundial de fórmula 1 entre Schumacher e o espanhol Fernando Alonso. O contexto era não só de repercussão nacional como também mundial. A imprensa de vários países do mundo falava do alemão. Mas uma pergunta ganhou destaque: Schumacher, se você acordasse num grande prêmio importante, olhasse para o espelho e visse o Rubens Barrichelo o que você faria? Esta pergunta, somada à resposta irônica do piloto alemão foi um golpe ao mito nacionalista criado pela imprensa acerca do brasileiro Rubinho Barrichelo após a morte de Airton Senna. Silvio e Vesgo vão no caminho oposto da imprensa brasileira e aproximam-se da opinião popular ou, ao menos, representam uma forma de pensar ignorada pelos meios de comunicação. Na matéria do programa da rede tv há imagens da cabeça de Willian Bonner apresentando o jornal nacional. Isso, pelo fato da reportagem com Schumacher exibida no televisivo global trazer a pergunta dos humoristas. Esta foi a forma encontrada por eles de dar credibilidade à matéria, além de exibir os sites que mostraram fotos do alemão com o presente oferecido pela dupla do pânico. A brincadeira fica por conta das montagens com emissoras de todo o mundo e a nota fiscal com o valor do presente, R$11,20 por uma tartaruga de plástico oferecida a um esportista milionário. Por fim, fica a análise que se o Pânico na TV não é a caracterização do jornalismo, o semanal tem a audácia, a coragem que falta a muitos membros da imprensa. Mostra a força de uma edição na construção ou destruição de mitos, sem o medo de mostrar-se parcial. O semanal sabe que a verdade é criação e nos faz rir da verdade criada por Silvio e Vesgo. Marcos Antonio de Oliveira Santos 50486 Maicou... enviada por Comufv2004 06/02/2007 17:00 Jornalismo a favor da população ou do espetáculo? Por Viviane de Carvalho A cobertura jornalística sobre o acidente ocorrido na linha 4 do metrô de São Paulo, no dia 12 de janeiro, está dando o que falar. Os grandes veículos de comunicação acabaram invadindo a área do sensacionalismo barato, cometendo vários erros que são recorrentes neste tipo de cobertura de tragédias, transformando o fato num espetáculo que em nada contribuiu para a averiguação concreta e a apuração dos verdadeiros responsáveis. O caderno "Metrópole", do jornal O Estado de São Paulo, explorou ao máximo o episódio, dedicando-se quase exclusivamente ao que se convencionou chamar de cratera". A Folha de São Paulo, em sua seção "Tendências e Debates", publicou dois artigos que dissertaram sobre o ocorrido, com textos esclarecedores que faziam críticas ao sensacionalismo na cobertura jornalística da matéria. Porém, o jornal pouco se distanciou deste tipo de cobertura, ao explorar os relatos de parentes das vitimas. A apuração da matéria acabou revelando que o local já apresentava problemas, que a mídia ainda não havia noticiado. Como por exemplo, o fato de que há vários meses moradores dos imóveis da região estavam assustados com rachaduras e trincas provocadas pelas obras do metrô, e que dias antes do desabamento a empreiteira responsável, sabendo dos riscos presentes na obra, não alertou ninguém da vizinhança nem do governo. Os problemas com a obra da Linha Amarela do Metrô despertaram a atenção da imprensa apenas quando aconteceu o desabamento nas obras do metrô na estação Pinheiros, causando vitimas. Acontece que como hoje muitos jornalistas costumam fazer reportagens sem sair da redação, usando telefone ou internet, a apuração muitas vezes fica comprometida. Se os repórteres andassem mais pelas ruas e ouvissem mais fontes não oficiais, certamente algum repórter poderia ter descoberto antes o que estava acontecendo nas obras do metrô. Enfim, este novo método de apuração faz com que a imprensa cada vez mais se afaste da realidade cotidiana. Outro fator relevante é que numa tragédia com vitimas, sempre haverá pessoas a busca de seus familiares ou amigos e estes sempre trarão consigo histórias de alegrias e tristezas. A exploração dessa dor e dessas histórias é uma das características do sensacionalismo barato, além de um desrespeito com os próprios envolvidos no acidente, com a intenção de aumentar as vendas ou a audiência. O limite entre sensacionalismo, informação investigativa e audiência/vendagem é muito pequeno e conflitante. Mas a população espera sempre que este limite seja respeitado a fim de ser informada corretamente sobre os acontecimentos. O jornalismo que precisar ser adotado pelos grandes veículos de comunicação do país precisa tratar os fatos com seriedade e clareza, trazendo à população informações relevantes e concretas sem o intuito de impor um julgamento especifico a população. Foto da "Cratera" de São Paulo enviada por Comufv2004 06/02/2007 10:49 Quanto vale R$ 52 milhões? Por Natália jael F. Oliveira Francamente ainda não se sabe como distribuir R$ 52 milhões entre ganância e sonhos. Muita gente acredita que a vida não tem valor quando se deixa de sonhar, pois os sonhos que impulsam nossas vidas. Sonhos que muitas vezes podem ser o de um apartamento, uma fazenda, viagens e um bom plano de saúde. Assim vivia o carioca Renné Senna, fazendo malabarismo com o que recebia de aposentadoria. Homem simples deficiente perdera as pernas por causa da diabetes - pai de uma adolescente e que tinha o sonho de poder ter tudo que o dinheiro pudesse comprar, inclusive o amor. Amor este que ele alimentava durante muito tempo por uma cabeleireira. Foi assim nesse jogo entre o sonho e a realidade que ele recebeu a notícia de que era o mais novo milionário da mega sena. Provavelmente o novo estilo de vida e contaminado pela lógica consumista, faltava a Renné um novo amor Adriana - aquela por quem ele alimentava uma paixão. Hoje, considerada por muitos, a inescrupulosa amada. Adriana declarou em rede nacional que o dinheiro ajudou na aproximação do casal, mas o que mantinha o casamento era o amor que sentiam um pelo outro e que viviam muito felizes, na gigantesca fazenda comprada com o dinheiro do premio. Porém, no dia sete de janeiro deste ano, começou a ser traçada a história que levaria Renné ao óbito e Adriana aos tribunais. Morto na frente de um bar, que freqüentava antes de se tornar milionário, Renné se tornou mártir daqueles que afirmam que dinheiro não traz felicidade. Ele não se lembrou que não era mais uma pessoa comum e não que não passava mais despercebido. Talvez ele tentava unir seus dois sonhos, dinheiro e uma vida simples. Como era de se esperar muitas histórias surgiram depois do crime e por de trás delas a única coisa que se pode ver é a fortuna de Renné. Será que Adriana era amante de um dos seguranças? Será que era amante de todos os seguranças? Será que Renné desconfiava da paternidade de Renata? O assunto ainda vai ser durante muito tempo alvo das conversas entre amigos e muitas sentenças já foram dadas para o caso. Adriana esta presa como principal suspeita pelo crime, ou melhor, como mandante do crime. Vários outros suspeitos estão sendo investigados e essa parece que vai ser mais uma história para o imaginário do brasileiro. Julgo ser impossível a qualquer ser humano, com R$ 52 milhões, ter tempo para pensar em dignidade, caráter e amor. O dinheiro certamente deu a Renné o privilégio de escolher a pessoa errada e Adriana não pensou na fragilidade que o dinheiro deu a ele. Este talvez pudesse ser o casamento perfeito se não tivesse terminado com a morte do milionário. Não se sabe quando essa história vai terminar. Mas por enquanto se tem a certeza que o caminho entre os sonhos e a tragédia pode ser mais estreitos do que se imagina. Cada bala que matou Renné valia R$ 10 milhões da sua fortuna e que, sem dúvida, serão cobrados. enviada por Comufv2004 06/02/2007 10:44 O aquecimento global nos principais jornais do país. Por Ana Paula de Toledo O meio ambiente tem sido assunto recorrente na pauta dos principais jornais do mundo. As ações do homem em relação ao meio ambiente há tempos tem sido devastadoras, mas até essa semana não se sabia a real extensão dos danos provocados na natureza. Nessa última sexta-feira foi divulgado pela ONU o relatório final do estudo mais completo sobre o aquecimento no planeta. De acordo com o estudo, realizado por cerca de 2,5 mil cientistas de 130 países, existe 90% de probabilidade do aquecimento global ser fruto da ação do homem. E acredita-se que até o final do século muitas espécies estarão em processo de extinção por causa do aumento da temperatura. No dia 2 de fevereiro a divulgação desse relatório ganhou uma matéria de 3 min e 56s no Jornal Hoje e uma matéria complementar sobre as mudanças climáticas no Brasil de 2 min e 21s. 2 mim e 43s foi o tempo que o Jornal Nacional dedicou à divulgação do resultado do estudo, além de uma matéria complementar de 1 min e 35s sobre a tentativa de grupos ligados ao governo de desqualificar o relatório. Já o Jornal da Globo teve 1min e 49s para o assunto. A revista Época trouxe o relatório como matéria de capa. Além do grande espaço para o tema em seu portal de internet. Já o espaço que o assunto recebeu na revista Veja foi bem menor. E o portal Veja on-line também traz um espaço relativamente pequeno para o assunto. Na edição do dia 4 de fevereiro o Jornal Folha de S. Paulo trouxe em seu caderno Mundo a matéria Países pedem organização ambiental mais poderosa. O jornal O Globo publicou a matéria Países querem agência para o meio ambiente. Já o jornal O Estado de S. Paulo trouxe em seu caderno Vida& a matéria de título Países pedem polícia ambiental. Todas as três falam sobre a preocupação dos países com a situação relatada pelo estudo e a necessidade de criação de um órgão com plenos poderes para zelar pelo planeta. A preocupação com o meio ambiente, hoje, é de suma importância, e os principais veículos de comunicação do país retratam bem essa necessidade. É nosso dever enquanto jornalistas conscientizar a população da real situação do planeta, e como podemos fazer para diminuir os impactos de nossas ações na natureza. enviada por Comufv2004 05/02/2007 12:57 O Blog com 2004 é destinado a apresentação de matérias realizadas na disciplina de comunicação da UFV. enviada por Comufv2004 Feed: Seja avisado quando este blog for atualizado :: (O que é isso?)
"BBB 7": o sucesso continua Daniel Aroni Rede Globo, mais ou menos 10 da noite. O intervalo anuncia que vai começar mais um capítulo da sétima edição do Big Brother Brasil , o BBB - a novela da vida real. Todos param ansiosos em frente à televisão até que, de repente, surge a figura do apresentador-poeta-engraçadinho Predo Bial, com seu visual despojado e suas perguntas indiscretas aos participantes da casa mais observada de todos os tempos, a casa do Big Brother Brasil. Pronto: o show da vida está no ar e a nós telespectadores resta apenas continuar espiando, espiando e espiando. Mas, qual seria a fórmula do sucesso desse programa? O que pode estar por trás desse comportamento de ligar a televisão para observar os outros? Para Ferreira (2001), é pela falência das instituições que sociabilizam os indivíduos (igreja, família, escola...) que o homem-massa perde seus vínculos com a sociedade, tornando-se alvo fácil para os meios de comunicação que irão preencher, aos seus modos, o vazio deixado por essas instituições inoperantes, além de ditar o comportamento das pessoas. Para tanto, programas ao estilo Big Brother e, conseqüentemente, uma proposta de interatividade foram criados. O indivíduo, por estar carente de relações interpessoais, passa a ver nas quase cenas de sexo entre os participantes do BBB aquilo que ele gostaria que lhe acontecesse, já que lhe parece ser algo possível, por se tratar de pessoas comuns vivenciando coisas aparentemente também comuns. Além disso, a promessa e simultânea negação do surgimento do inesperado parece ser a chave do atrativo que exerce o Big Brother Brasil. A audiência se fixa na vaga esperança de ver um real desvio do esperado, como se, em algum momento, aqueles seres humanos pudessem de fato nos surpreender, dizendo coisas ou agindo de modo verdadeiramente inesperado, interessante, desafiador (orbita.starmedia.com). Já Valente (2004) acredita que o Big Brother possui características bem mais próximas da telenovela do que de qualquer outro tipo televisivo, prometendo ser a nova dramaturgia do século XXI. De acordo com o autor, a trama do BBB se baseia numa teia de acontecimentos editados, que assegura o interesse do telespectador dia a dia. Quanto aos seus personagens, eles se diferenciam dos já conhecidos porque existem de verdade, garantindo uma maior empatia do público. Seja por essas ou outras razões, o fato é que o BBB mais uma vez é recorde de audiência, legitimando-se como um dos expoentes midiáticos de maior intervenção nas conversas entre as pessoas. Dele, muitas vezes, copia-se e inveja-se tudo: o jeito de se vestir, de falar, de curtir a vida... Além disso, parece estar havendo uma inversão da lógica do você precisa ser alguém para estar na TV para o você passa a ser alguém se está na TV (www.contracampo.he.com.br). Bem, essa já é uma conversa para uma próxima oportunidade. De qualquer forma, tanto sucesso para tão pouco é lamentável. Referências Bibliográficas: CEPPAS, Filipe. A metafísica ingênua da imagem e os chavões da decadência na crítica ao fenômeno Reality Show. [14 out. 2004]. (http://orbita.starmedia.com/outraspalavras/art10fc.htm-36k). FERREIRA, G. M. Epistemologia e origens históricas do fenômeno. In: HOHLFELDT, A., MARTINO, L. C., FRANÇA, V. V. (orgs.). Teorias da Comunicação. Petrópolis: Vozes, 2001. As origens recentes: os meios de comunicação pelo viés do paradigma da sociedade de massa, p. 99-116. VALENTE, E. Reality Shows: a nova dramaturgia do século XXI. [21 set. 2004]. (http://www.contracampo.he.com.br/tv/novadramaturgia.htm).
SEM ÍNDIOS Vitor Nascimento Secchin Depois de abordar temas como a Revolução Farroupilha e a construção de Brasília, a TV Globo, agora, começa a desvendar a história do estado do Acre com a nova minissérie que teve início dia 2 de janeiro. Amazônia de Galvez a Chico Mendes, é a mais recente obra da novelista acreana Glória Perez, que sempre sonhou em escrever sobre sua terra natal. O enredo relembra o ápice econômico da região, com a extração do látex da borracha e a conseqüente guerra pela independência com relação à Bolívia. Amazônia é dividida em três fases: fins do século XIX a atual fase décadas de 40 e 80. Ela é conduzida pelos heróis Luis Gálvez (José Wilker), Plácido de Castro (Alexandre Borges) e Chico Mendes (Cássio Gabus Mendes). Os dois últimos darão andamento às outras fases da minissérie. O fio condutor da trama é a saga de duas famílias antagônicas. De um lado, encontra-se o dono do próspero seringal Santa Rita e de uma das maiores fortunas de Manaus do início do século 20, o coronel Firmino Rocha (José de Abreu). Do outro, o nordestino Bastião (Jackson Antunes), que foge da seca com a família, iludido com a possibilidade de fazer fortuna na floresta. Lendas e figuras típicas da região também não ficam de fora e dão um toque popular à história. É o caso da personagem de Regina Casé, a parteira Maria Ninfa, e da lenda do boto. Segundo a crença popular esses animais seduzem as moças ao se transformarem num belo rapaz. Delzuite, personagem de Giovanna Antonelli, recorre à lenda do boto ao se ver grávida de seu amor, Tavinho (Paulo Nigro), que partiu para Manaus. Assim como as minisséries anteriores, "Amazônia" possui uma megaprodução. Uma equipe de 150 profissionais, entre engenheiros, técnicos, cenógrafos, figurinistas, produtores e artistas, viajou em agosto do ano passado para Manaus (AM) e Porto Acre (AC), para uma temporada de 72 dias. O resultado desse trabalho tem um preço: 500 mil reais por capítulo. Hoje, as gravações estão concentradas na cidade cenográfica construída no PROJAC (RJ), mas as expedições para o Norte não terminaram. Em meio a tantas imagens deslumbrantes da floresta Amazônica, com suas ricas fauna e flora, um "detalhe" passa despercebido aos olhos de milhões de telespectadores. Os índios. Cadê os índios? Cadê os mais de 150 mil índios, divididos em quase 50 povos, que moravam no território que o branco passou a chamar de Acre? Mais uma vez a televisão reproduz um tipo de história que se pensava estar esquecida nos velhos baús dos porões úmidos. Uma história feita de heróis... e heróis brancos e economicamente abastados, onde índios, por exemplo, não entram em cena. É difícil acreditar que Glória Perez tenha estudado livros de história e as biografias dos principais envolvidos, além de obras de autores acreanos, para deixar a presença milenar do índio na região se desmanchar ao longo dos capítulos da minissérie. "Amazônia - de Gálvez a Chico Mendes" pretende contar os cem primeiros anos da história do Acre. Apesar da produção muito bem trabalhada, começou mal. E ainda está no começo. Há muita história, ou talvez estória, a ser contada. A criação do movimento ambiental dos seringueiros, que culminou em assassinatos de líderes populares, como Chico Mendes, também será mostrada. Com certeza a visibilidade dada ao personagem não será a mesma dada à figura do índio. Tanto Chico Mendes, quanto o índio, tiveram, e ainda têm, papel importante na defesa da floresta. Porém, índios não recebem prêmios internacionais e nem são destaques em minisséries. QUEM FOI GÁLVEZ DA MINISSÉRIE AMAZÔNIA? Erroneamente apontado como boliviano, Luis Gálvez Rodríguez de Arias nasceu em São Fernando, na região da Andaluzia (Espanha), em 1864, numa tradicional família. Era jornalista e diplomata. Ele estudou ciências jurídicas e tornou-se diplomata na Europa. Seu vasto conhecimento não impediu seu espírito aventureiro de procurar o "Eldorado" na Amazônia. Tornou-se jornalista em Manaus no jornal Comércio do Amazonas, abriu um bordel com uma antiga amante (Lola). Gálvez decide partir para a conquista do Acre ao traduzir um documento da Bolívia. Apoiado financeiramente pelo governo do Amazonas, que esperava anexar a região, rica em seringais, recebeu a missão de tomar o Acre, majoritariamente habitado por brasileiros, da Bolívia. Proclamou a República Independente do Acre em 1899, o qual governou entre 14 de julho de 1899 e 1º de janeiro de 1900 e, depois de um golpe de Estado que durou um mês, governou de 30 de janeiro de 1900 a 15 de março de 1900. O Tratado de Ayacucho, assinado em 1867 entre o Brasil e a Bolívia reconhecia o Acre como possessão boliviana. Por isso, o Brasil despachou uma expedição militar para prender Luis Galvez, destituir a República do Acre e devolver a região aos domínios da Bolívia. No dia 11 de março de 1900, Luis Gálvez rendeu-se à força-tarefa da marinha de guerra do Brasil, na sede do seringal Caquetá. Gálvez morreu em Madri em 1935. QUEM FOI PLÁCIDO DE CASTRO? José Plácido de Castro nasceu em São Gabriel, no Rio Grande do Sul, em 9 de setembro de 1873. Plácido de Castro foi um político e militar brasileiro que participou da Revolução Acreana e governou o estado do Acre. Em 1889 abandonou o cargo de fiscal nas docas do porto de Santos, em São Paulo, para tentar futuro melhor no norte do país. Existia no Acre, desde os tratados de 1750 e 1777 uma questão territorial de limites com a Bolívia. Em 1901, esta arrendou o Acre a uma companhia estrangeira. Conseqüentemente, aumentaram as animosidades entre bolivianos e brasileiros. Plácido de Castro liderou, então, um movimento armado contra a Bolívia e proclamou a independência do estado do Acre. Aos 27 anos de idade, liderou uma forte revolução com mais de 30 mil homens. Ele definiu a fronteira oeste do Brasil como uma decisão na sociedade da época a favor de seu país. Em 1903, pelo Tratado de Petrópolis, a luta foi encerrada. Em 1906, Plácido foi nomeado governador do Acre. Viajou para o Rio de Janeiro, onde lhe ofereceram os galões de coronel da Guarda Nacional, que rejeitou. Quando de seu retorno ao Acre, foi nomeado prefeito. Plácido de Castro, após uma emboscada, foi trucidado, aos 35 anos de idade, ficando esse crime para sempre impune. QUEM FOI CHICO MENDES? Francisco Alves Mendes Filho nasceu em Xapuri, Acre, em 15 de dezembro de 1944. Chico Mendes, como era mais conhecido, foi seringueiro, sindicalista e ativista ambiental brasileiro. Fundou um sindicato de seringueiros para preservar a profissão da extração madeireira indiscriminada e o desmatamento com a expansão dos pastos na Amazônia. Atuou na fundação do Conselho Nacional dos Seringueiros e ajudou a formular a proposta das Reservas Extrativistas para a classe, conseguindo apoio internacional na sua luta. Em 1987 Chico Mendes foi reconhecido internacionalmente com os prêmios "Global 500" da ONU e a "Medalha do meio ambiente" da Better World Society. Foi assassinado em frente de sua casa em 22 de dezembro de 1988, aos 44 anos. Após o seu assassinato, mais de trinta entidades sindicais, religiosas, políticas, de direitos humanos e ambientalistas se juntaram para formar o "Comitê Chico Mendes". Para pressionar os órgãos oficiais, eles exigiram providências através de articulação nacional e internacional, para que o crime fosse apurado e seus culpados punidos. Em 1990, a justiça condenou os fazendeiros Darly e Darcy Alves da Silva pela morte de Chico Mendes. O caso despertou pela primeira vez a atenção internacional para os problemas dos seringueiros. enviada por Comufv2004 10/02/2007 11:13 ENTRETENIMENTO Trocando o controle remoto pelo mouse Welington Gonzaga* A edição 236 da Revista Super Interessante, que está nas bancas durante o mês de fevereiro, traz estampado na capa um assunto polêmico e de grande interesse do seu público leitor: Lost e o fim da TV. Mas o que está no fim? O seriado Lost? Ou a televisão em si? São dois assuntos distintos ou um único assunto? Como é típico da revista, para obter a resposta, tem que se desembolsar uma razoável quantia em dinheiro. Após inúmeras revistas abordarem as novas tendências do vídeo na era da internet, num primeiro momento é o que nos aparenta ser, novamente, essa atual publicação da Super. Mas o que se está discutindo agora é como que um seriado que conquistou público em todas as partes do mundo está desestruturando a tradicional forma de assistir TV. A televisão do século XXI está muito mais interativa e permite ao telespectador tornar-se um co-autor daquilo que está sendo exibido. Parte dessa nova TV está aqui e agora: ironicamente, em um dos maiores sucessos televisivos da história. O festejado Lost tem por trás dele justamente os elementos que vão destruir a televisão como a conhecemos. A internet possibilita a criação de um universo de discussões e abordagens sobre assuntos que nem mesmo as fontes oficiais se preocupam em divulgar. As especulações em torno dos mistérios do seriado geram infinitos fóruns para os fãs da série debaterem o que se passa na tela. Como resultado disso, a quantidade de material existente na rede ultrapassa aquilo que é veiculado no canal de TV. Para quem acompanha o seriado desde o início (atualmente a série está no 7º episódio da 3ª temporada) tudo funciona como um jogo, em que a riqueza de detalhes não cabe somente na TV. Assistir a esse seriado exige um trabalho instigante de pesquisa que quebra com a relação tradicional e passiva de assistir a um programa televisivo. Um exemplo dessa quebra ao modo tradicional de assistir TV ocorreu em 9 de novembro de 2006, quando foi ao ar o 6º episódio da 3ª temporada de Lost (era o úlitmo capítulo antes da série tirar férias de três meses). Numa única frase dita por um personagem surgiu uma tese capaz de explicar alguns dos mistérios da trama. De acordo com a fala do personagem, o líder dos Outros (como são conhecidos aqueles que estavam na ilha antes do desastre aéreo), Benjamin Linus, é subordinado a Jacob Vanderfield, diretor da empresa por trás dos acontecimentos da ilha. Para quem apenas assiste à série de TV, essa foi a primeira vez que ouviu falar de Jacob Vanderfield. Porém, para os fãs que investigam o mundo extratelevisivo de Lost, este já era um sujeito conhecido. Tanto, que antes da emissora ABC divulgar oficialmente, os fãs já tinham descoberto um site criado para a empresa de Jacob Vanderfield. No dia seguinte à exibição do episódio em que é citado o tal sujeito, havia, em todo o planeta, teorias capazes de explicar os acontecimentos da ilha. Nesse processo todo, o que a TV tradicional fez foi transmitir o sinal de Lost para os EUA. O resto ficou nas mãos de pessoas comuns. A internet aponta para uma transformação da TV como a conhecemos desde criança. A interação passou do controle remoto para o mouse do computador. E essa curiosa tendência é muito mais democrática e interessante. *blogdosininho.blig.com.br enviada por Comufv2004 10/02/2007 10:54 Cicarelli, Mídia e YouTube Willian Cavalcanti Grande parte das pessoas que têm acesso frequente à internet deve ter visto, ou quis ver, o famoso vídeo da modelo Daniela Cicarelli. No tal vídeo, ela e o namorado Renato Malzoni aparecem em cenas picantes em uma praia espanhola de Cádiz. Cicarelli, assim como outras beldades, teve carreira meteórica. De modelo razoável, transmutou-se em apresentadora de tv no canal href="http://mtv.terra.com.br" target=_blank>MTV . Mas passou mesmo a ser mundialmente conhecida após relacionar-se com um dos jogadores de futebol mais famosos do mundo, o dentuço Ronaldo. A relação foi desde seu início bastante conturbada, com direito a barraco na cerimonia de casamento até um matrimonio que durou apenas tres meses. Após o término do relacionamento com o Fenômeno, Daniela manteve-se reclusa, segundo ela, para evitar mais confusões. Mas pelo que se viu, ela não conseguiu ficar longe das manchetes de fofoca por muito tempo. Vários jornais e revistas do país, mídia impressa, tv e internet, noticiaram repercusões do vídeo da modelo. A partir de então, o vídeo rapidamente tornou-se um fenômeno (não estamos falando no seu ex-marido) no site href="http://youtube.com" target=_blank>"Youtube" . Contudo, sua veiculaçao foi barrada, já que a política do site não permite que se post vídeos eróticos de qualquer tipo, sendo então retirado do ar. Mas já era tarde. Muitas pessoas que assistiram no YouTube fizeram sua própria cópia e passaram a postar em seus blogs ou sites. A bola de neve foi só crescendo e a modelo se viu no direito de processar o site pela veiculação indesejada de suas intimidades. Seguindo determinação judicial, durante um dia inteiro o YouTube não pôde ser acessado por internautas brasileiros. A notícia correu o mundo, sendo noticiada por vários meios de comunicação internacional. Muitos deles sombando o juiz brasileiro que havia deferido tal ordem. A notícia chegou até a ser uma das mais lidas em sites jornalísticos do exterior, como o do BBC News inglês ou o argentino Clarín e as revistas americanas Forbes e BusinessWeek. A lição que se pode tirar de tudo isso é simples. Daniela, com sua ameaça contra os meios de comunicação que noticiaram o episódio, fez somente manter a notícia atualizada. Já que cada nova ação sua era uma desculpa para trazer novamente o caso à tona. Dada à preferencia massissa dos internautas pelo site, sua ação contra o YouTube foi ridicularizada. Além do mais, o site nem de longe era o culpado pelo que ali fora veiculado. É tecnicamente impossível da sua parte bloquear a todo momento as novas postagens de seus usuários ávidos por compartilhar o vídeo. A culpa, se se pode atribuir culpa a alguém, é antes de mais nada dela mesma. Já são largamente conhecidas as percipécias promovidas por paparazzi, principalmente os internacionais. Se não se pode exterminá-los, que se conviva com eles e se tenha o mínimo de bom senso para não ser pego em maus momentos como os que ocorreram na praia espanhola. Como disse um professor do curso de Comunicação da UFV, o que se veicula na internet jamais se apaga. E, depois de tanta baubúrdia, vê-se que essa é uma afirmação incontestável. Pior pra Cicarelli. enviada por Comufv2004 10/02/2007 03:17 Cérebro eletrônico Priscila Martins Os internautas brasileiros, com acesso domiciliar à rede, ultrapassaram a casa dos 14,5 milhões em 2006, de acordo com o instituto Ibope/NetRatings . O tempo médio de navegação do brasileiro, no último ano, foi de 21 horas e 39 minutos por mês. Tempo maior que o do estadunidense, do japonês e do australiano. Pra fugir um pouquinho dos números passemos à reflexão sobre o universo mágico que é o ciberespaço. Esse espaço não-físico que a cada dia configura mais e mais a nossa realidade. Transações bancárias, e-mails, compras de natal, notícias, informação, diversão. Uma janela para o mundo que se abre ao alcance de alguns cliques. As facilidades que a rede nos proporciona muda também a nossa relação com o tempo. Pode-se economizar o tempo da fila no banco, na loja, a instantaneidade do correio eletrônico deixa pra traz as cartas feitas à mão. E a dinâmica e instantaneidade das relações virtuais são estendidas à nossa rotina e relações sociais. Espaço e tempo redefinidos. Poupamos o tempo e estamos cada vez mais sem ele. Uma nova significação sensorial é delineada com a materialização digital de parte de nossas vidas. A interface com a rede nos permite construir e experimentar o mundo de maneira diferente, produzir uma comunicação mais complexa, montar textos e significados no trajeto difuso de navegação na web. A rede se cristaliza assim, como um espaço público em potencial, capaz de oferecer uma mesma oportunidade de vez e voz aos seus usuários. A web carrega consigo um novo paradigma de percepção do mundo. Em games como o Second Life, o internauta pode se imergir em um universo inteiramente criado por ele, escolher sua profissão, planejar seu lar, sua cidade e dotar seu próprio corpo das habilidades que quiser. Nessa brincadeira, muitos usuários trocam sua vida no mundo sensível, por assim dizer, pelo virtual. Sites de relacionamento como orkut recriam a noção de comunidade, de identidade e de pertencimento a elas. Na medida em que dão voz ao indivíduo, que por sua conta constrói uma representação de si mesmo, forjando o sentimento de unicidade. Para alguns, a internet seria um simulacro, uma vã representação do real. Outros têm na rede apenas mais um nível de realidade, uma representação que, por ser virtual, não necessariamente engendra características ruins. Longe de querer julgar as implicações desse ciberespaço que como disse no começo é mágico só tenho a dizer, como uma usuária domiciliar, que tenho uma sensação estranha ao perceber que o domingo inteiro gasto na frente da tela do pc foi um dia de sol lá fora. E só percebo isso no fim da tarde. enviada por Comufv2004 10/02/2007 00:46 Perspectivas para a América Latina Fabiana Nogueira Chaves Na Folha de São Paulo do dia 21 de janeiro deste ano, o jornal dedicou todo o caderno Folha Mais a criticar a política de Hugo Chávez, e de seus companheiros. O jornal debochou da formação de um bloco socialista na América Latina, e ainda afirmou que Chávez propõe é uma ditadura, que o socialismo dele é sincrético e descrente. Esse é um pequeno exemplo de como a grande mídia vem fazendo terrorismo com a palavra socialismo. É a Folha, a Globo, O Globo, todos. Têm medo de perderem o controle de nós, pobres países pobres. Não serviremos mais nem para sermos explorados? Isso não pode. Menos um dinheirinho para sustentar os Xeiques bárbaros norte-americanos? Hugo Chávez não é um ditador, é apenas mais um indignado como nós. Só que um presidente indignado que tem peito, coragem, não é um Lula. Não faz parte de uma esquerda podre como a brasileira. No Brasil não há esquerda, o próprio Lula se afirmou nem de direita nem de esquerda. O presidente cada dia se mostra mais um desgovernado, sem a menor idéia do que fazer e com a obsessão de virar um Juscelino na história. Falta envergadura para ser um Chávez. Os tempos são outros e Lula está metendo os pés pelas mãos com maior rapidez que no primeiro mandato. Não percebeu que os aplausos a Chávez, onde o venezuelano aparecia, era o estado de espírito e desejo do povo, ao contrário da morna e às vezes hostil recepção que teve em locais públicos. Até agora, o seu desempenho foi desastroso. Corre o risco de tentar o prêmio JK e acabar com o troféu FHC, já que anda falando em vender ações de estatais. Enquanto Lula vende, Hugo Chávez e Evo Morales estatizam, querem nacionalizar o que foi vendido. O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, está nacionalizando e estatizando os setores estratégicos da economia: energia, telefonia e lógico, o já estatizado petróleo. Em que outro país o povo foi às ruas e colocou de volta no poder um presidente deposto por um golpe midiático elaborado pela RCTV( Canal super direitista da Venezuela)? Em que outro lugar o povo tem mobilização para isso? Com certeza nós no Brasil não temos. Precisamos juntar de gente com garra, com fé em alguma coisa, que não fique em cima do muro olhando a banda passar. A perspectiva real e efetiva para a América Latina está em Hugo Chávez. O processo de construção do socialismo bolivariano vai ser alvo de novas tentativas terroristas dos norte-americanos. Vai ser preciso reagir. Do contrário irão transformar a América Latina num novo Oriente Médio, cheia de Iraques, onde possam explorar mais e roubar mais, como fazem naquele país. A Colômbia e o Paraguai são as pontas de lança da organização terrorista Casa Branca. A mídia continuará atacando o socialismo de Chávez, continuará defendendo ferozmente os interesses do capital, e o capital continuará se apossando do discurso de que o capitalismo é democrático e o socialismo é ditador. Tão grande é a democracia de nosso capital, que a pobreza, a fome e falta de abrigo se contrapõe com o luxo de mansões e a riqueza dos donos. Hoje, muita gente participa das escolhas que o capital nos oferece, escolhendo se vai dormir no viaduto ou embaixo da ponte. enviada por Comufv2004 09/02/2007 23:59 Minissérie Amazônia Minissérie Amazônia: Do que ela se alimenta e o que a faz ficar pequena? Aline da Rocha Barbosa Diferente da maioria das novelas, que partem de subtramas interligadas para formar o todo, uma minissérie histórica, como "Amazônia - de Galvez a Chico Mendes", encontra sua razão primeiramente na história epopéica digna de ser contada. Mas, mesmo que esse tipo de minissérie nasça disso, ela precisa se alimentar de outras historiazinhas. Por quê? Essas mini - histórias são como o tempero que tenta trazer a audiência. Cabe dizer que audiência seria, nesse contexto, um conjunto de indivíduos satisfeitos e entusiasmados por ver suas manifestações e gostos sociais reproduzidos, na televisão. Então, a minissérie Amazônia parte de um fio condutor que tem diversas ramificações. Mas, vale lembrar que ela, como qualquer reprodução histórica, é apenas uma verossimilhança, seja no fio ou nas ramificações. Mesmo que o primeiro seja relativamente mais confiável ou próximo da verdade. A TV Globo, a cada início de ano, costuma colocar uma nova minissérie histórica no ar. Foi assim em 2003, quando "A Casa das Sete Mulheres" contou a luta dos sulistas contra o Império, e no início de 2006, com a trajetória de "JK" e seu desejo de construir nossa capital. "Amazônia - de Galvez a Chico Mendes", escrita pela acreana Glória Perez, estreou em dois de janeiro de 2007, terça-feira, e é dividida em três fases: fins do século 19, décadas de 40 e 80 do século 20. A intenção é relembrar o auge econômico da região, com a extração do látex da borracha, a guerra pela independência com relação à Bolívia e a criação do movimento ambiental dos seringueiros, culminando em assassinatos de líderes populares. Entre os personagens da trama estão Galvez (José Wilker), Plácido de Castro (Alexandre Borges), Chico Mendes (Cássio Gabus Mendes), Coronel Firmino (José de Abreu), Bastião (Jackson Antunes), Lola (Vera Fischer) e Maria Alonso (Christiane Torloni). Alguns são indivíduos que marcaram concretamente seus nomes na história e outros fazem parte da imaginação realística da autora. Ou seja, aquela baseada em dados, como o do contraste riqueza/ pobreza, que lhe dão argumentos para defender o conteúdo de determinado personagem, que pode ter sido verdadeiro, naquele contexto. Quem vai duvidar de que existiu a Delzuite (Giovanna Antonelli)? Esqueçam o nome, mas pensem na mensagem dessa personagem: selvagem, bela, infantil, ingênua, desejada por vários seringueiros, que passavam anos sem ver uma mulher. Ela e a sua mini - história se torna possível, nessa conjuntura. Mas, mesmo usando dessa imaginação realística, a minissérie não tem atraído a audiência, pois tem sido vista por menos da metade dos televisores ligados no horário (48%). Qual o problema? Talvez, seja no fio condutor (a história do Acre), distante da curiosidade das pessoas. Mas, acredito que seja a audiência enveredada e fascinada por outros caminhos e temperos: o grotesco, a novidade, a bisbilhotice (BBB) e o drama também atraem. enviada por Comufv2004 09/02/2007 23:56 Um bando peculiar de humanos Vivian Neves Fernandes Os 513 Deputados brasileiros desempenham várias funções bonitas, que dizem ajudar e representar o povo brasileiro: (...) a Câmara dos Deputados, autêntica representante do povo brasileiro, exerce atividades que viabilizam a realização dos anseios da população, mediante discussão e aprovação de propostas referentes às áreas econômicas e sociais, como educação, saúde, transporte, habitação, entre outras, sem descuidar do correto emprego, pelos Poderes da União, dos recursos arrecadados da população com o pagamento de tributos. Assim, a Câmara dos Deputados compõe-se de representantes de todos os Estados e do Distrito Federal, o que resulta em um Parlamento com diversidade de idéias, revelando-se uma Casa legislativa plural, a serviço da sociedade brasileira. http://www2.camara.gov.br/conheca Criam-se vários mitos em torno dos deputados. Dizem que eles adoram pizza, de vários tipos, e nas reuniões onde eles degustam tal iguaria costumam chamar de CPIs. Nestas reuniões festivas há sempre um tema, normalmente denominado de forma estranha, como sangue-suga, ambulância, entre outros muito interessantes. Eles se dividem em duas partes, há os que moram em Brasília, recendo casa, comida, roupa lavada e motorista, mais salário, 13º terceiro e 14º salários, tudo pago pelos trabalhadores do país. São os Deputados Federais. E aqueles que moram nos seus estados, e também recebem muitas coisas legais do povo, que deve adorá-los. Estes últimos podem escolher de que estado querem ser, como Frank Aguiar, cantor nordestino que acordou bem disposto e viu que alguma coisa acontece no seu coração e virou deputado por São Paulo. Estes podemos chamar Deputados Estaduais. Eles possuem famílias grandes, e são muito apegados a elas. Costumeiramente chamam as esposas, filhos e sobrinhos-netos para trabalharem junto com seu parente querido nos seus gabinetes. Gostam de dar presentes para eles também, principalmente os da Suíça e das Ilhas Caimã. Tem o hábito peculiar de aparecer de quatro em quatro anos. Creio que não deve ser devido ao acasalamento. Mas uma migração espontânea para TVs, rádios (inclusive comunitárias), folhetos, inauguração de tubulação de esgoto. Nessa época costumam fazer caminhadas freqüentes por várias cidades, onde podem apertar a mão de desconhecidos na rua, sempre com um sorriso que acabou de passar por um sistema de claramente. Abraçam e beijam crianças nesse período também. As mulheres não são muito notadas, pois são poucas e com menos visibilidade, a não ser quando dançam, como uma deputada catarinense. Uma das poucas mulheres notadas é uma que usava um vestuário peculiar: blusas brancas e calças jeans. Mas creio que esta chamava a atenção não pela roupa, mas pelo jeito em que esbravejava, quer dizer, falava. Bem, creio que este relato sobre esta espécie brasileira não é muito científico. Porém, foi uma tentativa de se compreender os seus hábitos e aparências. Estes ilustres personagens sempre estão no primeiro plano quando se pensa em tomada de decisões, de decidir pra onde a nau brasileira vai aportar ou que mares vai navegar, sem pensar no risco de quem vai naufragar, afinal possuem seus botes salva-vidas. Mas se existem tantos mais marinheiros, porque deixar que estes poucos napoleões decidam o rumo da nau que também é nossa? enviada por Comufv2004 09/02/2007 23:48 A reinvenção do carnaval Natália Cordeiro Tem dias em que somos levados a pensar num assunto e acabamos redescobrindo coisas. Ao escrever sobre o carnaval, expressão imbatível de brasilidade, acabei descobrindo uma realidade que incorpora em nossa consciência de identidade, como traços de um Brasil criado, só para satisfazer nossa vontade de identidade nacional e que tenta transformar o antigo em recente, a tradição em novidade, o desejo em fantasia. O mais curioso ainda é essa feição pelo espetáculo do carnaval brasileiro, em que o visual virou quesito e palavra de ordem geral, além do brilho, penas e nudez. Nossa ópera carnavalizada é tão recente quanto sua inesperada universalização território nacional adentro. Expansão que se processou com a mesma rapidez e naturalidade com que a crescente racionalização da organização do evento e sua imersão na indústria cultural e do turismo lhe acentuaram o caráter de classe e estratificada por raça e cor, ou seja, camarotes cadeiras -arquibancadas. Realidades perversas que resistiram, reprocessadas ao ritmo frenético da transformação industrial. Simultaneamente, ficamos presos e reproduzimos um discurso intelectual sobre o carnaval, uma armadilha romântica. Uma idealização de um festival dionisíaco, causador e integrador da grande sociedade nacional. A fusão das alegrias individuais em alegria geral, a inversão simbólica das hierarquias, a superação das distâncias, a transgressão geral das convenções. O discurso acadêmico dominante tende a ser de exaltação dessa festa total como expressão máxima e revigorante da autenticidade de nossa potente originalidade cultural, que não dispensa na exteriorização desavergonhada de nós mesmos num permanente estado de gozo enquanto dura o carnaval. A telinha se encarrega de mostrar isso em todos os lares, durante três ou quatro dias. Sustenta o sonho teimoso a rondar a bela alma dos brasileiros. A bela alma de muitos intelectuais. Encarrega-se de mostrar os napoleões detidos no esplendor da liberdade até o dia clarear. Esse é o país dos carnavais. enviada por Comufv2004 09/02/2007 23:11 Olha o trem Kamila Bebber Em outubro de 2006, chegou às bancas uma revista um tanto estranha. Era de dimensões bem maiores do que as que vemos diariamente, com nome de um estado brasileiro quase-esquecido e com capas que remetiam a um estilo gráfico meio artesanal. Chamava a atenção, sem dúvida. E isso tudo sem abrir a revista ainda. Ao folheá-la, enfim, susto: não se parecia com nada. Nada se parecia com ela. Piauí. Era (e continua sendo) o nome da revista. A Piauí foi lançada sem grandes alardes. Chegou devagarzinho no mercado editorial, com algumas poucas publicações falando dela. Foi colocada no cantinho das bancas, parecendo até envergonhada de si mesma. Quem tinha ouvido falar dela, afinal? E que nome era esse, por favor? Nada parecia fazer sentido nessa revista, tudo dispersava. Era sólida e se desmanchava no ar. E para enfatizar ainda mais essa idéia, mal a revista foi lançada e já ganhou uma lista respeitável de críticas não exatamente positivas em vários sites, blogs e nas poucas discussões que ela pontuava. Falou-se até que a publicação deveria se chamar Piauí, pois parecia um trenzinho desgovernado, sem rumo e que não dizia nada. Até falou-se bem dela em alguns lugares. Mas ninguém ouviu. Ou se fizeram de surdos. Em um mercado editorial viciado e cansado como é o brasileiro, a Piauí chegou com uma proposta (ou talvez uma não-proposta) diferenciada e quase torta. Mas o espanto inicial não é condenável. É algo que foge ao engessamento que a linguagem jornalística por vezes impõe. Os textos do miolo da revista são de assuntos completamente discrepantes entre si, com temas que vão desde filosofia a devaneio não-institucionalizado. Tiras, poemas e grafismos volta e meia invadem esses textos, apesar de não terem muito a ver com o tema escrito. A linguagem da Piauí não é linear e cada artigo tem um tom próprio. Os textos têm liberdade estilística e acabam sendo extensão dos seus autores, e não uma farsa mal-ensaiada da neutralidade jornalística. Isso é resultado, em parte, do desprendimento que o artigo (como estilo de produção textual) permite. Talvez a Piauí tenha surgido como uma espécie de protesto contra o marasmo editorial de que sofre o Brasil, preso a modelos de publicações presas em si mesmas, encarceradas em um padrão estilístico que não permite a originalidade e padece de falta de sinceridade textual. Talvez a Piauí tenha surgido só pra dar um susto nas revistas que nunca mudam e sempre estão nas bancas. A Piauí já está na quarta edição. Talvez não dure muito. Mas só por ter mostrado que é possível fazer algo que transcenda a mesmice das publicações periódicas notadamente no que se refere ao jornalismo cultural já teve uma vida editorial louvável. Viva o trenzinho desgovernado. enviada por Comufv2004 09/02/2007 23:03 Mamãe oh mamãe natureza... Tchuru ru ru tchu ru ru uá á á á Por Camila Morgado Desenvolvimento sustentável. Aquilo que mais parecia um palavrão, pior do que bater em mãe no Natal, de repente volta às pautas da imprensa brasileira. Tudo isso após a divulgação de um relatório do Painel Intergovernamental para a Mudança Climática (IPCC), no dia 2 de fevereiro, em Paris. Segundo ele, até o fim do século, o nível do mar deve subir cerca de 60 centímetros, as temperaturas na Terra vão variar de 1,1º C a 6,4º C, e tem muito mais além disso. Enfim, a raça humana degradou tanto o meio ambiente que entrou em um caminho, talvez possamos dizer, sem volta. Quando foi realizada a Eco 92 no Rio de Janeiro, a imprensa adotou uma visão ecologista que não passou de puro modismo. Prova disso é que, quinze anos após a Conferência, os resultados da ação humana demonstram-se cada vez mais caóticos. Oras, se o propósito dela era adotar o desenvolvimento sustentável como meta a ser buscada e respeitada por todos os países, alguém aí quer explicar o que foi esse relatório? Infelizmente, talvez, a resposta é muito simples. Durante todos esses anos, a questão ambiental foi relegada a segundo plano. Antes da Eco 92, ela era simplesmente considerada coisa de jornalista bicho-grilo. Depois de sua realização, o que se observou foi um período de sumiço de matérias desse tipo. Aliás, sumiço também é forte demais. Algumas coisas foram divulgadas, mas não passaram de pequenas notas. Ou então, não obtiveram tanta importância como mereciam. O que se deu foi um desaparecimento do tema na grande mídia. Devo, então, concordar quando Bruno Blecher diz, no Observatório da Imprensa., que a mídia tem uma parcela de culpa pela degradação do Planeta. E ele ainda cita algumas questões das quais pouca gente sabe a respeito, como Protocolo de Kyoto e Crédito de carbono, entre outros. Ou seja, a mídia não conseguiu associar a questão econômica em parceria com o meio ambiente adotando uma visão de sustentabilidade. Assim sendo, preferiu deixar a segunda parte de lado. A questão central é que somente agora, na iminência de um desastre, começamos a pensar em mudar. Mania de querer deixar tudo pra última hora! Além disso, não há culpados para os resultados divulgados. Pelo menos não diretamente. Então, a raça humana, com sua pretensão de criar uma natureza humanizada, começa agora a sentir os efeitos de seus atos. É Fantástico falando, Folha, O Globo, Jornal Nacional... Todos! O que o susto não faz... O jornalista Andrew Revkin, do New York Times, fez uma ótima analogia em rela-ção ao espaço de tempo que levamos para pensar e reagir a questões como essas: Com que rapidez a água tem de subir até o seu pescoço para você entrar em pânico (especialmente se, como Leonardo DiCaprio no Titanic, você está algemado ao navio)?. Alguém precisa de cronômetro? enviada por Comufv2004 09/02/2007 22:39 Sempre mais do mesmo Por Luiza Campos Acontece todo ano. Chega o verão e com ele dezenas de notícias explorando o mesmo assunto: as chuvas no sudeste e a seca no nordeste. Outra estranha coincidência é que essas matérias nunca mudam, parecem tiradas de algum arquivo morto. E essa mesmice é geral: ela atinge todos os meios de comunicação. Mas, será que realmente não há nada de novo para ser dito? Os meios midiáticos são iguais até na pretensa originalidade. Todos perceberam, ao mesmo tempo, que contrapor a idéia de seca à de chuva em abundância num mesmo país chama a atenção do leitor-espectador. Mas, se há alguma diversidade regional ela fica só no título. As matérias, em sua grande maioria, retratam a situação dos estados do sudeste, enquanto relegam à situação nordestina cerca de dois ou três parágrafos. Isso teria alguma relação com o fato dos grandes centros econômicos nacionais estarem concentrados, em boa parte, no sudeste? Vai saber... Outra notável semelhança são as falhas de diagramação ou dos redatores e produtores, que sempre resultam num esquecimento de explicar o porquê dessa situação. Não me parece normal que a estiagem nordestina tenha aumentado tanto nas últimas décadas ou os recordes de enchentes ocorridos no sudeste. Também não são dadas ao leitor-espectador soluções ou alternativas para reverter essas circunstâncias. Esses jornalistas todos devem sofrer de amnésia crônica, coitados. Ah, sim! Há honrosas exceções de programas como o Fantástico e o Globo Repórter . Eles sempre trazem uma espécie de manual-prático-de-como-preservar-o-planeta-Terra. Matérias sobre o aquecimento global e desenvolvimento sustentável são freqüentemente exibidas pelos dois. Mas cá entre nós: deve estar havendo redução no quadro de funcionários. Só isso poderia explicar a falta de criatividade e de aprofundamento nas reportagens veiculadas. Espera aí. Afinal de contas, o que o leitor-espectador tem a ver com isso? O que ele poderia fazer para mudar esse quadro? A culpa é só da natureza e das grandes empresas, não? Imagina se o homem, sozinho, seria o responsável por isso tudo. Na verdade, acho que eu deveria parar de falar sozinha. Pura viagem minha... enviada por Comufv2004 09/02/2007 16:01 Oportunismo Musical Por André Monteiro Isso aconteceu com aquela versão de Dyer Maker que o Babado Novo fez... Ela é originalmente do Led Zeppelin , do álbum Houses of the Holy uma banda que atacou em vários estilos, quando o rock ainda era novidade. Neste caso, de Dyer Maker, um reggae. Nojento na versão oportunista do Babado Novo. Talvez, por isso q hoje em dia é difícil de encontrar grandes bandas que você sabe que vão marcar pra sempre. Uma parcela enorme dos singles que emplacam no mercado são músicas que não foram feitas por músicos, mas por empreenderores; as vezes até mesmo sem tocar num instrumento musical. Será que a musica hoje não "aceita" mais pessoas capacitadas? O mercado pede aos músicos para embarcarem na "nova onda"! Por mais q remixem ou regravem musicas do Led Zeppelin, nunca obterão o lugar na história da música que eles alcançaram. Um remix vai ficar um tempo na rádio e depois disso, se você não empreender bem denovo, será esquecido. Quase inexiste música de qualidade e ORIGINAL. Se dá espaço à oportunistas e pessoas sem uma real capacidade de criar coisa boa! Respeito quem faz esse tipo de trabalho, mas não sei a quem eles agradam, porque o fã de Led não ia gostar e os fãs desse estilo "dance" não gostam muito ou não são fã de Led... Observemos a notícia sobre o Lançamento do Álbum da artista Cibelle: The Shine of Dried Electric Leaves . Apesar de ela a notícia - trazer o famigerado termo eletrobossa a artista utiliza o estilo de forma original, com músicas autorais. Por outro lado, estou cansado de ver remixes de samba, de bossa nova, de rock clássico (como Led Zeppelin). Por outro lado existem oportunistas que tocam instrumentos! Sabe aquele som do barzinho? Putz! Que filão caça níquel! Uma gravadora conhecida pelo seu lado underground fazer umTop 100 deste nível é foda! Esse é o site da Trama! Andei estudando um pouco; vi que o mercado fonográfico está muito pouco rentável... Eles não conseguem lucros bons com esses "hits" do momento. Parece q quem consome essas coisas é quem não gosta realmente de música. O cara compra um disco por causa de uma faixa ou duas q ouviu e depois o artista some, e o próximo disco que ele compra é, não necessariamente, da mesma gravadora... É o fã de uma banda quem é potencialmente rentável. Daí precisamos de uma banda feita de músicos tocando pra alguém que goste de música. Eu tenho um material original do Led invejável... E aposto que muitos de vocês também tenham desta ou de qualquer banda que seja uma de suas preferidas! E tudo e qualquer coisa que saia de novidade me interessa. Feliz da gravadora que prensa os discos, feliz de quem tem os direitos autorais dessas obras. Porquê afinal, o q vale um disco "do momento" fora do momento? Porquê o Emerson Nogueira e o tal de Rato não fazem musicas tão boas quanto os dos artistas q eles copiam? Simples, não tem talento pra isso! Mercado Fonográfico: oportunistas e empreendedores tomando o lugar dos músicos, fazendo música pra quem não é fã de música. enviada por Comufv2004 09/02/2007 09:58 O Espetáculo da Modernidade: Reality Show O "Reality Show" é um tipo de programa de televisão apoiado na vida real e que mostra a realidade de forma simulada. Nesses programas, pessoas convivem em um lugar(casa, ilha e etc.) repleto de câmeras que filmam atitudes e comportamento dos participantes. Dependendo da proposta do programa, são oferecidos prêmios milionários para os participantes do "reality show". São exemplos de reality shows: "Big Brother", "Casa dos Artistas", "Survive" e "The Osbournes". Em um dos capítulos do livro "Vernon God Little" de DBC Pierre*, a lógica do reality show é levada ao extremo. O autor narra a vida de um prisioneiro chamado Vernon, que espera no corredor da morte o julgamento de seu último recurso para que consiga a liberdade. Neste capítulo há duas questões interessantes sobre a atualidade: uma é a polêmica sobre pena de morte e os possíveis erros que o poder judiciário possa cometer executando um inocente, e a outra é a questão sobre reality shows. No meio da trama, assistindo a tv, Vernon se depara com uma discussão inusitada sobre a produção de um "reality show" que iria transmitir para canais a cabo e internet a vida e o dia-a-dia de prisioneiros que aguardam no corredor da morte suas execuções. Na realidade, o "reality show", é mais uma forma de manipulação da mídia. Segundo Gui Debord*, "toda a vida das sociedades nas quais reinam as modernas condições de produção se apresenta como uma imensa acumulação de espetáculos. Tudo o que era vivido diretamente tornou-se uma representação(Debord,1967,13). É o que pode-se observar nos "realities shows"; a realidade é representada. Assistimos a uma espetacularização do privado e do cotidiano. Com o advento da "Indústria Cultural", a mídia passa a ter um papel alienante, ou seja produz programas e formas de entretenimento que visam aumentar o consumo, modificar hábitos independente da formação cultural de uma sociedade, educar e informar ultrapassando valores éticos e morais. " A mídia infantiliza. Uma pessoa (criança ou não) é infantil quando não consegue suportar a distância temporal entre seu desejo e a satisfação dele"(Chauí, 1995, 333)*. Saulo Pedrosa da Fonseca Rios Vide * Vernon God little- DBC Pierre *A sociedade do Espetáculo- Gui Debord *Convite à Filosofia- Marilena Chauí enviada por Comufv2004 09/02/2007 08:30 PROGRAMA DE ACELERAÇÃO DO CRESCIMENTO - PAC ECONOMIA Cleverson SantAnna Vinte e dois dias após o início do seu segundo mandato, o presidente Lula lançou o Plano de Aceleração do Crescimento PAC, para destravar a economia e criar condições para que o Brasil cresça 4,5% esse ano e 5% ao ano no resto de seu mandato. Auxiliado por ministros petistas, Lula lançou o PAC em cerimônia de pompa, reunindo 20 governadores, ministros e líderes partidários. A repercussão do lançamento do pacote foi grande nas mídias televisivas, impressas e na internet. O PAC prevê investimentos de R$ 503,9 bilhões até 2010, redução de impostos e controle de gastos. Passado o impacto inicial do lançamento, a badalação e as manifestações de apoio, o pacote começa a ser analisado por governadores, prefeitos, empresários e trabalhadores. Dos R$ 503,9 bilhões anunciados, somente R$67,8 bilhões tem origem definida, pois saem do orçamento da União (cerca de R$16,5 bilhões por ano). O restante viria da iniciativa privada e das estatais. Para se ter uma idéia de quanto esses valores representam, segundo a Folha de São Paulo, o Governo Lula investiu apenas R$39,7 bilhões no primeiro mandato e gastou R$439,3 bilhões com o pagamento de juros do setor público. O jornal Estado de Minas (EM) do dia 23 de janeiro, em sua manchete de capa, manteve o clima de euforia dos telejornais da noite anterior (Jornal Nacional e Jornal da Band), com as palavras PROGRAMA PARA O BRASIL CRESCER. O Estado de Minas dedicou 9 páginas do primeiro caderno ao PAC, só que nas páginas internas concedeu espaço para governadores, empresários, economistas e prefeitos opinarem sobre o pacote. Com ênfase no estado de Minas Gerais, o EM explorou as críticas do Governador Aécio Neves (PSDB) ao PAC, reclamando de não ter sido consultado; da não estadualização das rodovias federais; da não transferência dos recursos da Contribuição sobre Intervenção do Domínio Econômico (Cide) para o estado; da diminuição de arrecadação do estado com a queda de impostos e com a pouca verba destinada a rodovias, portos, aeroportos, hidrovias, ferrovias e metrô. Além disto, Aécio critica a ausência de garantia pelo Governo de que não haverá contingenciamento dos Recursos do Fundo Penitenciário Nacional de Segurança. Quanto à menção no PAC da criação de 700 vagas de estacionamento no aeroporto de Confins, Aécio Neves disse que deve ter sido brincadeira. Por outro lado o Prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel (PT) elogiou o pacote e demonstrou estar satisfeito com a destinação de R$186 milhões para obras no metrô, segundo ele suficientes para concluir a Linha 2 Calafate Barreiro. A Folha de São Paulo do dia 23 de janeiro, tanto no primeiro caderno, quanto no Caderno Dinheiro, expressou uma recepção bem menos otimista ao PAC, enfatizando a desconfiança de economistas, empresários, governadores e políticos tucanos com o pacote. A Folha fez um grande detalhamento do PAC e utilizou opiniões de especialistas, de governistas e de opositores. No geral, quem leu as matérias da Folha não deve ter se empolgado muito com o pacote do governo federal. No mesmo dia 23 de janeiro, nos sites jornalísticos da internet (UOL/Folha Online, Uai/Estado de Minas, InvestNews, Gazeta Mercantil.com.br, Reuters, InfoMoney, Valor Online, Agência Brasil e JB Online), houve uma profusão de matérias sobre o PAC, que foi extensamente explicado, detalhado e analisado em todas as suas facetas. Os sites jornalísticos da Web foram bem mais analíticos, sem tomar posição favorável ou contrária ao pacote, mas dando espaço para opiniões de governistas, oposicionistas, economistas, empresários, governadores e prefeitos. Quem ganha e quem perde com a implementação do PAC? Houve um consenso entre os veículos analisados de que o PAC beneficia a indústria da construção civil, a indústria de eletrônicos (TV digital) e a indústria de computadores. Há também, no pacote, medidas de estímulo ao crédito e ao financiamento, o que poderia aquecer o mercado da construção civil. Apenas a Folha de São Paulo tocou de leve no tema quem perde com o PAC. Mais uma vez o elo fraco da cadeia é chamado a dar a sua cota de sacrifício. Os servidores públicos federais do executivo, os aposentados e os trabalhadores que ganham salário mínimo serão os mais atingidos pelo pacote. Ou seja, de novo é o povo que paga o PACto. enviada por Comufv2004 08/02/2007 14:15 A POSSE E A ELEIÇÃO NO CONGRESSO NACIONAL Qual é o seu papel na história? Por Marihá Garcia Eleições 2007. Os brasileiros devem estar se perguntando: como assim? Não tivemos eleições no ano passado? Ou será que o Lula foi cassado por causa daquele rolo com o tal do mensalão? Não, é isso mesmo que estamos vendo, ouvindo e lendo nos telejornais, rádios e jornais de todo o país: 2007 também é um ano de eleições, mas não para a escolha do novo presidente do Brasil, e sim da Câmara Federal. Será que o voto para presidente da Câmara também é obrigatório? Que dia é a eleição? As dúvidas não param, pelo contrário. Agora, a nova eleição não conta com a preferência de quase 100 milhões de brasileiros e sim de somente 513 eleitores: os deputados federais. O Presidente escolhido será aquele que se pronunciará coletivamente e supervisionará os trabalhos dos deputados. Além disso, ao maior posto da Mesa Diretora da Câmara caberá outra função de extrema relevância para a política brasileira: a responsabilidade de substituir o Presidente da República, de acordo com os termos do artigo 80 da Constituição. E a disputa pela presidência da Câmara foi tão ou mais acirrada que a das eleições do ano passado. Ambas tiveram segundo turno, mas para a escolha do chefe da Câmara houve somente três candidatos que tinham exatamente 510 votos a serem conquistados, já que obviamente, cada um dos aspirantes a cadeira da presidência votou em si mesmo. Além disso, pairava um conflito um tanto quanto interessante no ar: a base governista apresentou dois candidatos, o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) e Aldo Rebelo (PC do B-SP) que tentara a reeleição. Enquanto a oposição foi representada por Gustavo Fruet (PSDB-PR). Aqui não houve pesquisa do Ibope, ou do Data Folha, encomendada por um ou outro veiculo de comunicação. Chinaglia, Aldo e Fruet, cada um correu atrás do seu provável eleitor. Acordos entre os partidos foram pensados, planejados, feitos e às vezes desfeitos. Os votos são calculados segundo as possíveis mudanças de opinião dos deputados. Nesse tipo de eleição é comum aceitar que o eleitor, no caso o deputado, tem e pode exercer o benefício da dúvida ao contrário das pesquisas que são feitas durante as eleições para Presidente da República, em que os números sempre correspondem á fiel opinião do eleitor. E é aí que a política revela explicitamente seu lado mais desprezível: o eterno jogo de interesses. A isso, somam-se as peregrinações a cada gabinete, a caça do apoio incondicional às propostas de governo. Cada voto foi milimetricamente computado pelos candidatos. O mais curioso é que os números que cada um provavelmente teria, chegou a superar o número de deputados existentes na Câmara. E aí começavam as especulações sobre quem poderia ou não trair determinado candidato. Isso mesmo que está escrito: traição. Para se ter uma idéia, Chinaglia, candidato eleito, venceu Aldo Rabelo por 261 a 243 votos. 18 votos que representaram uma diferença apertada, mostrando que algumas desistências de deputados que supostamente apoiavam um ou outro candidato, devido a posição dos partidos, podem sim ter influência significativa. Verdadeiras campanhas publicitárias foram montadas. Com slogan e tudo o mais que cada deputado tinha direito para atrair os votos de seus prezados colegas. Como, por exemplo, a carta de compromisso e o cartaz que Gustavo Fruet distribui nos gabinetes com a seguinte frase: "Esta é a Câmara que o Brasil quer". Porém, a empreitada teve suas exceções: nada de propaganda obrigatória gratuita na mídia, ou de carros de som nas ruas na véspera da eleição. Afinal, os eleitores são outros. E o contato corpo a corpo é o mais recomendável. Para termos uma real visão da importância de uma eleição como esta, o Congresso organizou um debate entre os candidatos, exibido ao vivo pela TV Câmara no dia 29 de Janeiro, três dias antes da eleição. E o mais interessante disso foi a manifestação do exercício da democracia: semelhante ao último debate do segundo turno das eleições presidenciáveis de 2006, a população brasileira pôde interferir diretamente, enviando perguntas aos deputados pela internet e pelo Disque-Câmara (0800 619619). E é nesse ponto que a história fica muito mais complexa do que parece. Quem, na verdade, são os maiores atingidos com a escolha do novo presidente da Câmara? A população em geral, ou os deputados? Você obviamente deve estar pensando: os deputados, claro. Afinal, foram eles que votaram. E de certa forma a resposta tem coerência, já que campanha e promessas foram feitas aos parlamentares. Mas quero que o benefício da dúvida passe despercebido. E o cidadão comum? Não teve vez? Teve. No debate ele teve vez. O espaço estava aberto para opiniões, questionamentos e críticas. Mas quem sabia, de fato, desse detalhe? A TV Câmara não é um canal aberto, como Rede Globo ou SBT. Seu sinal é distribuído na rede de tv por assinatura, e também pode ser captado por antena parabólica. A inclusão digital ainda não alcançou todos os quatro cantos do país. E para agravar ainda mais a situação, o brasileiro não possui uma formação política. Por isso fica explícito que poucos são aqueles que dominam, conhecem ou, pelo menos, se interessaram por esse tipo de acontecimento. A política do Brasil nem sempre é acompanhada, pensada, e, consequentemente, bem quista. Também é fato que a mídia contribuiu, e muito, para que o assunto fosse colocado na pauta de muitas discussões de uma maneira um tanto quanto superficial. Já que não se viu um resgate da história das eleições na Câmara Federal, o que mostra uma falta de comprometimento com a população, que em sua maioria, não está atenta para a responsabilidade que os deputados tinham e continuam a ter diante da sua escolha, mesmo após a eleição. É fato que o tema foi amplamente difundido das mais diversas maneiras. As formas de se discutir a eleição não deixaram a desejar: podemos acompanhar o desenrolar dos acontecimentos tanto através do jornal impresso, nosso mais antigo companheiro, como através de sites e blogs,que muitas vezes conseguem ser mais eficazes e velozes no divulgação da informação do que a tv. Por isso não devemos retirar o mérito da imprensa brasileira, que cumpriu o seu papel. A eleição aconteceu. E foi um sucesso. Afinal, entre mortos e feridos, salvaram-se todos. Chinaglia terá pela frente um mandato de 2 anos, Aldo Rebelo continuará na base governista, mas já anuncia apoio a Ciro Gomes em 2010, a Fruet restará mesmo a oposição. Recomeçam as especulações, a politicagem. Recomeçou o jogo de interesses, a busca pelo apoio nas bancadas, a troca de favores, a cobrança dos juros e correção monetária. Será que também, dessa vez, a opinião do brasileiro será requisitada? Será que o país tomou e tomará conhecimento do que acontecerá em Brasília? Sugestões ou críticas ligue 0800 619619. Teremos o prazer em ouvi-lo. enviada por Comufv2004 08/02/2007 12:44 O Cinema Nacional e o Mundo Virtual Por Rafael Munduruca O Cinema Nacional esta espalhado de norte a sul. Os festivais de cinema, não só, popularizaram as produções, como também, estimularam novas criações. Um dos festivais brasileiros mais conhecidos no exterior e nem tanto no país, é o Amazonas Film Festival , que acontece em Manaus, patrocinado pela Coca-Cola e que organiza oficinas de realização em audiovisual, oferecendo a jovens locais a oportunidade da experimentação do cinema em produções de um minuto, nas quais, os aprendizes passam por todos os processos, do roteiro a finalização. As novas tecnologias, o barateamento de equipamentos (ainda é caro, mas antes era dez vezes mais), a oportunidade de contato com as técnicas e boas idéias no papel permitem que os festivais de cinema contem cada vez mais com uma amostragem de produções de todo o país. Foi o caso do Olhares, que aconteceu em fevereiro de 2006 em Viçosa - MG, e que teve produções de 14 estados, das cinco regiões do país. Mas o ponto mais importante nesta discussão é um grande problema que esses jovens produtores (jovens no sentido de iniciantes, pois essas produções são realizadas por pessoas das mais variadas idades) e os produtores adultos enfrentam - a distribuição. O Brasil possui um mercado cinematográfico de distribuição muito bem estruturado, no entanto este é fechado e quase exclusivo para produções norte-americanas ou da Globo Filmes. Nem sempre foi assim, isso aconteceu após Collor ter feito alguns estragos no cenário político nacional, entre eles, a canetada que decretou o fim da Embrafilmes, empresa estatal de distribuição de filmes brasileiros. No entanto, o avanço da tecnologia e a evolução da própria internet permitiram que uma nova janela de exibição abri-se espaço para divulgação e veiculação de curtas, médias e longas-metragem nacionais. Sites como o YouTube e o GoogleVideo abrem este espaço, gratuitamente, para hospedar e exibir vídeos. O YouTube , tem milhares de vídeos carregados e com conta acesso de mais de 100 milhões de vídeos todos os dias. E uma grande conquista para os produtores e diretores do cinema nacional é o fato de o site estar estudando uma forma de repartir suas receitas publicitárias com os internautas que postam vídeos e que possuem muitos acessos. Uma pequena mostra dessa revolução do mundo virtual influenciando o cinema nacional é o filme Cafuné . É possível baixar o filme pela rede e não só assisti-lo, mas também, remontá-lo, tornando a montagem e apreciação do filme uma experiência única e exclusiva para cada internauta/espectador. Esse processo de distribuição virtual é uma via de mão dupla, oferecendo oportunidade para os produtores de difundirem seus vídeos, bem como dos consumidores transformarem-se também em produtores. Quem sai ganhando com isso é o público, que apesar de um número de produções cada vez mais toscas passarem a existir, o cinema exigirá uma profissionalização cada vez maior. E é melhor o cinema brasileiro ter 100 filmes por mês, sendo dez muito legais, do que ter cinco que não mereciam nem ter sido rodados. Apesar de a internet ainda não estar ao alcance de todos, essa janela de exibição para o cinema nacional é uma verdadeira democratização da comunicação. Curta! Ficção Em Meio a Multidão - Produzido no Um Amazonas Amazon Film Festival Animação ZOO Documentário Liberdade Essa Palavra Parte 1 Documentário Liberdade Essa Palavra Parte 2 enviada por Comufv2004 08/02/2007 10:38 Nas locadoras, a história da guerreira Zuzu Angel Randy Razuq Ferreira Depois de ser visto por mais de 600 mil pessoas nos cinemas e de fazer sucesso entre a crítica especializada, começa a chegar às locadoras de todo o país o filme Zuzu Angel. Dirigido pelo competente Sérgio Rezende, que também participou do roteiro, o filme é uma boa opção para os cinéfilos que sentiam a falta do tema ditadura militar nas telonas. Baseada em fatos reais, a superprodução conta a história de Zuleika Angel Jones, a Zuzu, modista brasileira que se transformou em uma estilista conhecida internacionalmente nos anos 60. Seria a história de uma mulher comum, se ela não tivesse sido uma das personalidades que mais incomodaram a ditadura. Interpretada com louvor pela belíssima Patrícia Pillar, Zuzu era até certa fase de sua vida alheia à situação política do Brasil. Bem diferente foi seu filho Stuart (Daniel de Oliveira), que ainda jovem ingressou na luta clandestina contra o regime. Com o desaparecimento de Tuti, como era carinhosamente chamado pela mãe, Zuzu o procura desesperadamente, até receber uma carta que denunciava a morte de seu filho nos porões da ditadura. É quando passa a buscar pelo corpo, que nunca foi entregue à família. O amor de mãe fala mais alto que as diferenças ideológicas, e Zuzu dá início a uma série de ações em protesto pelo assassinato de Stuart. No filme, é mostrado o momento em que a protagonista recorre até ao então secretário de Estado norte-americano, Henry Kissinger. A sede por justiça repercute na moda de Zuzu. Ela, que antes fazia vestidos para esposas de militares, transforma seu trabalho em instrumento de contestação. Novos tons e estampas denunciam a revolta diante da falta de liberdade política no Brasil. Desta forma, a personagem confirmou na prática o que certa vez disse em entrevista a uma jornalista americana: moda é comunicação. Outro mérito do filme são as cenas de tortura, comoventes e realistas ao retratar a arrogância e os abusos dos militares. Emocionante é o desfecho da história, com a cena do acidente de carro, provocado, que matou Zuzu em 1976, na saída de um túnel no Rio de Janeiro que hoje leva o seu nome. Emoção ainda na trilha sonora de Cristóvão Bastos. O destaque é a música Angélica, composta por Chico Buarque em homenagem à estilista morta. Grande amiga do cantor, foi com ele que Zuzu antes de morrer deixou uma carta dizendo que, se algo lhe acontecesse, seria obra dos mesmos assassinos de seu filho. Mais que tensa e dramática, a história de mãe e filho que pagaram com a vida o preço da liberdade se mostra, sobretudo, oportuna. Relatos desta natureza motivam a sociedade a dar valor às instituições democráticas, sem as quais o cidadão não pode fazer o que há de mais essencial: agir segundo a própria vontade. O povo precisa substituir a descrença total com a política brasileira pela lição de que a realidade de agora poderia ser bem pior. Trabalho interdisciplinar de Redação em Jornalismo III e Preparação e Revisão de Originais (Multimídia) enviada por Comufv2004 07/02/2007 22:15 Trabalho interdisciplinar de COM 341 e COM 381 Confusão de valores: a espetacularização da fé Por Carla Mendes O Papa é pop, o Papa é pop e o pop não poupa ninguém. Este é um trecho de um Hit dos anos 80, que fez sucesso na voz dos Engenheiros do Havaí. Passados mais de 20 anos, nada é mais atual do que o refrão, no que diz respeito à tão esperada visita do Papa Bento XVI ao Brasil. O pontífice ficará no país de 09 a 13 de maio para inaugurar a V Conferência Geral dos Bispos da América Latina e Caribe, que acontecerá de 13 a 31 de maio, na cidade de Aparecida do Norte, interior de São Paulo. A basílica, que recebe oito milhões de pessoas por ano, em apenas três dias deverá receber cerca de um milhão de romeiros. É certo que o fato de o Brasil ser o primeiro país fora da Europa a receber a visita de Joseph Ratzinger, desde que assumiu o pontificado, seja um privilégio para a população católica, principalmente, mas nada justifica a espetacularização e desembolso de cerca de US$ 1,2 milhão, como tem sido divulgado pela mídia. Como quem vai receber um astro de Hollywood, a Igreja Católica prepara uma megaprodução que, segundo o arcebispo Dom Raymundo Damasceno Assis, terá repercussão mundial: "as equipes de comunicação da V Conferência e da visita do Santo Padre estão trabalhando intensamente para criar uma infra-estrutura que permita transmitir a viagem do Papa e também os trabalhos da V Conferência não só para a América Latina, mas para o mundo todo". Há quem diga até mesmo que algumas pessoas estão pensando em vender ingressos para a visita, como se estivessem promovendo um show de circo. A fé sendo comercializada mostra que a ganância pelo dinheiro faz muitos perderem a noção do verdadeiro significado de uma visita como esta: o Papa é (pelo menos pelo que prega o catolicismo), o representante divino na Terra, um exemplo de fé católica, evangelização e caridade, e não um astro da Broadway. Até a Igreja se insere no mundo tecnológico - A visita de Bento XVI já tem, inclusive, um site oficial, inaugurado quinta-feira, dia 1º de fevereiro. O grande evento será custeado pelas igrejas, que também receberão ajuda de outros patrocinadores como, por exemplo, a Fundação das indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que forneceu recursos para reformar o Seminário Bom Jesus, local que irá hospedar o papa. Falando nisto, todos os 38 monges que vivem no andar em que Bento XVI e sua comitiva ficarão hospedados serão transferidos para um outro andar do Mosteiro. Será que algum de seus companheiros lhe faria mal? Eu acho que não... É curioso imaginar que representantes de uma religião que sempre deu valor às coisas simples, nunca exaltou a riqueza e a ostentação, estejam sendo coniventes com alguns números: R$ 900 mil (levantados através de doações de fiéis) para a construção do palco onde o Papa realizará a missa; mais de R$ 500 mil para hospedagem de 300 religiosos vindos de 22 países para Aparecida; quase R$ 900 mil destinados aos sistemas de comunicação para a realização da cobertura do evento, dentre outros gastos exorbitantes que, se somados, ajudariam a minimizar muitos problemas sociais, como a fome e necessidades básicas de muitos brasileiros. Não quero dizer que a visita é pouco importante, mas o que incomoda são os exageros. Segundo o representante do Vaticano, frei Hanz Stapel, os gastos não param, por aí: "Ainda não sabemos quanto vamos gastar. A cada dia, a conta aumenta. Estamos construindo uma casa para os bispos, um palco e uma nova igreja". Além disso, serão instalados telões digitais e cabines de tradução (inglês, alemão, russo, italiano e tagalo, o idioma das Filipinas). Estão cogitando até mesmo a instalação de torres de telefonia celular no local, mediante acordo com empresas do ramo. Lá vêm mais despesas... Os meios de comunicação terão atenção mais que especial. Os organizadores afirmam que será fundamental investir na divulgação através do rádio, TV e Internet para levar a mensagem do Evangelho, a mensagem do Santo Padre e também os trabalhos e os resultados da V Conferência. Vou incluir, por minha conta, a divulgação da infra-estrutura e das empresas patrocinadoras. E as pessoas anônimas que doam suas vidas em prol dos mais necessitados, muitas vezes não tendo dinheiro para sustentarem com conforto nem a si mesmas? Estas dificilmente terão, um dia, a atenção das câmeras. Finalmente, fica uma reflexão...Será que a banalização de tudo, tão na moda ultimamente, atingiu até mesmo o campo sacro? Vendo todos os dias milhares de pessoas passando fome e frio pelo mundo, vale a pena gastar milhões em estrutura para apenas um dia? Será que fazendo isso estão agradando a seu Deus? Sinceramente acho que tanto luxo e ostentação não faziam parte dos planos do criador... enviada por Comufv2004 07/02/2007 09:28 A repercussão do PAC na mídia Por Natália Batista Borges Há pouco mais de uma semana muito se escuta falar sobre o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A imprensa, de um modo geral, destina espaços exorbitantes com intuito de abordar este tão polêmico assunto. Entrevistas que ocupam uma página inteira do jornal, visões de partidos diferentes e um festival de críticas desenfreadas e muitas sem anexo algum. Observando minuciosamente as matérias publicadas no jornal O Estado de São Paulo, fica evidente a total parcialidade do jornal ao retratar tal acontecimento. Vocabulário, espaço destinado à matéria, foto, legenda, tudo se interage de maneira a induzir o leitor. Este, sem malícia alguma acaba formando sua opinião baseado em um jornal que não preza pela imparcialidade. Muito se prega a bendita imparcialidade, falar é fácil, mas na prática não se vê textos isentos de ideologias, o difícil acaba sendo cumprir tal teoria. Logo na primeira página do caderno Economia vê-se uma matéria estampada sobre o fato, Um dia depois do Copom, Mantega recua e defende a autonomia do BC. A princípio, não há nada o que questionar. Mas ao prosseguir a leitura fica nítida a posição do jornal perante o acontecido. As palavras escolhidas para tratar o tema acabam por ridicularizar o atual governo. Além disso, torna o fato como sendo um espetáculo e não como algo de extrema importância para a população. Se não bastasse, a legenda da foto passa uma certa incredibilidade do governo, na qual o presidente tenta manipular as opiniões de Mantega e Meirelles. Outra questão que comprova essa falta de isenção é que o Estado de São Paulo prioriza a matéria da oposição, ao publicar em sua primeira página a versão do Serra, contrária ao programa. Em nenhum momento fora citada a versão do presidente. Que jornal é esse que não houve o outro lado da história? Críticas e mais críticas foram publicadas pelo jornal, mas em nenhum momento fora apontada as soluções para os possíveis erros do programa. É notório o jogo de interesses existente e, a manipulação das informações acaba beneficiando alguns. O jornal escreve aquilo que lhe convêm e não o que de fato representa a expressão da verdade. O jornalismo ético, imparcial e digno que os manuais de redação tanto prezam, não existe mais e se existe são poucos. É um absurdo, mas a política do jornal prevalece sobre a honestidade dos jornalistas. enviada por Comufv2004 07/02/2007 08:39 Rio de Janeiro: O problema é mais embaixo Por Dayana dos Santos Silva Um dos fatos mais perversos e revoltantes dos últimos escândalos envolvendo a realidade brasileira diz respeito ao que vem ocorrendo no Rio de Janeiro, que teve seu ápice no início do ano. São cidadãos inocentes pagando com a própria vida o preço de um Estado relapso e uma justiça desorganizada. E é exatamente dessa brecha de que o dito Estado paralelo necessita para se validar. O que gera um estado ainda mais perplexo é a maneira como os principais meios de comunicação do país (leia-se, principal não significa bom nem informativo) têm divulgado o fato. Isso pôde ser evidenciado numa publicação especial da Revista Veja, do dia 10 de Janeiro de 2007. Com matérias especiais ligadas a verdadeiros extermínios humanos, a revista se propôs a encontrar soluções para o problema: Nas próximas quarenta páginas, VEJA faz uma contribuição a esse bom combate, não só revelando entranhas e contornos do mundo da bandidagem, como propondo soluções para extirpar as raízes desse mal. E assim o faz com o seguinte subtítulo existente nos finais de todas as matérias: Como resolver o problema Primeiro: as soluções teóricas são facílimas de serem apontadas, além disso, as possibilidades de prática se encontram totalmente distanciadas do que sabemos estar por trás da Revista Veja e de suas verdades ideológicas, que certamente estão aquém de qualquer tentativa de interferência na realidade social. Segundo: detectar que uma das grandes falhas do Estado está na deficiência de presídios, e oferecer dados numéricos sobre a superlotação das cadeias, é pensar muito superficialmente sobre o assunto, qualquer um sabe disso. Analisar o problema a partir de suas conseqüências é alienar-se da realidade dos fatos. Já que o Jornalismo se diz instrumento de causas sociais, caberia à Revista ir diretamente nas raízes do problema. Não é necessário ocupar-se de metade da revista para desenvolver esse raciocínio. Apenas uma matéria seria suficiente para apontar que um país que não investe em educação, saúde, emprego, enfim, no mínimo de dignidade de seus cidadãos, assiste a espetáculos como os atentados como o do Rio de Janeiro, a atuação do PCC em São Paulo, e a tantas mazelas que presenciamos rotineiramente. Construir presídios, definitivamente, não resolve o problema. enviada por Comufv2004 07/02/2007 00:01 O imediatismo da mídia esportiva nos resultados da seleção brasileira de futebol Por Ulisses Vasconcellos É comum no jornalismo esportivo brasileiro a intenção de tocar fundo na paixão do torcedor. O futebol se tornou incomparavelmente o esporte de maior preferência nacional, e isso é explorado a ponto de determinados jornalistas ou programas esportivos serem repugnados por torcedores de algumas agremiações. Entretanto, nada mexe mais com o brasileiro, nada une mais o país e nada dá mais audiência, em termos esportivos, do que a seleção brasileira de futebol. Nos últimos oito meses, o Brasil esteve presente em duas competições internacionais deste esporte. A Copa do Mundo e o Campeonato Sul-Americano sub-20. A primeira é o topo das competições. Já o Sul-Americano, decidido domingo 28 de janeiro de 2007, é uma competição regional, sem tanta repercussão internacional, mas que pela primeira vez na história conferiria ao vencedor o direito de disputar o Mundial sub-20 e as Olimpíadas de 2008, em Pequim. A seleção brasileira foi eliminada nas quartas-de-final de Copa do Mundo. Os meninos do sub-20 foram campeões. Entre os dois torneios há um abismo de importância, é fato, porém, a mídia esportiva explorou cada resultado da maneira considerada mais impactante. Quando os astros da seleção principal perderam para a França, deixaram de ser os melhores do mundo, o Quadrado Mágico. A certeza do hexa-campeonato do mundo se converteu em um sentimento de frustração, e craques como Ronaldinho Gaúcho, viraram sinônimos de irresponsabilidade e culpa. E tudo isso pela derrota para uma equipe que mais tarde foi vice-campeã do torneio. Antes dessa partida, eram quatro jogos, e quatro vitórias. Depois desse jogo, a vida profissional de muitos dos atletas que estavam em campo sofreu transformações significativas. Parte deles anunciou que não mais vestiria a camisa amarela. Outros são vistos com desconfiança. E a imprensa contribuiu muito para isso. A mídia pode formar conceitos, e se tratando de um assunto no qual o receptor das informações tanto se envolve afetivamente (para o lado bom e o ruim) o caso se torna mais sério. Já o torneio terminado recentemente, o caminho foi um pouco inverso. Enquanto na Copa todos acompanhavam e o resultado não agradou, no Sul-Americano o Brasil foi campeão sem muito estardalhaço. No final da competição é que ela ganhou mais força nos noticiários à medida que os adversários ficavam para trás. Enquanto na Copa a seleção havia vencido todas as partidas anteriores à da eliminação, os jovens brasileiros carregavam três empates. A vaga para os Jogos Olímpicos de 2008 está assegurada. E agora começa em cima dos atletas campeões sul-americanos o tradicional favoritismo e a pressão para que consigam a tão esperada medalha de ouro olímpica. Do time mau-caráter, mercenário e sem vontade da Alemanha aos jovens de ouro que vão para Pequim, é no imediatismo que se pauta grande parte da imprensa de esportes no país. E se dentro do futebol nacional, um mínimo de imparcialidade é sempre de bom tom, no que se refere à seleção, é explícita a intenção de atingir o emocional do torcedor. Amor ou ódio. Euforia ou frustração. Idolatria ou até aversão. Audiência! Brasil - Campeão Sul-Americano Sub-20 2007 Texto na íntegra em http://issoqueeufalei.blig.ig.com.br/. enviada por Comufv2004 06/02/2007 23:24 James Brown: morto e ressuscitado Por Renan Capodeferro Morre aos 73 anos, James Brown, o pai do soul. O cantor norte americano teve complicações com uma pneumonia e havia sido internado em um hospital em Atlanta. No dia 25 de dezembro de 2006, o mundo perdia uma grande mente criadora, que influenciou várias gerações e movimentos musicais. Esse foi o trato dado pela imprensa em sua grande parte á esta notícia. A maioria dos veículos de comunicação trouxe essa informação da mesma maneira, com um lead direto do acontecimento, porém, lembrando o leitor sobre quem foi James Brown. Ou ressucitando-o. Logo após o bafafá inicial, os veículos se encarregaram de trazer uma biografia ou histórico mais detalhado sobre obra e vida do cantor. Alguns se prenderam apenas a pequenas notas, como é o caso do portal Whiplash, que pecou pela aparente displicência ao tratar tal personalidade do mundo da música. Já no Uol Música, houve uma espécie de homenagem ao Funk Soul Brother com uma série de matérias que extrapolaram as biografias que estavam prontas na gaveta, recriando de uma forma mais clara a imagem de James Brown. A Folha On Line, cedeu um espaço honesto ao fato. Não mostrou a indiferança do Whiplash e também não floreou demais. O rei do swing, de fato, teve sua importância no cenário da música mundial, estabelecendo parâmetros para diversas manifestações posteriores como o rap e o funk. Até mesmo a música disco tirou lições de como sobrepor o baixo e a bateria na música, a fim de criar aquele groove cheio de balanço. A figura extremamente carismática de Brown também teve importante papel político na disseminação da cultura negra quando dizia Im black and Im proud. A maneira de se apresentar, o modo como revolucionou a visão musical e suas posturas perante a sociedade, criaram a imagem de uma personalidade que efetivamente exerceu influência, ao menos indireta, em diversas gerações. O fato é que, por mais que ainda estivesse realizando shows, a produção de James Brown já havia se esgotado há muito. O que ele tinha que fazer já foi feito na década de 70. É o que acontece com muitos dos gênios da história, há um limite para a capacidade inventiva. E o que se sucedeu foi uma tentativa, natural no trato com esse tipo de acontecimento pela mídia em geral, de criar um mito. Porém, dessa vez, a coisa aconteceu de forma saudável, pois não apagaram os problemas que James teve com drogas e nem as mulheres em quem ele bateu. Não fizeram com ele virasse um Deus, como Ayrton Senna ou os Mamonas Assasssinas. O que se conclui do modo como a mídia tratou o fato é que o Senhor Dinamite morreu para ser ressuscitado como um mito humano, que será sempre lembrado pelo legado que deixou. Uol Música Folha On Line Whiplash enviada por Comufv2004 06/02/2007 22:21 Ronaldo, a volta por cima? Diferentes interpretações da mídia sobre a transferência do Fenômeno para o futebol Italiano Por Matheus Espíndola Terminou, após várias semanas de especulações, a novela da transferência de Ronaldo do Real Madrid para o Milan. Aos 30 anos, o jogador vai defender as cores do sétimo clube de sua carreira meteórica, que começou como profissional em 1993. Antes de chegar ao rubro-negro de Milão, Ronaldo passou pelo São Cristóvão e pelo Cruzeiro, no Brasil, e pelo PSV Eindhoven, Barcelona, Internazionale e Real Madrid, na Europa. Mesmo sendo vítima de várias lesões, faturou, em três oportunidades, o prêmio de melhor jogador do mundo pela FIFA. Desde o início do mês de janeiro, Ronaldo vinha sendo afastado pelo recém-contratado treinador Fabio Capello. Sua última temporada na Espanha foi bastante apagada e, além disso, foi um dos responsabilizados pelo fiasco brasileiro na Copa da Alemanha. O Fenômeno, como ficou conhecido desde quando defendia a Internazionale, desligou-se do clube espanhol pela relativa bagatela de 9,7 milhões de dólares. Em 2002, o centroavante havia sido comprado pelo Real por 50 milhões, o que representa uma desvalorização de mais de 80% do seu passe. A mídia interpretou o acontecimento de diferentes maneiras. Alguns sites, como o globoesporte.com, abordaram com entusiasmo a transferência do Fenômeno. Esta seria a grande oportunidade para que ele recobrasse o brilhantismo de outros tempos. Uma de suas manchetes é: Espanhóis acreditam na volta por cima de Ronaldo. A matéria trata de uma enquete realizada por um jornal espanhol, na qual 55% dos votantes manifestaram esperança no retorno do craque. Além desta, o globoesporte.com também foi otimista na divulgação das boas vindas de seus novos companheiros a Ronaldo e do sucesso de vendas de camisas com seu nome. No site do jornalista Milton Neves, nenhuma euforia no anúncio: Sem glamour, Ronaldo chega ao Milan. A cobertura do primeiro treino de Ronaldo na volta à Itália também teve diferentes abordagens. O site mineiro superesportes evidenciou o baixo número de torcedores e também a opinião dividida da torcida e da imprensa italiana. Ainda mais incisiva, a manchete no terraesportes é: Nenhum torcedor recebe Ronaldo no CT do Milan. Enquanto isso, o gazetaesportiva.net anunciou com os seguintes dizeres a apresentação do atacante: Ronaldo treina com elenco do Milan e recebe elogios. Mas também pôde ser observada a imparcialidade na interpretação feita pelo site do estadão. A notícia, divulgada em 31 de janeiro, não desvaloriza o tema, tampouco manifesta entusiasmo exacerbado. Ela cita porém, não na manchete a inesperada ausência de torcedores para prestigiar o ídolo. Por outro lado, menciona o otimismo de Ronaldo, inclusive, quanto à sua volta à seleção. Um mesmo fato visto por diversas angulações é uma das características marcantes da grande mídia. Logo na abertura do site oficial do Milan, o nome de Ronaldo aparece estampado em letras garrafais. Mas, como foi observado, o atacante está longe de ser unanimidade e muitos alimentam sérias dúvidas quanto ao seu valor. Acontece que inúmeros fatores e interesses são considerados para ditar a maneira pela qual será divulgada a notícia. Chega-se a cogitar até que a própria contratação do jogador, um dos mais badalados dos últimos anos, tenha sido baseada numa estratégia de marketing por parte do clube italiano. Antes mesmo que Ronaldo tivesse sido apresentado à claque do Milan, haviam sido vendidas milhares de camisas com seu nome e o número 99, que ele passará a usar. Dessa forma, cada meio veicula a informação da maneira que lhe convier. Mais do que vai representar a opinião do profissional do jornalismo, a notícia que veiculará será a que mais vende, e a que atende aos interesses da empresa e ao dos anunciantes. enviada por Comufv2004 06/02/2007 21:39 Schumacher em pânico Por Marcos Oliveira O programa Pânico na TV é exibido todos os domingos às 20:00 h e reprisado às 23:00 h de sexta feira na rede tv. O semanal humorístico não se enquadra no gênero jornalístico, mas como crítico sagaz da mídia, além de desmistificar ícones, pôr em terra lugares comuns, clichês, além de satirizar o jornalismo tal como é produzido e a ética profissional, muitas vezes hipócrita. Com matérias classificadas muitas vezes como toscas, o Pânico na TV conquistou o público sem deixar de tratar os assuntos polêmicos e de repercussão nacional. O programa do dia 22/10/2006 apresentou a matéria feita pelos humoristas Ceará, vulgo Silvio Santos e Rodrigo Scarpa, mais conhecido como Repórter Vesgo, sobre o grande prêmio do Brasil de Fórmula 1 em São Paulo. Os fictícios jornalistas participaram da entrevista coletiva, promovida no autódromo de Interlagos, com, o até então piloto da Ferrari, Michael Schumacher. Além de falar da corrida, o alemão trataria com a imprensa a respeito de sua despedida das pistas que aconteceria em território brasileiro. A esses temas somava-se a disputa do título mundial de fórmula 1 entre Schumacher e o espanhol Fernando Alonso. O contexto era não só de repercussão nacional como também mundial. A imprensa de vários países do mundo falava do alemão. Mas uma pergunta ganhou destaque: Schumacher, se você acordasse num grande prêmio importante, olhasse para o espelho e visse o Rubens Barrichelo o que você faria? Esta pergunta, somada à resposta irônica do piloto alemão foi um golpe ao mito nacionalista criado pela imprensa acerca do brasileiro Rubinho Barrichelo após a morte de Airton Senna. Silvio e Vesgo vão no caminho oposto da imprensa brasileira e aproximam-se da opinião popular ou, ao menos, representam uma forma de pensar ignorada pelos meios de comunicação. Na matéria do programa da rede tv há imagens da cabeça de Willian Bonner apresentando o jornal nacional. Isso, pelo fato da reportagem com Schumacher exibida no televisivo global trazer a pergunta dos humoristas. Esta foi a forma encontrada por eles de dar credibilidade à matéria, além de exibir os sites que mostraram fotos do alemão com o presente oferecido pela dupla do pânico. A brincadeira fica por conta das montagens com emissoras de todo o mundo e a nota fiscal com o valor do presente, R$11,20 por uma tartaruga de plástico oferecida a um esportista milionário. Por fim, fica a análise que se o Pânico na TV não é a caracterização do jornalismo, o semanal tem a audácia, a coragem que falta a muitos membros da imprensa. Mostra a força de uma edição na construção ou destruição de mitos, sem o medo de mostrar-se parcial. O semanal sabe que a verdade é criação e nos faz rir da verdade criada por Silvio e Vesgo. Marcos Antonio de Oliveira Santos 50486 Maicou... enviada por Comufv2004 06/02/2007 17:00 Jornalismo a favor da população ou do espetáculo? Por Viviane de Carvalho A cobertura jornalística sobre o acidente ocorrido na linha 4 do metrô de São Paulo, no dia 12 de janeiro, está dando o que falar. Os grandes veículos de comunicação acabaram invadindo a área do sensacionalismo barato, cometendo vários erros que são recorrentes neste tipo de cobertura de tragédias, transformando o fato num espetáculo que em nada contribuiu para a averiguação concreta e a apuração dos verdadeiros responsáveis. O caderno "Metrópole", do jornal O Estado de São Paulo, explorou ao máximo o episódio, dedicando-se quase exclusivamente ao que se convencionou chamar de cratera". A Folha de São Paulo, em sua seção "Tendências e Debates", publicou dois artigos que dissertaram sobre o ocorrido, com textos esclarecedores que faziam críticas ao sensacionalismo na cobertura jornalística da matéria. Porém, o jornal pouco se distanciou deste tipo de cobertura, ao explorar os relatos de parentes das vitimas. A apuração da matéria acabou revelando que o local já apresentava problemas, que a mídia ainda não havia noticiado. Como por exemplo, o fato de que há vários meses moradores dos imóveis da região estavam assustados com rachaduras e trincas provocadas pelas obras do metrô, e que dias antes do desabamento a empreiteira responsável, sabendo dos riscos presentes na obra, não alertou ninguém da vizinhança nem do governo. Os problemas com a obra da Linha Amarela do Metrô despertaram a atenção da imprensa apenas quando aconteceu o desabamento nas obras do metrô na estação Pinheiros, causando vitimas. Acontece que como hoje muitos jornalistas costumam fazer reportagens sem sair da redação, usando telefone ou internet, a apuração muitas vezes fica comprometida. Se os repórteres andassem mais pelas ruas e ouvissem mais fontes não oficiais, certamente algum repórter poderia ter descoberto antes o que estava acontecendo nas obras do metrô. Enfim, este novo método de apuração faz com que a imprensa cada vez mais se afaste da realidade cotidiana. Outro fator relevante é que numa tragédia com vitimas, sempre haverá pessoas a busca de seus familiares ou amigos e estes sempre trarão consigo histórias de alegrias e tristezas. A exploração dessa dor e dessas histórias é uma das características do sensacionalismo barato, além de um desrespeito com os próprios envolvidos no acidente, com a intenção de aumentar as vendas ou a audiência. O limite entre sensacionalismo, informação investigativa e audiência/vendagem é muito pequeno e conflitante. Mas a população espera sempre que este limite seja respeitado a fim de ser informada corretamente sobre os acontecimentos. O jornalismo que precisar ser adotado pelos grandes veículos de comunicação do país precisa tratar os fatos com seriedade e clareza, trazendo à população informações relevantes e concretas sem o intuito de impor um julgamento especifico a população. Foto da "Cratera" de São Paulo enviada por Comufv2004 06/02/2007 10:49 Quanto vale R$ 52 milhões? Por Natália jael F. Oliveira Francamente ainda não se sabe como distribuir R$ 52 milhões entre ganância e sonhos. Muita gente acredita que a vida não tem valor quando se deixa de sonhar, pois os sonhos que impulsam nossas vidas. Sonhos que muitas vezes podem ser o de um apartamento, uma fazenda, viagens e um bom plano de saúde. Assim vivia o carioca Renné Senna, fazendo malabarismo com o que recebia de aposentadoria. Homem simples deficiente perdera as pernas por causa da diabetes - pai de uma adolescente e que tinha o sonho de poder ter tudo que o dinheiro pudesse comprar, inclusive o amor. Amor este que ele alimentava durante muito tempo por uma cabeleireira. Foi assim nesse jogo entre o sonho e a realidade que ele recebeu a notícia de que era o mais novo milionário da mega sena. Provavelmente o novo estilo de vida e contaminado pela lógica consumista, faltava a Renné um novo amor Adriana - aquela por quem ele alimentava uma paixão. Hoje, considerada por muitos, a inescrupulosa amada. Adriana declarou em rede nacional que o dinheiro ajudou na aproximação do casal, mas o que mantinha o casamento era o amor que sentiam um pelo outro e que viviam muito felizes, na gigantesca fazenda comprada com o dinheiro do premio. Porém, no dia sete de janeiro deste ano, começou a ser traçada a história que levaria Renné ao óbito e Adriana aos tribunais. Morto na frente de um bar, que freqüentava antes de se tornar milionário, Renné se tornou mártir daqueles que afirmam que dinheiro não traz felicidade. Ele não se lembrou que não era mais uma pessoa comum e não que não passava mais despercebido. Talvez ele tentava unir seus dois sonhos, dinheiro e uma vida simples. Como era de se esperar muitas histórias surgiram depois do crime e por de trás delas a única coisa que se pode ver é a fortuna de Renné. Será que Adriana era amante de um dos seguranças? Será que era amante de todos os seguranças? Será que Renné desconfiava da paternidade de Renata? O assunto ainda vai ser durante muito tempo alvo das conversas entre amigos e muitas sentenças já foram dadas para o caso. Adriana esta presa como principal suspeita pelo crime, ou melhor, como mandante do crime. Vários outros suspeitos estão sendo investigados e essa parece que vai ser mais uma história para o imaginário do brasileiro. Julgo ser impossível a qualquer ser humano, com R$ 52 milhões, ter tempo para pensar em dignidade, caráter e amor. O dinheiro certamente deu a Renné o privilégio de escolher a pessoa errada e Adriana não pensou na fragilidade que o dinheiro deu a ele. Este talvez pudesse ser o casamento perfeito se não tivesse terminado com a morte do milionário. Não se sabe quando essa história vai terminar. Mas por enquanto se tem a certeza que o caminho entre os sonhos e a tragédia pode ser mais estreitos do que se imagina. Cada bala que matou Renné valia R$ 10 milhões da sua fortuna e que, sem dúvida, serão cobrados. enviada por Comufv2004 06/02/2007 10:44 O aquecimento global nos principais jornais do país. Por Ana Paula de Toledo O meio ambiente tem sido assunto recorrente na pauta dos principais jornais do mundo. As ações do homem em relação ao meio ambiente há tempos tem sido devastadoras, mas até essa semana não se sabia a real extensão dos danos provocados na natureza. Nessa última sexta-feira foi divulgado pela ONU o relatório final do estudo mais completo sobre o aquecimento no planeta. De acordo com o estudo, realizado por cerca de 2,5 mil cientistas de 130 países, existe 90% de probabilidade do aquecimento global ser fruto da ação do homem. E acredita-se que até o final do século muitas espécies estarão em processo de extinção por causa do aumento da temperatura. No dia 2 de fevereiro a divulgação desse relatório ganhou uma matéria de 3 min e 56s no Jornal Hoje e uma matéria complementar sobre as mudanças climáticas no Brasil de 2 min e 21s. 2 mim e 43s foi o tempo que o Jornal Nacional dedicou à divulgação do resultado do estudo, além de uma matéria complementar de 1 min e 35s sobre a tentativa de grupos ligados ao governo de desqualificar o relatório. Já o Jornal da Globo teve 1min e 49s para o assunto. A revista Época trouxe o relatório como matéria de capa. Além do grande espaço para o tema em seu portal de internet. Já o espaço que o assunto recebeu na revista Veja foi bem menor. E o portal Veja on-line também traz um espaço relativamente pequeno para o assunto. Na edição do dia 4 de fevereiro o Jornal Folha de S. Paulo trouxe em seu caderno Mundo a matéria Países pedem organização ambiental mais poderosa. O jornal O Globo publicou a matéria Países querem agência para o meio ambiente. Já o jornal O Estado de S. Paulo trouxe em seu caderno Vida& a matéria de título Países pedem polícia ambiental. Todas as três falam sobre a preocupação dos países com a situação relatada pelo estudo e a necessidade de criação de um órgão com plenos poderes para zelar pelo planeta. A preocupação com o meio ambiente, hoje, é de suma importância, e os principais veículos de comunicação do país retratam bem essa necessidade. É nosso dever enquanto jornalistas conscientizar a população da real situação do planeta, e como podemos fazer para diminuir os impactos de nossas ações na natureza. enviada por Comufv2004 05/02/2007 12:57 O Blog com 2004 é destinado a apresentação de matérias realizadas na disciplina de comunicação da UFV. enviada por Comufv2004 Feed: Seja avisado quando este blog for atualizado :: (O que é isso?)
ENTRETENIMENTO Trocando o controle remoto pelo mouse Welington Gonzaga* A edição 236 da Revista Super Interessante, que está nas bancas durante o mês de fevereiro, traz estampado na capa um assunto polêmico e de grande interesse do seu público leitor: Lost e o fim da TV. Mas o que está no fim? O seriado Lost? Ou a televisão em si? São dois assuntos distintos ou um único assunto? Como é típico da revista, para obter a resposta, tem que se desembolsar uma razoável quantia em dinheiro. Após inúmeras revistas abordarem as novas tendências do vídeo na era da internet, num primeiro momento é o que nos aparenta ser, novamente, essa atual publicação da Super. Mas o que se está discutindo agora é como que um seriado que conquistou público em todas as partes do mundo está desestruturando a tradicional forma de assistir TV. A televisão do século XXI está muito mais interativa e permite ao telespectador tornar-se um co-autor daquilo que está sendo exibido. Parte dessa nova TV está aqui e agora: ironicamente, em um dos maiores sucessos televisivos da história. O festejado Lost tem por trás dele justamente os elementos que vão destruir a televisão como a conhecemos. A internet possibilita a criação de um universo de discussões e abordagens sobre assuntos que nem mesmo as fontes oficiais se preocupam em divulgar. As especulações em torno dos mistérios do seriado geram infinitos fóruns para os fãs da série debaterem o que se passa na tela. Como resultado disso, a quantidade de material existente na rede ultrapassa aquilo que é veiculado no canal de TV. Para quem acompanha o seriado desde o início (atualmente a série está no 7º episódio da 3ª temporada) tudo funciona como um jogo, em que a riqueza de detalhes não cabe somente na TV. Assistir a esse seriado exige um trabalho instigante de pesquisa que quebra com a relação tradicional e passiva de assistir a um programa televisivo. Um exemplo dessa quebra ao modo tradicional de assistir TV ocorreu em 9 de novembro de 2006, quando foi ao ar o 6º episódio da 3ª temporada de Lost (era o úlitmo capítulo antes da série tirar férias de três meses). Numa única frase dita por um personagem surgiu uma tese capaz de explicar alguns dos mistérios da trama. De acordo com a fala do personagem, o líder dos Outros (como são conhecidos aqueles que estavam na ilha antes do desastre aéreo), Benjamin Linus, é subordinado a Jacob Vanderfield, diretor da empresa por trás dos acontecimentos da ilha. Para quem apenas assiste à série de TV, essa foi a primeira vez que ouviu falar de Jacob Vanderfield. Porém, para os fãs que investigam o mundo extratelevisivo de Lost, este já era um sujeito conhecido. Tanto, que antes da emissora ABC divulgar oficialmente, os fãs já tinham descoberto um site criado para a empresa de Jacob Vanderfield. No dia seguinte à exibição do episódio em que é citado o tal sujeito, havia, em todo o planeta, teorias capazes de explicar os acontecimentos da ilha. Nesse processo todo, o que a TV tradicional fez foi transmitir o sinal de Lost para os EUA. O resto ficou nas mãos de pessoas comuns. A internet aponta para uma transformação da TV como a conhecemos desde criança. A interação passou do controle remoto para o mouse do computador. E essa curiosa tendência é muito mais democrática e interessante. *blogdosininho.blig.com.br
Cicarelli, Mídia e YouTube Willian Cavalcanti Grande parte das pessoas que têm acesso frequente à internet deve ter visto, ou quis ver, o famoso vídeo da modelo Daniela Cicarelli. No tal vídeo, ela e o namorado Renato Malzoni aparecem em cenas picantes em uma praia espanhola de Cádiz. Cicarelli, assim como outras beldades, teve carreira meteórica. De modelo razoável, transmutou-se em apresentadora de tv no canal href="http://mtv.terra.com.br" target=_blank>MTV . Mas passou mesmo a ser mundialmente conhecida após relacionar-se com um dos jogadores de futebol mais famosos do mundo, o dentuço Ronaldo. A relação foi desde seu início bastante conturbada, com direito a barraco na cerimonia de casamento até um matrimonio que durou apenas tres meses. Após o término do relacionamento com o Fenômeno, Daniela manteve-se reclusa, segundo ela, para evitar mais confusões. Mas pelo que se viu, ela não conseguiu ficar longe das manchetes de fofoca por muito tempo. Vários jornais e revistas do país, mídia impressa, tv e internet, noticiaram repercusões do vídeo da modelo. A partir de então, o vídeo rapidamente tornou-se um fenômeno (não estamos falando no seu ex-marido) no site href="http://youtube.com" target=_blank>"Youtube" . Contudo, sua veiculaçao foi barrada, já que a política do site não permite que se post vídeos eróticos de qualquer tipo, sendo então retirado do ar. Mas já era tarde. Muitas pessoas que assistiram no YouTube fizeram sua própria cópia e passaram a postar em seus blogs ou sites. A bola de neve foi só crescendo e a modelo se viu no direito de processar o site pela veiculação indesejada de suas intimidades. Seguindo determinação judicial, durante um dia inteiro o YouTube não pôde ser acessado por internautas brasileiros. A notícia correu o mundo, sendo noticiada por vários meios de comunicação internacional. Muitos deles sombando o juiz brasileiro que havia deferido tal ordem. A notícia chegou até a ser uma das mais lidas em sites jornalísticos do exterior, como o do BBC News inglês ou o argentino Clarín e as revistas americanas Forbes e BusinessWeek. A lição que se pode tirar de tudo isso é simples. Daniela, com sua ameaça contra os meios de comunicação que noticiaram o episódio, fez somente manter a notícia atualizada. Já que cada nova ação sua era uma desculpa para trazer novamente o caso à tona. Dada à preferencia massissa dos internautas pelo site, sua ação contra o YouTube foi ridicularizada. Além do mais, o site nem de longe era o culpado pelo que ali fora veiculado. É tecnicamente impossível da sua parte bloquear a todo momento as novas postagens de seus usuários ávidos por compartilhar o vídeo. A culpa, se se pode atribuir culpa a alguém, é antes de mais nada dela mesma. Já são largamente conhecidas as percipécias promovidas por paparazzi, principalmente os internacionais. Se não se pode exterminá-los, que se conviva com eles e se tenha o mínimo de bom senso para não ser pego em maus momentos como os que ocorreram na praia espanhola. Como disse um professor do curso de Comunicação da UFV, o que se veicula na internet jamais se apaga. E, depois de tanta baubúrdia, vê-se que essa é uma afirmação incontestável. Pior pra Cicarelli.
Cérebro eletrônico Priscila Martins Os internautas brasileiros, com acesso domiciliar à rede, ultrapassaram a casa dos 14,5 milhões em 2006, de acordo com o instituto Ibope/NetRatings . O tempo médio de navegação do brasileiro, no último ano, foi de 21 horas e 39 minutos por mês. Tempo maior que o do estadunidense, do japonês e do australiano. Pra fugir um pouquinho dos números passemos à reflexão sobre o universo mágico que é o ciberespaço. Esse espaço não-físico que a cada dia configura mais e mais a nossa realidade. Transações bancárias, e-mails, compras de natal, notícias, informação, diversão. Uma janela para o mundo que se abre ao alcance de alguns cliques. As facilidades que a rede nos proporciona muda também a nossa relação com o tempo. Pode-se economizar o tempo da fila no banco, na loja, a instantaneidade do correio eletrônico deixa pra traz as cartas feitas à mão. E a dinâmica e instantaneidade das relações virtuais são estendidas à nossa rotina e relações sociais. Espaço e tempo redefinidos. Poupamos o tempo e estamos cada vez mais sem ele. Uma nova significação sensorial é delineada com a materialização digital de parte de nossas vidas. A interface com a rede nos permite construir e experimentar o mundo de maneira diferente, produzir uma comunicação mais complexa, montar textos e significados no trajeto difuso de navegação na web. A rede se cristaliza assim, como um espaço público em potencial, capaz de oferecer uma mesma oportunidade de vez e voz aos seus usuários. A web carrega consigo um novo paradigma de percepção do mundo. Em games como o Second Life, o internauta pode se imergir em um universo inteiramente criado por ele, escolher sua profissão, planejar seu lar, sua cidade e dotar seu próprio corpo das habilidades que quiser. Nessa brincadeira, muitos usuários trocam sua vida no mundo sensível, por assim dizer, pelo virtual. Sites de relacionamento como orkut recriam a noção de comunidade, de identidade e de pertencimento a elas. Na medida em que dão voz ao indivíduo, que por sua conta constrói uma representação de si mesmo, forjando o sentimento de unicidade. Para alguns, a internet seria um simulacro, uma vã representação do real. Outros têm na rede apenas mais um nível de realidade, uma representação que, por ser virtual, não necessariamente engendra características ruins. Longe de querer julgar as implicações desse ciberespaço que como disse no começo é mágico só tenho a dizer, como uma usuária domiciliar, que tenho uma sensação estranha ao perceber que o domingo inteiro gasto na frente da tela do pc foi um dia de sol lá fora. E só percebo isso no fim da tarde.
Olha o trem Kamila Bebber Em outubro de 2006, chegou às bancas uma revista um tanto estranha. Era de dimensões bem maiores do que as que vemos diariamente, com nome de um estado brasileiro quase-esquecido e com capas que remetiam a um estilo gráfico meio artesanal. Chamava a atenção, sem dúvida. E isso tudo sem abrir a revista ainda. Ao folheá-la, enfim, susto: não se parecia com nada. Nada se parecia com ela. Piauí. Era (e continua sendo) o nome da revista. A Piauí foi lançada sem grandes alardes. Chegou devagarzinho no mercado editorial, com algumas poucas publicações falando dela. Foi colocada no cantinho das bancas, parecendo até envergonhada de si mesma. Quem tinha ouvido falar dela, afinal? E que nome era esse, por favor? Nada parecia fazer sentido nessa revista, tudo dispersava. Era sólida e se desmanchava no ar. E para enfatizar ainda mais essa idéia, mal a revista foi lançada e já ganhou uma lista respeitável de críticas não exatamente positivas em vários sites, blogs e nas poucas discussões que ela pontuava. Falou-se até que a publicação deveria se chamar Piauí, pois parecia um trenzinho desgovernado, sem rumo e que não dizia nada. Até falou-se bem dela em alguns lugares. Mas ninguém ouviu. Ou se fizeram de surdos. Em um mercado editorial viciado e cansado como é o brasileiro, a Piauí chegou com uma proposta (ou talvez uma não-proposta) diferenciada e quase torta. Mas o espanto inicial não é condenável. É algo que foge ao engessamento que a linguagem jornalística por vezes impõe. Os textos do miolo da revista são de assuntos completamente discrepantes entre si, com temas que vão desde filosofia a devaneio não-institucionalizado. Tiras, poemas e grafismos volta e meia invadem esses textos, apesar de não terem muito a ver com o tema escrito. A linguagem da Piauí não é linear e cada artigo tem um tom próprio. Os textos têm liberdade estilística e acabam sendo extensão dos seus autores, e não uma farsa mal-ensaiada da neutralidade jornalística. Isso é resultado, em parte, do desprendimento que o artigo (como estilo de produção textual) permite. Talvez a Piauí tenha surgido como uma espécie de protesto contra o marasmo editorial de que sofre o Brasil, preso a modelos de publicações presas em si mesmas, encarceradas em um padrão estilístico que não permite a originalidade e padece de falta de sinceridade textual. Talvez a Piauí tenha surgido só pra dar um susto nas revistas que nunca mudam e sempre estão nas bancas. A Piauí já está na quarta edição. Talvez não dure muito. Mas só por ter mostrado que é possível fazer algo que transcenda a mesmice das publicações periódicas notadamente no que se refere ao jornalismo cultural já teve uma vida editorial louvável. Viva o trenzinho desgovernado.
Mamãe oh mamãe natureza... Tchuru ru ru tchu ru ru uá á á á Por Camila Morgado Desenvolvimento sustentável. Aquilo que mais parecia um palavrão, pior do que bater em mãe no Natal, de repente volta às pautas da imprensa brasileira. Tudo isso após a divulgação de um relatório do Painel Intergovernamental para a Mudança Climática (IPCC), no dia 2 de fevereiro, em Paris. Segundo ele, até o fim do século, o nível do mar deve subir cerca de 60 centímetros, as temperaturas na Terra vão variar de 1,1º C a 6,4º C, e tem muito mais além disso. Enfim, a raça humana degradou tanto o meio ambiente que entrou em um caminho, talvez possamos dizer, sem volta. Quando foi realizada a Eco 92 no Rio de Janeiro, a imprensa adotou uma visão ecologista que não passou de puro modismo. Prova disso é que, quinze anos após a Conferência, os resultados da ação humana demonstram-se cada vez mais caóticos. Oras, se o propósito dela era adotar o desenvolvimento sustentável como meta a ser buscada e respeitada por todos os países, alguém aí quer explicar o que foi esse relatório? Infelizmente, talvez, a resposta é muito simples. Durante todos esses anos, a questão ambiental foi relegada a segundo plano. Antes da Eco 92, ela era simplesmente considerada coisa de jornalista bicho-grilo. Depois de sua realização, o que se observou foi um período de sumiço de matérias desse tipo. Aliás, sumiço também é forte demais. Algumas coisas foram divulgadas, mas não passaram de pequenas notas. Ou então, não obtiveram tanta importância como mereciam. O que se deu foi um desaparecimento do tema na grande mídia. Devo, então, concordar quando Bruno Blecher diz, no Observatório da Imprensa., que a mídia tem uma parcela de culpa pela degradação do Planeta. E ele ainda cita algumas questões das quais pouca gente sabe a respeito, como Protocolo de Kyoto e Crédito de carbono, entre outros. Ou seja, a mídia não conseguiu associar a questão econômica em parceria com o meio ambiente adotando uma visão de sustentabilidade. Assim sendo, preferiu deixar a segunda parte de lado. A questão central é que somente agora, na iminência de um desastre, começamos a pensar em mudar. Mania de querer deixar tudo pra última hora! Além disso, não há culpados para os resultados divulgados. Pelo menos não diretamente. Então, a raça humana, com sua pretensão de criar uma natureza humanizada, começa agora a sentir os efeitos de seus atos. É Fantástico falando, Folha, O Globo, Jornal Nacional... Todos! O que o susto não faz... O jornalista Andrew Revkin, do New York Times, fez uma ótima analogia em rela-ção ao espaço de tempo que levamos para pensar e reagir a questões como essas: Com que rapidez a água tem de subir até o seu pescoço para você entrar em pânico (especialmente se, como Leonardo DiCaprio no Titanic, você está algemado ao navio)?. Alguém precisa de cronômetro?
Sempre mais do mesmo Por Luiza Campos Acontece todo ano. Chega o verão e com ele dezenas de notícias explorando o mesmo assunto: as chuvas no sudeste e a seca no nordeste. Outra estranha coincidência é que essas matérias nunca mudam, parecem tiradas de algum arquivo morto. E essa mesmice é geral: ela atinge todos os meios de comunicação. Mas, será que realmente não há nada de novo para ser dito? Os meios midiáticos são iguais até na pretensa originalidade. Todos perceberam, ao mesmo tempo, que contrapor a idéia de seca à de chuva em abundância num mesmo país chama a atenção do leitor-espectador. Mas, se há alguma diversidade regional ela fica só no título. As matérias, em sua grande maioria, retratam a situação dos estados do sudeste, enquanto relegam à situação nordestina cerca de dois ou três parágrafos. Isso teria alguma relação com o fato dos grandes centros econômicos nacionais estarem concentrados, em boa parte, no sudeste? Vai saber... Outra notável semelhança são as falhas de diagramação ou dos redatores e produtores, que sempre resultam num esquecimento de explicar o porquê dessa situação. Não me parece normal que a estiagem nordestina tenha aumentado tanto nas últimas décadas ou os recordes de enchentes ocorridos no sudeste. Também não são dadas ao leitor-espectador soluções ou alternativas para reverter essas circunstâncias. Esses jornalistas todos devem sofrer de amnésia crônica, coitados. Ah, sim! Há honrosas exceções de programas como o Fantástico e o Globo Repórter . Eles sempre trazem uma espécie de manual-prático-de-como-preservar-o-planeta-Terra. Matérias sobre o aquecimento global e desenvolvimento sustentável são freqüentemente exibidas pelos dois. Mas cá entre nós: deve estar havendo redução no quadro de funcionários. Só isso poderia explicar a falta de criatividade e de aprofundamento nas reportagens veiculadas. Espera aí. Afinal de contas, o que o leitor-espectador tem a ver com isso? O que ele poderia fazer para mudar esse quadro? A culpa é só da natureza e das grandes empresas, não? Imagina se o homem, sozinho, seria o responsável por isso tudo. Na verdade, acho que eu deveria parar de falar sozinha. Pura viagem minha...
A POSSE E A ELEIÇÃO NO CONGRESSO NACIONAL Qual é o seu papel na história? Por Marihá Garcia Eleições 2007. Os brasileiros devem estar se perguntando: como assim? Não tivemos eleições no ano passado? Ou será que o Lula foi cassado por causa daquele rolo com o tal do mensalão? Não, é isso mesmo que estamos vendo, ouvindo e lendo nos telejornais, rádios e jornais de todo o país: 2007 também é um ano de eleições, mas não para a escolha do novo presidente do Brasil, e sim da Câmara Federal. Será que o voto para presidente da Câmara também é obrigatório? Que dia é a eleição? As dúvidas não param, pelo contrário. Agora, a nova eleição não conta com a preferência de quase 100 milhões de brasileiros e sim de somente 513 eleitores: os deputados federais. O Presidente escolhido será aquele que se pronunciará coletivamente e supervisionará os trabalhos dos deputados. Além disso, ao maior posto da Mesa Diretora da Câmara caberá outra função de extrema relevância para a política brasileira: a responsabilidade de substituir o Presidente da República, de acordo com os termos do artigo 80 da Constituição. E a disputa pela presidência da Câmara foi tão ou mais acirrada que a das eleições do ano passado. Ambas tiveram segundo turno, mas para a escolha do chefe da Câmara houve somente três candidatos que tinham exatamente 510 votos a serem conquistados, já que obviamente, cada um dos aspirantes a cadeira da presidência votou em si mesmo. Além disso, pairava um conflito um tanto quanto interessante no ar: a base governista apresentou dois candidatos, o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) e Aldo Rebelo (PC do B-SP) que tentara a reeleição. Enquanto a oposição foi representada por Gustavo Fruet (PSDB-PR). Aqui não houve pesquisa do Ibope, ou do Data Folha, encomendada por um ou outro veiculo de comunicação. Chinaglia, Aldo e Fruet, cada um correu atrás do seu provável eleitor. Acordos entre os partidos foram pensados, planejados, feitos e às vezes desfeitos. Os votos são calculados segundo as possíveis mudanças de opinião dos deputados. Nesse tipo de eleição é comum aceitar que o eleitor, no caso o deputado, tem e pode exercer o benefício da dúvida ao contrário das pesquisas que são feitas durante as eleições para Presidente da República, em que os números sempre correspondem á fiel opinião do eleitor. E é aí que a política revela explicitamente seu lado mais desprezível: o eterno jogo de interesses. A isso, somam-se as peregrinações a cada gabinete, a caça do apoio incondicional às propostas de governo. Cada voto foi milimetricamente computado pelos candidatos. O mais curioso é que os números que cada um provavelmente teria, chegou a superar o número de deputados existentes na Câmara. E aí começavam as especulações sobre quem poderia ou não trair determinado candidato. Isso mesmo que está escrito: traição. Para se ter uma idéia, Chinaglia, candidato eleito, venceu Aldo Rabelo por 261 a 243 votos. 18 votos que representaram uma diferença apertada, mostrando que algumas desistências de deputados que supostamente apoiavam um ou outro candidato, devido a posição dos partidos, podem sim ter influência significativa. Verdadeiras campanhas publicitárias foram montadas. Com slogan e tudo o mais que cada deputado tinha direito para atrair os votos de seus prezados colegas. Como, por exemplo, a carta de compromisso e o cartaz que Gustavo Fruet distribui nos gabinetes com a seguinte frase: "Esta é a Câmara que o Brasil quer". Porém, a empreitada teve suas exceções: nada de propaganda obrigatória gratuita na mídia, ou de carros de som nas ruas na véspera da eleição. Afinal, os eleitores são outros. E o contato corpo a corpo é o mais recomendável. Para termos uma real visão da importância de uma eleição como esta, o Congresso organizou um debate entre os candidatos, exibido ao vivo pela TV Câmara no dia 29 de Janeiro, três dias antes da eleição. E o mais interessante disso foi a manifestação do exercício da democracia: semelhante ao último debate do segundo turno das eleições presidenciáveis de 2006, a população brasileira pôde interferir diretamente, enviando perguntas aos deputados pela internet e pelo Disque-Câmara (0800 619619). E é nesse ponto que a história fica muito mais complexa do que parece. Quem, na verdade, são os maiores atingidos com a escolha do novo presidente da Câmara? A população em geral, ou os deputados? Você obviamente deve estar pensando: os deputados, claro. Afinal, foram eles que votaram. E de certa forma a resposta tem coerência, já que campanha e promessas foram feitas aos parlamentares. Mas quero que o benefício da dúvida passe despercebido. E o cidadão comum? Não teve vez? Teve. No debate ele teve vez. O espaço estava aberto para opiniões, questionamentos e críticas. Mas quem sabia, de fato, desse detalhe? A TV Câmara não é um canal aberto, como Rede Globo ou SBT. Seu sinal é distribuído na rede de tv por assinatura, e também pode ser captado por antena parabólica. A inclusão digital ainda não alcançou todos os quatro cantos do país. E para agravar ainda mais a situação, o brasileiro não possui uma formação política. Por isso fica explícito que poucos são aqueles que dominam, conhecem ou, pelo menos, se interessaram por esse tipo de acontecimento. A política do Brasil nem sempre é acompanhada, pensada, e, consequentemente, bem quista. Também é fato que a mídia contribuiu, e muito, para que o assunto fosse colocado na pauta de muitas discussões de uma maneira um tanto quanto superficial. Já que não se viu um resgate da história das eleições na Câmara Federal, o que mostra uma falta de comprometimento com a população, que em sua maioria, não está atenta para a responsabilidade que os deputados tinham e continuam a ter diante da sua escolha, mesmo após a eleição. É fato que o tema foi amplamente difundido das mais diversas maneiras. As formas de se discutir a eleição não deixaram a desejar: podemos acompanhar o desenrolar dos acontecimentos tanto através do jornal impresso, nosso mais antigo companheiro, como através de sites e blogs,que muitas vezes conseguem ser mais eficazes e velozes no divulgação da informação do que a tv. Por isso não devemos retirar o mérito da imprensa brasileira, que cumpriu o seu papel. A eleição aconteceu. E foi um sucesso. Afinal, entre mortos e feridos, salvaram-se todos. Chinaglia terá pela frente um mandato de 2 anos, Aldo Rebelo continuará na base governista, mas já anuncia apoio a Ciro Gomes em 2010, a Fruet restará mesmo a oposição. Recomeçam as especulações, a politicagem. Recomeçou o jogo de interesses, a busca pelo apoio nas bancadas, a troca de favores, a cobrança dos juros e correção monetária. Será que também, dessa vez, a opinião do brasileiro será requisitada? Será que o país tomou e tomará conhecimento do que acontecerá em Brasília? Sugestões ou críticas ligue 0800 619619. Teremos o prazer em ouvi-lo.
Randy Razuq Ferreira Depois de ser visto por mais de 600 mil pessoas nos cinemas e de fazer sucesso entre a crítica especializada, começa a chegar às locadoras de todo o país o filme Zuzu Angel. Dirigido pelo competente Sérgio Rezende, que também participou do roteiro, o filme é uma boa opção para os cinéfilos que sentiam a falta do tema ditadura militar nas telonas. Baseada em fatos reais, a superprodução conta a história de Zuleika Angel Jones, a Zuzu, modista brasileira que se transformou em uma estilista conhecida internacionalmente nos anos 60. Seria a história de uma mulher comum, se ela não tivesse sido uma das personalidades que mais incomodaram a ditadura. Interpretada com louvor pela belíssima Patrícia Pillar, Zuzu era até certa fase de sua vida alheia à situação política do Brasil. Bem diferente foi seu filho Stuart (Daniel de Oliveira), que ainda jovem ingressou na luta clandestina contra o regime. Com o desaparecimento de Tuti, como era carinhosamente chamado pela mãe, Zuzu o procura desesperadamente, até receber uma carta que denunciava a morte de seu filho nos porões da ditadura. É quando passa a buscar pelo corpo, que nunca foi entregue à família. O amor de mãe fala mais alto que as diferenças ideológicas, e Zuzu dá início a uma série de ações em protesto pelo assassinato de Stuart. No filme, é mostrado o momento em que a protagonista recorre até ao então secretário de Estado norte-americano, Henry Kissinger. A sede por justiça repercute na moda de Zuzu. Ela, que antes fazia vestidos para esposas de militares, transforma seu trabalho em instrumento de contestação. Novos tons e estampas denunciam a revolta diante da falta de liberdade política no Brasil. Desta forma, a personagem confirmou na prática o que certa vez disse em entrevista a uma jornalista americana: moda é comunicação. Outro mérito do filme são as cenas de tortura, comoventes e realistas ao retratar a arrogância e os abusos dos militares. Emocionante é o desfecho da história, com a cena do acidente de carro, provocado, que matou Zuzu em 1976, na saída de um túnel no Rio de Janeiro que hoje leva o seu nome. Emoção ainda na trilha sonora de Cristóvão Bastos. O destaque é a música Angélica, composta por Chico Buarque em homenagem à estilista morta. Grande amiga do cantor, foi com ele que Zuzu antes de morrer deixou uma carta dizendo que, se algo lhe acontecesse, seria obra dos mesmos assassinos de seu filho. Mais que tensa e dramática, a história de mãe e filho que pagaram com a vida o preço da liberdade se mostra, sobretudo, oportuna. Relatos desta natureza motivam a sociedade a dar valor às instituições democráticas, sem as quais o cidadão não pode fazer o que há de mais essencial: agir segundo a própria vontade. O povo precisa substituir a descrença total com a política brasileira pela lição de que a realidade de agora poderia ser bem pior. Trabalho interdisciplinar de Redação em Jornalismo III e Preparação e Revisão de Originais (Multimídia)
Jornalismo a favor da população ou do espetáculo? Por Viviane de Carvalho A cobertura jornalística sobre o acidente ocorrido na linha 4 do metrô de São Paulo, no dia 12 de janeiro, está dando o que falar. Os grandes veículos de comunicação acabaram invadindo a área do sensacionalismo barato, cometendo vários erros que são recorrentes neste tipo de cobertura de tragédias, transformando o fato num espetáculo que em nada contribuiu para a averiguação concreta e a apuração dos verdadeiros responsáveis. O caderno "Metrópole", do jornal O Estado de São Paulo, explorou ao máximo o episódio, dedicando-se quase exclusivamente ao que se convencionou chamar de cratera". A Folha de São Paulo, em sua seção "Tendências e Debates", publicou dois artigos que dissertaram sobre o ocorrido, com textos esclarecedores que faziam críticas ao sensacionalismo na cobertura jornalística da matéria. Porém, o jornal pouco se distanciou deste tipo de cobertura, ao explorar os relatos de parentes das vitimas. A apuração da matéria acabou revelando que o local já apresentava problemas, que a mídia ainda não havia noticiado. Como por exemplo, o fato de que há vários meses moradores dos imóveis da região estavam assustados com rachaduras e trincas provocadas pelas obras do metrô, e que dias antes do desabamento a empreiteira responsável, sabendo dos riscos presentes na obra, não alertou ninguém da vizinhança nem do governo. Os problemas com a obra da Linha Amarela do Metrô despertaram a atenção da imprensa apenas quando aconteceu o desabamento nas obras do metrô na estação Pinheiros, causando vitimas. Acontece que como hoje muitos jornalistas costumam fazer reportagens sem sair da redação, usando telefone ou internet, a apuração muitas vezes fica comprometida. Se os repórteres andassem mais pelas ruas e ouvissem mais fontes não oficiais, certamente algum repórter poderia ter descoberto antes o que estava acontecendo nas obras do metrô. Enfim, este novo método de apuração faz com que a imprensa cada vez mais se afaste da realidade cotidiana. Outro fator relevante é que numa tragédia com vitimas, sempre haverá pessoas a busca de seus familiares ou amigos e estes sempre trarão consigo histórias de alegrias e tristezas. A exploração dessa dor e dessas histórias é uma das características do sensacionalismo barato, além de um desrespeito com os próprios envolvidos no acidente, com a intenção de aumentar as vendas ou a audiência. O limite entre sensacionalismo, informação investigativa e audiência/vendagem é muito pequeno e conflitante. Mas a população espera sempre que este limite seja respeitado a fim de ser informada corretamente sobre os acontecimentos. O jornalismo que precisar ser adotado pelos grandes veículos de comunicação do país precisa tratar os fatos com seriedade e clareza, trazendo à população informações relevantes e concretas sem o intuito de impor um julgamento especifico a população. Foto da "Cratera" de São Paulo